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CD X MP3 – Palpável X Virtual

 
Por: Maila-Kaarina Riippa
 

Gravar um álbum cheio e bem produzido continua a ser o maior objetivo de todos os artistas que compõe e de todas as bandas. Mesmo na era do MP3, do Itunes ou tendo o Myspace e outras facilidades tecnológicas que nos permitem estar presentes de forma global virtualmente, o produto final “CD”  ainda é a maior recompensa e o melhor registro de nossa jornada como músicos, ainda precisamos do palpável para sentir que o trabalho valeu, que a missão está cumprida.
Somos a primeira geração a viver a realidade do mercado virtual de forma efetiva, por isso, talvez seja tão difícil conceber que o virtual possa ser real e que o real não precise ser palpável. Crescemos com o “ver para crer” em sua forma mais literal e  este é apenas o início de uma nova era, o que significa que ainda não podemos estar preparados para superar o modelo anterior.

 

Estamos no período de adaptação, inseridos de forma direta e abrupta neste dualismo REAL X VIRTUAL.

São maravilhosas as facilidades que  o mundo virtual nos trás e cada vez nos colocamos mais dentro dele,  no entanto,  ainda o encaramos como insuficiente. Por exemplo; hoje você pode construir uma página maravilhosa no Myspace com uma arte fantástica, pode disponibilizar até 10  faixas de seu trabalho, ter quantos perfis quiser e ainda tem como associá-los ao Twitter e ao Facebook. Você pode vender MP3 através do Itunes e outros sites, pode montar sua própria loja virtual, além de ter acesso a uma vasta gama de webrádios onde suas músicas podem ser executadas, você pode inclusive ter seu próprio canal de rádio, caso queira. Investindo no marketing de internet temos como alcançar infinitamente mais coisas e isso já é vigente, porém ainda temos um certo medo de aceitar isso.
           
Este medo, cegueira ou não aceitação, não tenho uma definição exata ainda, nos obriga a lidar com duas realidades e por conta disso, temos que cruzá-las. O resultado? Um mercado cada vez mais exigente, mais difícil e competitivo, uma realidade cada vez mais distante do lucro através do palpável, mas que não vive sem ele. Uma prova?

Veja as estatísticas a respeito da venda de CDS, ele não é mais considerado o principal meio de lucro. O CD hoje em dia é um símbolo de status, ter o seu, com suas músicas e um encarte bonito nada mais é do que um resultado simbólico que precisamos atingir para nós mesmos e para os outros, que necessitam de provas para crer em nosso valor.  O lucro não vem mais da mesma forma também e se o esperado for apenas financeiro,  dificilmente vai acontecer caso o investimento tenha sido realmente profissional.
           
O artista de hoje precisa dos dois mundos. Tem que ter um CD para mostrar que seu trabalho tem valor, pois basta dizer que é músico para que alguém pergunte: “Você tem algum CD gravado?” Mas ao mesmo tempo, não há como sobreviver sem o virtual. Um perfil no Myspace ou em algum outro site similar, músicas disponibilizadas na net, um canal no Youtube, isso é o mínimo. E outra coisa..., se importar demais com downloads e pirataria é querer se estressar com o óbvio. Não há como fugir disso. Simplesmente vai acontecer.

E o custo?
Há quem diga que barateou, pois hoje podemos gravar tudo em nosso próprio computador, há diversos programas e pluggins que nos permitem alcançar em poucas horas os resultados que há um tempo atrás necessitariam de uma orquestra completa e muitos dias de trabalho. Pode-se fazer muito mais, em muito menos tempo. Mas se pensarmos proporcionalmente dentro das capacidades de cada época, poderemos constatar que na verdade o avanço gerou tantas outras necessidades, que o custo se manteve igualmente alto.

Hoje você gasta com muitas coisas além da produção executiva e visual do CD. Além de todo o custo anterior, com fotos, impressão, gravação, masterização e tudo mais, você ainda precisa de um webdesigner, caso seu fotógrafo não seja bom no photoshop, você precisará contratar alguém para cuidar da edição, a arte da capa, a logo do trabalho, tudo isso terá de ser muito mais trabalhado e caso você não tenha como contratar um serviço de assessoria de imprensa, terá que ter muitas horas de sua semana disponíveis para o envio de emails com notas a diversos contatos, para responder emails e checar as caixas de entrada de seus pelo menos 3 perfis em sites de relacionamentos, dentre diversas outras coisas.
           
Hoje você não tem mais opções porque a comunicação evoluiu, a comunicação evoluiu e por isso você é obrigado a enxergar, buscar e se inserir no maior número possível de opções, mesmo que não queira.
           
O poder da comunicação está nas mãos da imagem e da estratégia de marketing e não basta mais ser apenas artista, você precisa de visão empresarial e, caso não seja bom nisso, tem que saber que deverá contratar um. Você precisa saber produzir e se não souber, terá de ter um produtor. A mínima estrutura necessária é grande e abrangente, pois hoje o artista não lida mais com o local, mas com o global.

Eu, como musicista e compositora desta primeira geração, ainda sonho com meu CD lindo e perfeito, ainda me imagino olhando para ele com orgulho horas a fio, ainda sonho em mostrá-lo a todos. Mas sei que estes sentimentos são resultado da imposição cultural de uma época. Época esta que vejo como em fase de conclusão.

Como será que isso vai ficar em 10 anos?

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