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Rock the Bayou – A Experiência
por: Thais Grossi
29 Agosto a 01 de Setembro
 

Em meio a ameaça de um furacão e durante um fim de semana prolongado proporcionado pela comemoração do dia do trabalho Americano, centenas de pessoas se deslocaram para um mesmo local onde prometia-se uma volta ao passado celebrando a cena rock’n roll dos anos oitenta. Foi a estréia do Rock the Bayou, um festival de quarto dias e mais de cem bandas, nos moldes dos grandes festivais de rock europeus e lembrando muito o, já consagrado, Rocklahoma. A estrutura prometida, explicada em detalhes no web site do evento, (www.rockthebayou.com) impressionava, contando com três palcos, área para acampamento, bares climatizados, tenda de relaxamento e vários outros detalhes que davam a idéia de um festival bem organizado. Sem contar com, obviamente, os clássicos headliners que lá tocariam: Queensryche, Sammy Hagar, Alice Cooper e Bret Michaels.

 

Na chegada ao local do evento, por 15 dólares se estacionava o carro num terreno desnivelado e ligeiramente gramado, em por volta de oito minutos de caminhada chegava-se a entrada da arena onde tudo acontecia e de onde não era possível ignorar a existência de um parque de diversões com roda gigante e tudo mais, de onde ouvia-se a gritaria de adultos se divertindo. Pessoas munidas de cadeiras de praia e artigos de acampamento eram vistas por todos os lados, enquanto a fila para a compra de ingressos era quase nula. Ao que parece, os que decidiram ir garantiram seus ingressos com antecedência. O público era uma grande mistura que ia de crianças a senhores por volta de seus setenta anos. Grande destaque para a quantidade de lenços e bandanas (na cintura, embaixo e por cima do chapéu, no pulso ou todos os anteriores ao mesmo tempo). Como se trata de um festival no Texas, não preciso comentar sobre a imensa quantidade de botas e chapéus de cowboy e e claro, sobre os “covers” de clássicos personagens do hard rock. Vi, no minimo, trinta e cinco “Tommy Lees”, vinte e sete “Bret Michaels” e um “Brian Adams” na platéia, e não, não foi alucinação causada pelo sol.
 
O calor insuportável de mais de 40 graus do verão texano somado as longas caminhadas pelo chão desnivelado e deveras lameado deixaria qualquer fã desanimado, certo? Errado, tudo isso era compensado pelo ótimo astral do ambiente e de todos que ali trabalhavam sob sol escaldante, da bilheteria a organização, passando por seguranças e atá policiais, não consigo lembrar de um ser humano que parecesse estar ali de má vontade. Se fosse um festival relembrando os anos setenta, diria se tratar da aura paz e amor celebrada na época, mas como não foi o caso, não sei explicar o porque da harmonia coletiva que me fez delirar: “Ah, se todos (os festivais) fossem iguais a você!” A estrutura prometida pela organização estava toda ali, regada a fartura de guloseimas americanas; cachorro-quente, pizza, pretzel e até coxa de peru, limonada congelada, refrigerantes, água e cerveja.
 
A musica era non-stop, a todo momento alguma banda tocava em algum dos palcos, o que tornava impossível a tentativa de assistir a todas. Enquanto isso no backstage, o clima era de acampamento de verão. Os camarins das bandas foram montados em diferentes ônibus para as maiores ou em trailers para as menores, porém a grande maioria se recusava a ficar trancada em seu camarim e circulava feliz entre o palco e a tenda de imprensa, interagindo e se divertindo, contando até com clima de tristeza na hora da despedida.

A paz imperava e até Yngwie Malmsteen, conhecido por seu mau humor, não foi dos piores, porém ganhou o, nem um pouco disputado, troféu pior personalidade do Rock the Bayou 2008.

Longa vida ao festival que estreou com o pé direito e já deixou saudades.
 
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Hard Blast 2010