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Rock the Bayou
por: Thais Grossi
11 de Setembro
 

A minha saga Rock the Bayou começou Sábado, dia 30/08 e assisti Bullet Boys, Enuff Z’nuff, Great White, Dokken, Lita Ford e Sammy Hagar. Dentre elas, as seguintes me chamaram a atenção:

 
  DOKKEN
   
Seria a primeira vez que veria Dokken ao vivo, no entanto, da formação original da banda só restou mesmo Don Dokken. Sim, nasci atrasada para a festa hard. Enfim, a banda entrou empolgada entoando clássicos e algumas músicas do novo álbum O som não estava dos melhores , o microfone falhou por alguns segundos e Don cantava em um tom mais baixo que o habitual. Mais tarde vim a descobrir que ele havia perdido a voz no dia anterior, acontece. George Lynch definitivamente faz falta no palco, porém o novo guitarrista, Jon Levin, consegue dar conta do recado. No geral, a performance da banda foi sólida e digna de quem possui anos de estrada, valeu os meus trinta minutos de atenção.
 

SAMMY HAGAR

Quando penso em Sammy Hagar no Rock the Bayou, lembro da cara de desespero de um dos membros da organização, quando foi incumbido de comprar quatro biquínis para as meninas escolhidas na platéia, que seriam “garçonetes” no palco durante o show. Sammy trouxe uma arquibancada para o palco com algo em torno de trinta pessoas. Tratava-se de fãs que haviam pago 200 dólares para ver a apresentação de perto e terem drinks servidos pelas tais garçonetes. Elas serviam margaritas feitas com tequila, muito boa e cara por sinal, criada por ninguém mais, ninguém menos que o próprio Mr. Hagar. O clima praiano no palco contava com um bar de onde os drinks saíam e com o próprio Sammy em traje verão. Ele abriu o show com I Can’t Drive 55 e soou impecável. É difícil acreditar que um homem de sessenta anos possa continuar com aquela voz poderosa.

 
Um cover do clássico, Whole Lotta Love, do Led Zeppelin, veio em seguida e empolgou a platéia. Daí pra frente, regado a muita tequila, ele entoou clássicos do Van Halen, de sua carreira solo, passou os vocais para Vick Johnson, o guitarrista, e Mona, a baixista, e fez um show sensacional. Não fiquei muito convencida com o cover de Fight For Your Right to Party dos Beastie Boys, porém, pensando bem, a música cai como uma luva na personalidade de Sammy e de forma alguma prejudicou a noite rock’n roll de verão em Acapulco que ele nos proporcionou. No domingo, dia 31/08, lá estava eu novamente e desta vez assistiria a Dangerous Toys, L.A. Guns, Slaughter, Yngwie Malmsteen, Warrant e Alice Cooper. Sobre esse dia eu tenho muito o que contar.
 
L.A GUNS

Dangerous Toys abriram o meu dia com um show bom e ponto. Eles seriam o aquecimento para o que estava por vir. L.A. Guns surge no palco com a lenda Tracii Guns nas guitarras e Marty Casey nos vocais. Logo após a primeira musica, No Mercy, fiquei me perguntando por que até aquele momento ainda não havia visto um show deles. O questionamento só piorou ao longo do set da banda.

O show foi impecável do início ao fim e devo destacar a performance de Marty, vencedor do reality show “Rockstar INXS”. Sua energia no palco e simpatia fora dele impressionam, tanto que o vi batendo um papo cabeça com uma menina de cinco anos de idade.
 

YNGWIE MALMSTEEN

Slaughter tocou por volta de 4 da tarde e me deu a oportunidade de sentar e descansar ao som de um show ok. O ponto alto da banda foi um cover, não dos piores, de Heaven and Hell.

Yngwie Malmsteen estava a caminho e um certo zum zum zum no backstage se iniciava. As pessoas se referiam ao mesmo com uma infinidade de nomes “carinhosos” e estavam apreensivas para ver se ele daria algum chilique. Até no primeiro mundo o povo gosta de ver o circo pegar fogo… Bem, ele chegou cercado por três policiais, bronzeado, vestindo uma roupa de gosto duvidoso, somada a indumentária (colar, pulseira e afins) dourada. Pegou uma das três guitarras Fender Stratocaster idênticas disponíveis (cor creme e correia com estampa de oncinha), respirou e entrou no palco.

Continua o mesmo excelente guitarrista que já conhecemos, enérgico, jogava a guitarra para cima, rodava-a no pescoço e assustava o seu roadie (guitar tech), quando finalizava uma música e jogava-a em seus bracos (sai que é sua…). Agora imagine o pavor que este ser humano deve sentir com o risco da queda de uma das “trigêmeas” de Yngwie.

