A banda finlandesa Entwine lançou há pouco tempo um novo álbum de estúdio, chamado Painstained.
Para comemorar, batemos um papo com Mika Tauriainen, vocalista da banda, alguns minutos antes deles tocarem no Klubi em Tampere (Finlândia). Durante o tempo em que Mika gentilmente nos convidou para uma cerveja e alguns cigarros, pudemos conversar formal e informalmente sobre várias coisas: yoga, filosofia, futebol, religião, reggae... e claro, muito Heavy Metal! Cansado das eternas comparações com as outras bandas finlandesas e dos caminhos tortuosos da indústria musical, o vocalista continua igual a 10 anos atrás quando começou o Entwine: se preocupando basicamente em curtir a música!
Antonio: Obrigado pela entrevista Mika. A notícia mais quente acerca do Entwine é o recente lançamento do novo álbum, Painstained. Sabemos que você não gosta muito de analisar suas letras, no entanto, o que você pode dizer sobre elas, em comparação com as antigas?
Mika Tauriainen: Acho que elas estão um pouco mais orgânicas e dinâmicas. Nós queríamos achar alguma coisa nova em nosso som. Por isso nós chamamos Hiili (Hiilesmaa) para nos produzir. É difícil explicar. Nós saímos daquele padrão de metal finlandês; as guitarras estão mais cruas.
Antonio: No passado vocês foram comparados a outras bandas finlandesas, como The Rasmus e H.I.M., e agora com a colaboração de Hiili (que produziu as bandas citadas), eu acredito que vocês já esperavam que as pessoas fossem trazer esse assunto novamente...
Mika: Na verdade nós não pensamos muito sobre isso e eu não me importo mais com essas comparações. Se as pessoas querem nos comparar com outras bandas, isso é problema delas, eu realmente não estou nem aí, porque eu conheço o nosso lugar e eu tento não me importar com isso. Então todo o sentimento nesse álbum é diferente de antes, do meu ponto de vista. Pode ser um pouco difícil de assimilar no começo, não é uma audição tão fácil quanto nos outros discos.
Antonio: Porque você diz isso? Ouvindo as músicas, elas me parecem mais comerciais e de mais fácil audição do que os discos anteriores do Entwine...
Mika: Bom, o disco inteiro soa um pouco mais cru. Não foi tão produzido quanto antes. Bem, claro que de certa forma foi até mais produzido, mas eu digo, por exemplo, como quando gravamos as vozes. Eu não gravei cem takes diferentes pra conseguir algo bom, foi tudo muito mais natural e é por isso que eu gosto. É mais rock!
Antonio: O lançamento do álbum teve umas semanas de atraso. Qual foi a razão?
Mika: Sem comentários.. eu fiquei puto! O lance é que nós tivemos a festa de lançamento no dia 17 de janeiro, mas o álbum não havia nem saído ainda. Na verdade nós disponibilizamos o disco inteiro no Myspace de 14 a 17 de janeiro para que os fãs pudessem ter a chance de ouvir as músicas.
Antonio: Vocês usam muito o Myspace para contatos, e inclusive fizeram um quis em que os prêmios foram produtos relacionados à banda. Você acredita que essas redes de relacionamento são importantes para manter contato com os fãs?
Mika: É um bom jeito de encontrar pessoas, é propaganda de graça!
Antonio: Como foi o seu começo como músico no meio metal?
Mika: Eu toquei bateria por 5 anos e nosso segundo guitarrista, Janni, tocava nessa banda também. Eu comecei minha carreira com ele. Nós tínhamos uma banda chamada Billy Góes. Era tipo um rock de Seattle, uma boa banda. Existe uma banda finlandesa chamada Iconcrash, o vocalista tocou bateria conosco também e ele continua sendo um excelente baterista.
Antonio: E o que o motivou a mudar de papel e se tornar vocalista? Você não sente vontade de, em alguns shows, trocar de lugar com o Aksu (baterista do Entwine e vocalista do Tuomi)?
