CARLOS LÖSCH´s POP VANITY – Classic Hard Rock – Brasil
Por: Maila-Kaarina
fotos: Virginia Nuñez
POP VANITY é o nome do projeto 100% independente e de altíssima qualidade, lançado em novembro de 2009, pelo talentoso guitarrista carioca e produtor musical Carlos Lösch.
Bem pautado nas linhas do AOR, Pop Vanity traz uma riqueza de elementos em suas 8 faixas muito bem compostas e arranjadas, passeando nitidamente pelo blues e pelo heavy metal, com um tempero “vintage” muito legal e curioso em se tratando de um guitarrista tão jovem, pois o músico tem apenas 27 anos de idade recém completados.
Músico full time há cerca de 10 anos, Carlos Lösch construiu suas influências a partir dos blueseiros natos, mas sempre buscou manter sua cabeça aberta a música que não precisa seguir tendências, mas apenas ser boa.
Carlos também é guitarrista da banda de heavy metal Syren, www.myspace.com/syrenband, que se encontra em processo de gravação de seu novo álbum, com lançamento previsto para 2011.
Ao ouvir Pop Vanity fica claro que estamos escutando um trabalho feito por quem realmente sabe o que está fazendo, tem um objetivo e, principalmente, identidade própria.
No momento, o músico está em busca de selos e gravadoras interessados na distribuição de seu trabalho mas, logicamente, já colocou o pé na estrada com sua banda, formada por Silvio Mazzei (vocais), Marcus Souza (bateria) e Marcelo Moraes (baixo). Você pode conferir um pouco através do myspace pelo endereço www.myspace.com/popvanity. Pelo site você também pode entrar em contato para encomendar sua cópia, o que é mais que recomendado, pois se trata de um dos melhores lançamentos de 2009 em matéria de hard rock vindo do Brasil.
Então é isso, galera, meu entrevistado da vez é Carlos Lösch! Curtam a entrevista, visitem o myspace, comprem o CD e ajudem a levantar o cenário nacional, pois tem muita coisa boa e de qualidade que depende de você para crescer.
Maila: POP VANITY, seu primeiro CD, é um trabalho totalmente independente, tanto em matéria de produção executiva quanto de criação. Por que você preferiu “estrear” no mercado como um trabalho solo ao invés de formar uma banda?
Carlos Lösch: Minha ideia com esse projeto foi dar um primeiro passo para o que pode se transformar numa banda no futuro. Se eu conseguir me juntar a músicos que vistam a camisa da parada, com certeza farei isso. Meu nome só está em evidência porque fui eu quem cuidou de tudo nesse primeiro momento. É como o Rainbow... no começo se tratava de um projeto e se chamava “Richie Blackmore´s Rainbow”. Quando aquilo engrenou, se transformou simplesmente na banda Rainbow, digo, continuou sendo a banda do Blackmore, mas não era mais um trabalho solo. E este ainda não é “o primeiro CD solo de Carlos Lösch”, apesar de isso não estar longe de acontecer, rsrs
Maila: E como POP VANITY aconteceu? Já que não é exatamente um “disco solo”, trata-se da consequência de algum trabalho anterior que acabou tomando forma?
Carlos Lösch: Sempre acreditei que ter uma carreira solo seria inevitável, mais cedo ou mais tarde. Na verdade, esse projeto começou a tomar forma a partir de uma ideia muito menor. Apareceu uma oportunidade de fazer algumas datas na Europa com um outro projeto, e eu me dei conta de que não tinha nenhuma gravação minha pra mostrar pra alguém enquanto estivesse por lá. A ideia inicial era gravar umas duas ou três musicas pra fazer um myspace e só, mas sabe como é, né? Quando comecei a compor as músicas, ideias foram aparecendo e acabei com essas 8 faixas.
Maila: E como é produzir seu próprio trabalho? Mais difícil do que ser o produtor de outro? Compare as situações.
