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| Ace Frehley - Anomaly |
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Por: Silver
arina
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Após 20 anos sem lançar nada em carreira solo e prometer esse álbum desde meados de 2002, eis que o eterno guitarrista do Kiss, Ace Frehley, lançou-o no dia 15 de setembro de 2009. Os fãs aguardavam fervorosamente pelo lançamento e "Anomaly" agora está aí para a diversão de todos!
No final do mês de julho, o primeiro single foi lançado: "Outer Space" foi uma verdadeira pancada nos ouvidos de todos que aguardavam o álbum e conseguiu acender de novo aquele sentimento de "coisa boa e nova está vindo por aí". Agora, em mãos, uma resenha sobre o full-length.
Sou forçado a admitir: mesmo sendo fã de Frehley há muitos anos e admirando muito seus trabalhos solo, não consegui engolir esse trabalho de primeira. Isso aconteceu com muitos amigos meus que também são fãs de Ace. Mas essa azia e má digestão foram geradas do fato de "Anomaly" não ser um álbum previsível. Apesar da maioria ter pensado que Ace faria um trabalho previsível, como sempre fez e como sempre agradou a todos, não foi isso o que aconteceu totalmente. A essência rock-a-roller do sr. Paul Daniel Frehley ainda está saliente aqui, mas alguns elementos não eram esperados por aqui.
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A abertura fica por conta da excelente "Foxy & Free" que, só pelo seu riff inicial, já vale a pena. O vocal descontraído e despojado de Ace está no ponto, a guitarra está como sempre sensacional, a bateria (que tenho certeza, só pela audição, que foi gravada por Anton Fig) está arregassadora e o baixo, visceral como a música pede. Além disso, a canção conta com um ótimo refrão e um solo daqueles de se tirar o fôlego.
"Outer Space" já entra quebrando tudo com um riff pesado e uma bateria moendo os tons. Finalmente, a música cai e a minha pressão arterial também, porque essa música é demais pro meu coração. O refrão tem uma fusão de Blues com Hard Rock simplesmente perfeita, além da voz de Ace em um timbre um pouco mais grave. O baixo parece ter sido tocado com um slide, pois está com uma sonoridade muito boa e que caiu perfeitamente com a guitarra. O solo dispensa comentários: estamos falando de Ace Frehley!
"Pain In The Neck" mantém o nível da parada: riff pesado, bateria forte, baixo bem tocado, mas aqui o vocal de Ace volta a dar aqueles agudinhos bêbados e costumeiros. A progressão do refrão é bem psicodélico e, apesar de eu não achar que se encaixou bem com o resto da música, gostei. Após o segundo refrão, a música cai para um dedilhado e fica bem calma, mas logo volta com um solo avassalador e que, inclusive, considero como o melhor do álbum.
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Agora, uma das músicas que eu mais estava curiosíssimo para ouvir é a versão feita para "Fox On The Run", originalmente do The Sweet. E mr. Frehley não me decepcionou. Se a música já era genial com o The Sweet, conseguiu ficar melhor ainda com Ace e banda! Uma dose de peso e modernidade foi adicionada, mas uma dose bem pequena e que, ao meu ver, só deixou tudo melhor. Boa escolha, boa execução, boa faixa!
Muitos consideram que o álbum acaba por aí e só ressucita na 10ª música (que será comentada em sua hora), pois agora o clima do álbum é quebrado um pouco.
"Genghis Khan" é a maior faixa do CD com poçantes 6 minutos e, apesar de um instrumental muito bem trabalhado, até mesmo com uma pitada de Country Rock, é um pouco repetitiva - repete praticamente a mesma frase por todo o andamento. A guitarra de Ace está simplesmente genial aqui, onde ele até arrisca um Wah Wah muito bem encaixado e as partes de violão ficaram excelentes também. Uma canção muito boa mas, se fosse completamente instrumental ou se tivesse uma letra mais longa e com refrão, provavelmente teria cativado mais fãs. |
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Se o clima foi quebrado por "Genghis Khan", ele foi despedaçado, queimado e pulverizado com "Too Many Faces". Com uma proposta mais calma, a música se encaixaria muito bem se tivesse um pouco mais de peso, mas conta com ótimos riffs e licks de guitarra e uma bateria excelente, além de um baixo muito bom e um vocal normal (Ace não se encaixa muito bem cantando músicas calmas). Solo supimpa, boa música.