Mika: Hehehe, não. Ás vezes sim, eu gostaria de tocar bateria, mas geralmente eu estou feliz cantando. Eu costumava tocar rock clássico, Led Zeppelin, Deep Purple, bandas antigas. Quando eu comecei a pensar em cantar toda aquela cena de Seattle surgiu. Bandas como Alice In Chains e Pearl Jam. O lance é que eu saí de trás da bateria porque eu queria estar na frente do palco. Eu só queria cantar. Eu nunca tive muitas aulas de canto, talvez umas 10 horas e meia no total, alguns exercícios de respiração e é isso. Mas hoje em dia eu não curto muito cantar com a “voz limpa”. Muitos vocalistas de power metal finlandeses cantam com uma voz muito alta e muito limpa e eu acho isso chato. Alguns deles soam iguais para mim.
Antonio: Agora que a Finlândia é um país mais metal do que nunca, você sente o cenário diferente de uma década atrás, quando vocês começaram?
Mika: Claro que é diferente. Não é mais tão glamouroso quanto antes. Ás vezes parece mais com “trabalho”, mas não posso dizer que seja assim sempre, porque no fim das contas é divertido. Se estamos falando a respeito de um álbum, não fico mais pensando se vai entrar nas paradas ou o quanto vai vender. Com os discos anteriores eu poderia até pensar, “Ok, agora é a hora!” e aí, quando o resultado não agradava era decepcionante, mas agora estou mais calmo. Eu curto muito mais a música. Talvez no fim das contas, demore um tempo para se perceber que é somente a música que importa. Agora nesse sentido parece como há dez anos atrás, é tudo divertido, deixe o resto com a gravadora. Se eles fazem um bom trabalho ou não, bem, isso não é problema meu. Pelo menos eu posso gravar meus álbuns e tocar ao vivo, e isso é o principal pra mim.
Antonio: A única mulher da banda, a tecladista Riitta, saiu alguns meses atrás. Quais foram os motivos?
Mika: Ela teve um filho e começou a faculdade em 2007, então ela tinha que ficar em casa. Os pais dela moram muito longe e ela não tinha mais como sair em turnês e essas coisas. Talvez nós façamos alguns shows com ela, mas é pouco provável que ela continue como um membro da banda. O filho é sua prioridade número 1 agora.
Antonio: E como você se sente agora com tantas bandas de metal na Finlândia. Parece que um a cada três caras estão numa banda...
Mika: Sim, especialmente em Tampere. Todo mundo tem uma banda! Bem, eu realmente não estou pensando muito nisso. Claro que existem muitas outras bandas mas eu passei dessa fase. Não é mais uma questão de competição para mim. Eu estou fazendo meu trabalho e se alguém gosta ótimo, mas se alguém não gosta eu não me importo. Talvez isso se deva ao fato de eu não ser mais um iniciante, eu não tenho mais 20 anos (Mika tem 34 anos) então eu sei o meu lugar. Eu não preciso ser o típico rockeiro babaca, como eu vejo algumas pessoas.
Antonio: Quais são os próximos passos do Entwine? Eu sei que vocês vão tocar mais a Finlândia e em outros lugares, como a Rússia. E depois?
Mika: Existem planos de nós irmos aos EUA, eu não sei exatamente quando, mas eu espero que seja no outono. Nós estamos conversando sobre ir para a Espanha. Vamos ver o que vai acontecer. Nós estivemos em Moscou uma vez antes... e nós nos mantivemos bêbados durante três dias. Tivemos uma festa de lançamento e então pegamos um trem por 12 horas e quando nós chegamos, tivemos uma ressaca horrível. Eu dormi provavelmente 2 horas em 2 dias. Eu estava na merda! Desta vez eu acredito que vá ser um pouco mais tranqüilo que da última.
Perguntas e respostas:
Lugar preferido para tocar na Finlândia?
Qstock em Oulu no último verão, melhor show de todos os tempos na Finlândia.
Melhor show fora?
Em Barcelona ano passado nós tivemos um grande show! As pessoas começaram a gritar pedindo bis como se fosse uma platéia de jogo de futebol. Eu fiquei emocionado e muito perto de chorar.
Quem bebe mais na banda?
Hmm, acho q é o Aksu. Eu tento manter seu “bom” trabalho.
Hobbies?
Eu gosto de esportes. Jogo tênis, badminton e futebol. Mas eu tive problemas nas costas nos últimos anos.
Droga favorita?
Nada muito forte. Eu só curto coisas “naturais”, que crescem da terra...
Último disco que comprou (sem ser download)?
Eu nunca colecionei discos. Claro que eu amo música. Eu não lembro do último que eu comprei, mas o primeiro foi o Yngwie Malmsteen´s Rising Force. Esse disco é fabuloso!