Carlos Lösch: Muito mais difícil, sem dúvida. Estou dando a cara à tapa e lidando com a auto-crítica em todos os aspectos do processo. Claro que, ao produzir o próprio trabalho, o artista ganha uma liberdade muito maior e isso é muito bom, mas não acho que o custo X benefício seja suficiente pra tornar o processo mais agradável, rsrs.
Maila: Suas influências são pouco convencionais em se tratando de um guitarrista tão jovem, pois você tem bem menos de 30 anos de idade. Guitarristas como Stevie Ray Vaughan, Steve Lukather e Eddie Van Halen são os que você menciona sempre como ídolos e inspirações. Como você construiu essas influências?
Carlos Lösch: E olha que, dentre todos os que me influenciaram, esses três são os mais novinhos hahahahaha. Pode acrescentar Clapton, Jeff Beck, Keith Richards, Robert Johnson, Hendrix... Sempre gostei mais dos guitarristas que tiveram o blues como escola, além dos próprios blueseiros natos, e esses caras já disseram tudo que tinha que ser dito em relação ao instrumento, pelo menos pra mim. É uma coisa natural, eu não me forço a isso. Por mais que tenham surgido guitarristas extraordinários nos últimos anos, não apareceu ninguém que me chamasse atenção suficiente a ponto de considerar um ídolo do instrumento. Richie Kotzen talvez tenha chegado perto.
Maila:POP VANITY é um álbum de 8 faixas. A essência do trabalho é rock n´roll, hard rock (mais AOR) e blues, mas há também um claro “tempero” heavy metal em sua música. Todas as composições são suas?
Carlos Lösch: Em “The Falsehood King” eu divido a autoria com o guitarrista Cláudio Gurgel e “9PM” é a versão da música “Frio”, que tem letra original de meu amigo e parceiro de composições Nando Guitti, vocalista da minha antiga banda, Damas Não Pagam.
Todas as outras composições são só minhas. Algumas vieram de inspirações momentâneas, outras surgiram de ideias e riffs que eu já tinha, mas em nenhum momento eu parei e pensei se ia fazer um disco de blues, metal, hard ou qualquer outro estilo. As músicas foram saindo e eu fui gravando... Acho que essa talvez seja a maior vantagem de ter um trabalho totalmente independente. Não ter que seguir nenhuma exigência e poder gravar o que eu quero. Se eu ficasse afim de gravar uma salsa ou um standard de jazz no meio do disco, eu iria gravar e dane-se. Mas uma coisa é certa, como em qualquer trabalho que eu grave, ainda vou demorar algum tempo para sentar, ouvir com calma e descobrir se estou realmente satisfeito com o resultado final. Estive tão envolvido com todas as músicas durante tanto tempo, que não acredito que possa ter uma opinião válida em relação ao meu próprio projeto no momento. Só consigo pensar em divulgar esse e compor os próximos.
Maila: Além de tocar guitarra você também canta em algumas faixas, porém não todas. Por que você preferiu dividir os vocais com outro vocalista ao invés de cantar todas as músicas?
Carlos Lösch: Não me considero um vocalista, sou um guitarrista que gosta de cantar. E quando o Silvio Mazzei topou fazer uma participação eu não pensei duas vezes, coloquei logo duas músicas pra ele cantar rsrs. Silvio é um cara extremamente talentoso e profissional, além de possuir um grande caráter, algo raro de se encontrar por aqui.
Maila: Fale um pouco sobre o processo de produção Pop Vanity, quem participou ao seu lado? Carlos Lösch: Um dos maiores orgulhos que eu tenho no meio musical é o fato de ter feito grandes amizades, com músicos extremamente talentosos. Nunca tive dúvida de que, em qualquer projeto que eu viesse a realizar, conseguiria me cercar de profissionais da melhor qualidade, e foi exatamente isso que aconteceu. O Flávio Pascarillo, grande amigo e dono do estúdio HR, tocou bateria e co-produziu o disco comigo. Quem gravou os baixos foi Pedro Peres e os teclados, Sydney Sohn, além, é claro, do Silvio nos vocais e da senhorita no dueto de “Now I Can Remember”. Com músicos desse naipe, fica fácil concluir um trabalho. Todos toparam abraçar o projeto da melhor forma possível e eu tenho uma dívida de gratidão com eles. Quanto às dificuldades, não tive muitas até agora, tudo foi dentro do esperado. Acredito que as maiores ainda estão por vir, infelizmente, rsrsrs.