Se distanciando mais ainda do Hard Rock com pitadas blueseiras e metálicas, "Change The World" começa com um ritmo bem... Nickelback. A proposta da música é completamente diferente da proposta sempre apresentada de Ace Frehley - a letra trata de um assunto mais sério e o ritmo da música é digno de "baladinha", além de uma guitarra chorona e um refrão chato. A música poderia até ser melhor, mas não se fosse tocada por Ace Frehley
O peso volta com o instrumental "Space Bear", que é quase uma fusão de Jimmy Page com Jimi Hendrix. Aliás, Ace investiu muito nos instrumentais aqui, hein? Mas esse está bem legal. Poderia ter gerado uma música com vocais facilmente e ser um fan-hit. O riff principal parece o de "Rocket Ride", como se fossem riffs gêmeos bivitelinos. Por sinal, o destaque aqui é a bateria.
Se "Change The World" é uma balada, "A Little Below To Angels" é uma baladinhazinhaninhalinhafinhaginha...inha. Apenas violão e voz, apenas Ace Frehley e uma percussãozinha leve por quase 2 minutos. A letra é quase uma auto-biografia do cara, com um "quê" de Padre Marcelo Rossi. Quando a bateria e o baixo entram, a música passa a prometer mais, mas a promessa é quebrada quando Frehley repete o mesmo erro cometido em "Dolls", do primeiro álbum do Frehley's Comet: COLOCAR CRIANÇAS PARA CANTA. Qual o objetivo disso?? Tentar ser sério? A essência da música é boa, mas depois que a bateria e o baixo saem pra dar espaço pro violão novamente, a coisa fica feia. Sem dúvidas a mais fraca do álbum.
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Mas a patifaria retorna com aquela faixa que citei anteriormente como a faixa de número 10: "Sister". Essa já era conhecida pelos fãs mais fervorosos do tio Frehley porque é uma demo antiga, que nunca entrou em nenhum outro álbum sabe-se lá o motivo, porque a música é muito boa! Já tem início com uma bateria forte, uma guitarra pesada e um baixo sujo. No mesmo esquema das quatro primeiras faixas, "Sister" é uma das melhores do álbum e retoma a sonoridade de músicas geniais de Ace como "Five Card Stud", "We Got Your Rock" e outras pérolas da carreira do homem. Pra variar, um solo arrasa-quarteirões. Nota dez!
"It's A Great Life" quebra o clima com um ritmo meio Funk/Soul, mas com toda a identidade de Ace Frehley. Me lembrou até "Another Brick In The Wall" do Pink Floyd! Boa música, apesar de não ser muito adequada para anteceder o clássico fechamento de álbuns solo de Ace.
Da série Fractured, que venha "Fractured Quantum"! No mesmo molde das outras, "Fractured Quantum" fecha o álbum com classe, apesar de eu achar "Fractured Mirror" insuperável. A genialidade e o talento de Frehley, pra variar, se refletem por aqui. E a guitarra "chorando" ficou muito boa! |
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Por fim, digo que esse álbum foi feito para os fãs, exclusivamente. Quem ouvir sem ser fã de Ace Frehley, tanto no Kiss quanto em carreira solo, vai se sentir um pouco perdido, apesar de eu não me arriscar a dizer que o indivíduo não irá gostar do trabalho. Exige muitas ouvidas para ser digerido, mas com o tempo passará a ser mais valorizado até mesmo pelos fãs. Sem contar que Ace parece estar muito contente com o álbum pois finalmente está fazendo o que gosta depois de muitos problemas até mesmo com o Kiss. Vida longa ao Spaceman!
Nota final: 8,75 de 10. |
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