A banda que o acompanha é extremamente competente, especialmente Tim “The Ripper” que dispensa apresentações e canta absurdamente bem.

 
Durante os longos solos de Malmsteen, era possível vê-lo passeando e conversando no backstage.

Foi um ótimo show que me fez sentir piedade da banda que viria em seguida. Warrant Depois de Malmsteen já seria difícil impressionar, porém o Warrant ultrapassou a linha do mediócre e chegou ao nível “show ruim”, o primeiro e único dentre as bandas que assisti por lá. Jani Lane não estava bem e isso estava claro, não só pela voz terrível, mas pela atitude sorumbática A pior apresentação do festival , em minha opinião.

No entanto, nada mais importava, pois em alguns minutos veria um dos shows mais impressionantes de minha vida, Alice Cooper.
 

ALICE COOPER
vídeo do show >>

O backstage foi esvaziado e lá só se entrava com uma credencial especial. No inicio não entendi a “frescura”, mais tarde tudo ficou claro. Era um show de rock, no entanto, sentada em um canto assistia os roadies carregando, não só instrumentos e equipamentos, mas araras com roupas diversas, fantasias, perucas, balões infláveis, bonecos, uma forca e um carrinho de bebê. Me lembrou um pouco o backstage do Cirque du Soleil, o que era completado pela simpática filha de Alice que lá se aquecia, penteava perucas e se divertia com a equipe. Alice entrou “matando uma pessoa,” cantando “It’s Hot Tonight” e emendando em “No More Mr.Nice Guy”. Com uma banda muito bem ensaiada e composta por excelentes músicos, ele deu um verdadeiro show, descreveria como uma especie de Teatro Rock de Horror e levou toda a platéia a participar de seu pesadelo. Os diversos papéis que a trama exigia eram interpretados por técnicos de guitarra, roadies e por sua filha, que a todo momento trocavam de roupa para dar vida aos personagens, era uma correria extremamente divertida no backstage. Foram 90 minutos de verdadeiro rock’n roll e drama ao vivo, Alice soa como o mesmo de vinte anos atrás e foi o responsável pelo melhor show de rock, não só do Rock the Bayou, mas do ano. Prefiro não contar detalhes para não estragar a surpresa.

 

THE KIX
vídeo do show >>

Era Segunda-Feira dia 01/09, feriado Americano do dia do trabalho, quarto dia de festival e eu estava exausta. Goustav, o furacão que havia se formado no Golfo do México, aterrizaria em Houston naquela tarde. O sol escaldante dos dias anteriores dava lugar a um céu nublado e o amontoado de pessoas arena afora foi substituído por um público bem menor do que nos dias anteriores.

O clima era esquisito e tudo parecia acontecer devagar, incluindo o meu raciocínio, o que me fez passar grande parte do tempo sentada atrás do palco esperando por uma banda que me fizesse levantar.

E ela surgiu, The Kix, com um visual e magreza bem anos 70, eles conquistaram não só a platéia que se aglomerou na frente do palco para vê-los, mas também diversos músicos que se posicionaram na lateral para assistí-los, entre eles, Dee Snider do Twisted Sister, ao meu lado!
 

TWISTED SISTER
vídeo do show

Twisted Sister tocou logo após Jackyl, que não chamou a minha atenção. Quando era criança ficava impressionada com o cabelo e a maquiagem estilo drag queen de Dee e sempre quis vê-lo ao vivo. Foi um ótimo show cheio de clássicos como: "The Price," "We're Not Gonna Take It," "I Wanna Rock," "You Can't Stop Rock n' Roll" e "Burn in Hell”. Porém, The Kix continuou ganhando, e nessa altura do campeonato, com Bret Michaels sendo a principal atração da noite, já sabia que eles levariam o meu troféu banda do dia. Bret entrou no palco para tocar e filmar cenas para o seu próximo reality show, “The Rock of Love 3”, uma especie de “Quer namorar comigo” onde ele vai eliminando as garotas e a finalista vira sua namorada.

Levando em consideração que esta será a terceira temporada do programa, deve estar mesmo difícil para Bret arranjar uma namorada, não é mesmo? Intercalando chamadas para o programa (um saco) e músicas, ele fez um show bem básico, cheio de covers e clássicos do Poison como "Every Rose Has Its Thorn" e "Unskinny Bop”.

Me diverti mesmo, pois descobri que o furacão havia desviado e não mais chegaria ao Texas!

 
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