Alec: As vozes do Philip foram gravadas em Los Angeles, a bateria na Suécia e todo o resto como guitarras, contra baixo e backing vocals foram gravados no estúdio 430 em Barra Mansa – Rio de Janeiro. No final eu enviei o material do estúdio 430 daqui para a Suécia para então o Martin começar as mixagens e gravações de bateria.
Maila: Quem são os membros fundadores da N.O.W. Junto com você?
Alec: Sou o único fundador, já gravei trabalhos anteriores, mas infelizmente quando há muitas pessoas opinando você acaba desvirtuando o foco do que você realmente quer fazer. Quando eu faço uma música, ela meio que aparece na minha cabeça quase toda pronta, eu não sento para criar nada, então qualquer mudança nisso já atrapalha o que eu imaginava para a música, mas desta vez eu consegui fazer tudo exatamente como eu queria, inclusive gravar as guitarras microfonadas com um ampli maravilhoso valvulado, coisa que nenhum técnico de estúdio gosta de fazer porque é difícil e complicado, mas eu enchi o saco e consegui, o Ivan foi lá e detonou..... então posso dizer que esse trabalho é realmente a minha cara, tirando o dragão da capa, lógico, heehehe
Maila: Outro ponto interessante, seu lineup com a presença de Philip Bardowell nos vocais, vocalista com grande história tendo passado pelas bandas de Peter Criss e Ace Frehley do KISS, além de outros grandes trabalhos. Como se deu esse contato entre vocês, uma banda brasileira, com Philip, e como foi gravar o trabalho?
Alec: Quando eu finalizei as músicas com o Jean, eu pensei, nossa, o trabalho está muito legal mesmo, e ele também adorou. Aí eu pensei, eu canto, mas não tenho a voz necessária para mostrar esse projeto ao mundo, e decidi arriscar e enviar para alguns vocalistas que eu admiro muito, enviei para um vocalista na Suécia, maravilhoso, mas a voz dele soava muito Toto, e não era o que eu procurava, quando entrei em contato com o Philip, para a minha total surpresa ele falou : ’’Alec, gostei tanto das suas músicas que eu vou cantá-las com você’’ e tem até um depoimento dele dizendo isso no meu myspace. Um dos meus eternos ídolos é o vocalista do Foreigner ; Lou Gramm e a voz de Philip lembra ele demais, aí já viu né, eu estava no paraíso! Ele também falou, ’’Alec, eu vou colocar todo o meu coração e alma nas músicas’’ e pelo o que você vai escutar, ele realmente colocou. Eu passei as músicas para MP3, e enviava para ele com metrônomo, aí ele gravou as partes dele no estúdio do Gary Griffin dos Beach Boys e enviava via servidor para mim só os vocais, como estava tudo gravado com metrônomo, era só adicionar as faixas já pré-gravadas no estúdio e sincronizar, ficou perfeito! O Philip é uma pessoa excelente, super legal e facílimo de lidar. Sem contar que ele disse ( e está no meu e-mail guardado até hoje...-:) que eu tenho uma excelente voz, parecida com a dele..... bem, ele disse né, se é verdade ou não só vocês para dizerem.
Maila: Com material saindo do forno, pronto para o mercado, é hora de colocar a banda na estrada. Vocês já têm datas marcadas para tour e shows esse ano?
Alec: Hoje em dia dar shows não é mais como antigamente, hoje em dia o CD é que promove a banda, ou seja, se ele é bem vendido, você de repente é chamado para fazer um show em algum festival naquele lugar, ou seja, é o álbum que promove o show e não o contrário, é a era da Internet. Um bom exemplo disso é a banda Pride Of Lions, banda excelente com 4 albuns lançados pela Frontiers e vendendo bem, o único show que eles fizeram é o show do DVD deles, e mesmo assim foi uma abertura de festival, não era um show só deles.
Maila: O AOR foi um estilo extremamente popular nos anos 80, nos trouxe bandas maravilhosas como Journey, Survivor, Foreigner, passou por uma momento meio ”obscuro” nos anos 90, pelo menos no que diz respeito a América, mas na Europa, está voltando com tudo nestes últimos anos. Altos e baixos são sem dúvida normais no meio de qualquer arte, mas como você enxerga esse retorno do AOR como headliner em festivais e gravadoras? Você tem alguma teoria a respeito desse fato?