Maila: Que tipo de trabalho você gostaria muito de produzir e gravar, algo como um “sonho realizado”?
Carlos Lösch: Gostaria de compor ou remontar um musical da Broadway, participando de todo o processo. Escolha de elenco, ensaios etc.. Sempre fui um grande fã de musicais e acredito que não se realize um musical de sucesso, sem que todos os envolvidos sejam no mínimo excelentes no que fazem. Demanda uma concentração de talento muito grande, e é exatamente isso que mais me atrai. Fico muito feliz em ver que, ao contrário de todo o resto, o teatro musical brasileiro tem crescido e se valorizado bastante, com produções e artistas que não devem nada aos encontrados no exterior.
Maila: Você está em busca de selos ou gravadoras interessados em distribuir e lançar POP VANITY ou prefere se manter no controle do trabalho?
Carlos Lösch: Nossa, quero encontrar uma gravadora o mais rápido possível, minha maior intenção com esse projeto no momento é exatamente essa. Quanto mais eu puder focar só na música, melhor. Tenho material composto pra mais uns cinco álbuns. Compor e cuidar da produção musical é muito natural pra mim. Ter que cuidar de todo o resto que envolve um trabalho como esse é uma coisa que me incomoda muito e eu nunca irei me acostumar com isso.
Maila: Apesar das facilidades de comunicação existentes hoje em dia, com milhares de sites, rádios virtuais e possibilidade de hospedar seu trabalho e divulgar o nome, continua difícil chegar a um ponto em que o álbum seja realmente ouvido e o artista conhecido. O que você enxerga como melhor estratégia de divulgação?
Carlos Lösch: Hoje, com a internet e as facilidades de comunicação, todo mundo tem acesso aos mesmos meios de divulgação, com exceção de artistas maiores e com mais grana envolvida, claro. Eu recebo diariamente no meu email e no myspace, centenas de mensagens de bandas e artistas divulgando seu trabalho. Alguns são realmente bons, mas a maioria é uma merda, ou seja, fica tudo misturado. Então eu vejo que a melhor forma de se divulgar um trabalho independente hoje em dia é colocando a banda na estrada, e em se tratando de Brasil, isso tende a ser um processo desgastante, decepcionante e caro demais. Eu levo a música muito a sério pra me envolver com esse tipo de amadorismo. Ou seja, a não ser que eu consiga elevar esse projeto a um patamar em que eu possa fazer uma turnê com uma estrutura decente, de preferência no exterior, minha divulgação estará um pouco prejudicada. Não estou me negando a fazer shows, já tenho até a banda para tocar comigo ao vivo, com o Silvio, o baterista Marcus Souza e o baixista Marcelo Moraes, mas só farei shows que valham à pena, ou em que pelo menos todos na banda se divirtam. Não quero meter esse trabalho em roubada.
Maila: É normal ler entrevistas de artistas de grande e médio porte falando que o mercado está muito complicado e extremamente difícil para todos. Você acredita que essa dificuldade é realmente geral?
Carlos Lösch: Não acredito que seja mais complicado hoje do que foi no passado. Outro dia li uma entrevista do Johnny Cash, de 73, em que ele reclama das dificuldades que um artista encontrava pra conseguir um contrato e se manter estável naquela época. Não é uma exclusividade de hoje, simplesmente são realidades diferentes. Hoje qualquer um grava um disco em casa a baixo custo. Não sei se as pessoas de hoje em dia já pararam pra pensar na quantidade de artistas talentosos de antigamente que não atingiram a fama ou conseguiram um contrato de gravação. Eles nunca gravaram uma composição própria e nós nunca teremos a chance de ouvi-las. É como se sua arte nunca tivesse existido, e isso é muito mais triste.