Alec: Olha Maila, o grande problema que eu acho foi a mesmice do AOR no final dos anos 80, muitas bandas soavam iguais, então o público procurou algo diferente, mais cru, mais perto das raízes do rock. As bandas que ficaram, são as que realmente sempre foram boas, os clones se foram. Hoje em dia está realmente tendo uma volta desse estilo, muito graças ao American Idol, programa de maior audiência dos U.S.A e onde os jurados sempre colocam músicas de Classic Rock e AOR para os participantes cantarem, isso deu um baita empurrão. O fato do jurado Randy Jackson ter sido baixista do Journey ajudou muito também. Eu sou muito crítico quando à música, e sempre procuro ser honesto, íntegro e diferente com a minha música. Eu não sigo uma fórmula, eu sigo a minha inspiração, tanto nas melodias quanto nas letras, às vezes até um pouco soturnas demais... mas realistas ao extremo. Acredito que a história irá se repetir, dessas milhares de bandas novas só as que tem aquele ’’quê’’ a mais, aquela magia são as que vão perdurar, o resto vai sumir. Isso é mais culpa das bandas que não oferecem coisas novas do que do público em si que está ávido para escutar música que vem do coração e não da partitura. Bem, essa é a minha opinião.
Maila: Então, falando sobre seus momentos de inspiração, como se deu o processo de composição das músicas do álbum e sobre o que falam suas letras?
Alec: Como dito acima, as músicas pipocavam na minha cabeça, eu levava sempre uma câmera comigo e às vezes eu estava dirigindo, tinha de parar o carro, botar para gravar e começar a cantarolar a melodia para quando chegasse em casa fazer a harmonia nos violões. As letras falam sobre situações do cotidiano e problemas familiares que aconteceram comigo ou com pessoas que eu já perdi ou não tenho mais contato.
Maila: Se você pudesse escolher 3 bandas para sair em tour com a NOW, quais seriam elas e por quê?
Alec: Foreigner, Toto, Paul McCartney
Foreigner porque é uma grande influência, e a mistura de soul com AOR deles é magistral, sem igual. Toto é uma banda super competente e diversificada com uma história fantástica no rock. E Paul McCartney, bem, sou Beatlemaníaco desde os 6 aos de idade, preciso dizer mais? heheheh...
Maila: Dentre músicos que você admira e ídolos, quem você mais gostaria de conhecer e o que você perguntaria a ele?
Alec: Paul McCartney. Eu perguntaria, posso fazer uma música em parceria com você?
Maila: Fale de forma resumida como você vê o mercado hoje em dia e a geração totalmente voltada para a internet, para os downloads e como artista, já que é impossível lutar contra esse fato, como fazer com que isso se torne a algo a seu favor?
Alec: Primeiramente eu sei que há vários colecionadores, pessoas como eu, que amam ainda escutar a música e ver o livreto, as fotos, acompanhar as letras das músicas. Sem contar que ter um CD não deixa de ser um investimento, gostaria de ver alguém em apuros financeiros vendendo 10 gigas de música no seu PC...... conheço gente que comprou apartamento vendendo coleções de CDs. Fora isso, acredito que as gravadoras têm sempre que oferecer o melhor para o público, arte bonita, músicas surpreendentes e sem encheção de linguiça. Eu não sou contra os downloads para se conhecer o grupo, afinal,. Já comprei muito CD que só tinha 1 música boa. Agora eu acho uma baita sacanagem depois do músico ralar tanto, deixar de ficar com a família durante quase 1 ano, as pessoas irem lá, baixarem o CD do cara sem pudor algum e nem falarem um ’’obrigado cachorro’’.... gostaria de ver um médico consultando de graça, um arquiteto fazendo uma planta de graça, será que esse pessoal que baixa tudo quanto é música trabalha de graça? Pois é, por que os músicos deveriam então? Vai chegar uma época, que excelentes bandas vão deixar de gravar um segundo CD porque o primeiro teve vendas baixíssimas e quem perde com isso é o próprio público.
Maila: Quais as expectativas e os planos para 2010?
Alec: São excelentes, acabei de receber a notícia que a primeira crítica do álbum N.O.W. – FORCE OF NATURE foi feita em um Webzine Alemão (Metal Underground), que é bem enjoado nas críticas, e eles consideraram o álbum : UM MONUMENTAL CLÁSSICO DO ROCK QUE NÃO PODE SER DEIXADO DE FORA DE NENHUMA COLEÇÃO. Espero que os fãs concordem com isso, eu estou felicíssimo com essa notícia!!!!
Maila: Deixe uma mensagem aos leitores.
Alec: Nunca deixe de usar a sua criatividade, a sua curiosidade, pois foi com ela que as pessoas comuns se tornaram grandes gênios e inventores. Nunca desista dos seus objetivos, por mais impossível que eles sejam, a única barreira entre eles e a realidade, é você. |