Maila: Você é músico full time, fale um pouco sobre viver da música no Brasil.
Carlos Lösch: As condições sociais, econômicas e históricas influenciam tudo diretamente, sem dúvida. O que acontece aqui, infelizmente, é que a arte não é tratada com a grandeza e o respeito que deveria. Isso leva as pessoas a acreditarem que a música ou a dança ou qualquer outro tipo de demonstração artística deva ser encarada como um hobby ou um “segundo emprego”, algo supérfluo. E não são só alguns conservadores que pensam assim, a grande maioria das pessoas pensa assim, ainda que não admita. E se um povo inteiro está condicionado a essa cultura, isso desencadeia uma reação negativa em série, onde absolutamente ninguém sai beneficiado.
Maila: Se pudesse por um dia controlar o mercado fazendo o que bem quisesse, quais seriam as 3 primeiras medidas que tomaria em relação a ele?
Carlos Lösch: Olha, quem me conhece sabe que eu não teria disciplina pra lidar com uma responsa dessas, mas entre algumas medidas que eu acharia válidas, estariam a criação de sindicatos decentes pra todos os envolvidos no mercado fonográfico, produtores, técnicos, roadies e, principalmente, os músicos, já que, quem vive de música no Brasil, sabe que a Ordem dos Músicos é equivalente a nada!
Outra coisa que me incomoda por aqui, é a falta de audições para músicos. Por maior que seja o artista ou a produção e por mais grana que esteja envolvida, isso raramente acontece. Se o profissional não tiver quem o indique pro trabalho e não fizer parte da famosa “panelinha”, ele simplesmente não terá chances, mesmo sendo o mais capaz para o posto. No Brasil existe um impressionante desapego em relação à qualidade, num nível quase inacreditável!!
Maila: Qual a gig dos seus sonhos e por quê?
Carlos Lösch: Sem a menor dúvida, sideman do Eric Clapton. Mas essa vaga já foi preenchida pelo Doyle Bramhall II o que torna tudo mais difícil pra mim rsrsrs
Sinceramente, meu maior sonho ainda é poder chegar nos shows ou gravações e simplesmente me preocupar em tocar, mais nada, só música. Que alguém me traga a guitarra antes e a leve embora depois pra que eu possa ir tomar uma cerveja e fumar uns cigarros. Some a isso uma remuneração bacana e eu serei o cara mais feliz do mundo. Talvez o Doyle viva exatamente assim hahahahahaha
Maila: Quais os planos para 2010?
Carlos Lösch: Tenho vários projetos em vista. O que está mais adiantado é um projeto Hard/AOR que montei junto com o Flávio Pascarillo e Silvio Mazzei, que já está todo composto e em fase de pré produção. Posso dizer que vem coisa muito boa por aí. Toco também em uma banda de Heavy Metal, SYREN (www.myspace.com/syrenband), que vai lançar o CD no ano que vem e poderemos, finalmente, cair na estrada. Além disso tenho muitos outros projetos pessoais, muitos deles envolvendo a Pop Vanity, incluindo a gravação do segundo disco, mas ainda não é nada concreto o suficiente para que eu possa divulgar pra vocês.
Maila: Deixe aqui uma mensagem aos leitores!
Queria desejar um excelente 2010 a todos vocês (ainda estamos no começo do ano, acho que ainda não está tarde para isso, hehe), com muita saúde, grana, festas, rock´n roll, diversão e tudo mais. Todos nós vamos lidar com decepções, perdas, inveja, isso é tudo muito natural. Mas se você não acreditar que o melhor ainda está por vir, é melhor nem seguir em frente. E nós precisamos continuar!