Jimi Jamison é um dos cantores mais aclamados no cenário do rock mundial sendo respeitado por todos, não somente pelos fãs de AOR, estilo de Hard Rock no qual Jimi se encontra muito bem inserido como referência para uma geração inteira. Em 39 anos de carreira sólida é quase impossível contar quantas músicas ele já compôs e gravou.
Um pequeno exemplo apenas para incluir os fãs de rock que não viveram os anos 80 e nem o começo dos 90 ativamente, são as músicas até hoje hits “Eye of the Tiger” e “Burning Heart”, ambas temas dos filmes da série de longas ROCKY. Jimi acabou de lançar seu último álbum chamado CROSSROADS MOMENT, no dia 8 de abril, e está em fase de marcar shows para sua próxima tour esperada para ser mundial. Hard Blast entrevistou Jimi Jamison e é uma gande honra para nós ter um artista deste nível presente em nossa página dividindo com os leitores um pouco de sua história de vida, experiências, preocupações, dando conselhos aos que já começaram e aos que gostariam de seguir os passos de um verdadeiro rockstar.
Senhoras e senhores com vocês, Mr. Jimi Jamison!!!
Curtam e stay rock!
Maila-Kaarina: Você deu início a sua carreira em 1970, 39 anos de trabalho sólido se passaram e você sempre se manteve fiel ao Hard Rock AOR. Sempre foi seu objetivo ser um cantor de rock ou isso é algo que apenas aconteceu?
Jimi Jamison: Na verdade eu comecei cantando soul music ou R&B, como o estilo é chamado hoje em dia. Tendo crescido em Memphis ( o lar da ) Stax Music, influenciado por Wilson Pickett, Otis Reding, Sam & Dave e muitos outros artistas, acredito que esta foi uma forma natural de se começar. Eu entrei para o meio do rock quando decidi colocar um guitarrista chamado Bob Horn no grupo. Ele nos transformou numa banda chamada Deep Purple…Cara...todo o resto perdeu o sentido. Eu amei aquilo. Começamos a tocar música pesada e jamais olhamos para trás, por isso acredito que foi algo que simplesmente aconteceu.
Maila: Podemos dizer que “Eye of The Tiger” & “Burning Heart”, temas da série de filmes “Rocky” são algumas das músicas que tornaram você parte da história da música? Survivor foi uma grande banda com muita coisa escrita. Você poderia nos contar algum momento seu junto com eles que tenha sido perfeito e inesquecível nos anos 80?
Jamison: Sim, os filmes do Rocky nos puseram definitivamente no mapa, mas o que nos colocou realmente na mente das pessoas foi o lançamento de “Vital Signs” que não teve nada a ver com cinema. Gravamos muitos vídeos para as músicas deste álbum e algo que eu jamais me esquecerei é do vídeo de “I Can´t Hold Back” chegando a primeira posição na MTV e ficando lá por várias semanas. Este vídeo fez mais por nós do que qualquer filme. Os filmes do Rocky são mais lembrados porque continuam passando muito até hoje.
Maila: Muitos anos se passaram e você continua a ser uma dos vocalistas mais aclamados do mundo. Como você mantém a voz em forma?
Jamison: Eu tento não abusar quando sei que vou cantar. Quando digo “abusar” eu falo de bebida alcoólica. Eu costumava beber para relaxar antes de subir ao palco. Mais tarde eu percebi que quando eu bebia meu cérebro descansava e, de repente, eu começava a não mais cantar, porém a gritar. Também descobri a importância do aquecimento vocal antes de cantar, isso é algo que recomendo a todos os cantores.
Maila: Qual foi o melhor momento de sua carreira até agora?
Jamison: Eu estava tocando em um clube em Memphis quando um mensageiro foi enviado lá especialmente para me convidar para ir casa de músico famoso…. A mensagem havia sido enviada por Elvis Presley! Ele queria que eu fosse imediatamente a sua casa, mas eu não fui porque estava no meio do show.
Maila: Você tocou no Rio de Janeiro 2 anos atrás e estava muito doente no dia do show. A banda Tempestt, de São Paulo foi sua banda de apoio e mesmo estando afônico e rouco, seu carisma prendeu o público que foi perfeitamente capaz de entender que havia algo errado contigo. Os caras da Tempestt fizeram um excelente trabalho apoiando você. Há algo que você gostaria de dizer a respeito daquele dia? Explicar o que aconteceu e como você se sentiu?
Jamison: Tempestt… que caras legais e que músicos fantásticos! Eu quase nunca fico doente mas algo aconteceu e eu peguei uma virose que fez minha voz simplesmente desaparecer. Durante um dia inteiro e não consegui nem mesmo produzir sons. Eu fiquei muito frustrado e preocupado com o que as pessoas pensariam de mim no Brasil e acho que isso piorou a situação ainda mais.
BJ, vocalista da Tempestt me ajudou muito porque ele realmente me cobriu durante o show, além de me dar um “líquido mágico” que ajudou minha voz a voltar no dia do último show
Maila: Você pretende voltar e fazer um show especial para nós? Alguma data marcada?
Jamison: Não tenho datas planejadas ainda mas adoraria voltar ao Brasil. Eu adoro tocar aí, seria ótimo especialmente agora que tenho um cd novo recentemente lançado. Adoraria tocar algumas das músicas ao vivo.
Maila: No dia 8 de abril deste ano você lançou CROSSROADS MOMENT, por favor, fale um pouco sobre a produção, o processo de composição e sobre o álbum em si.
Jamison: Eu já havia sido contatado pela Frontiers Records várias vezes mas não estava no clima certo para compor um álbum. Até que finalmente eu disse “sim, eu quero fazer isso!”
O engraçado é que quando Jim Peterik e eu começamos a escrever para o cd eu não conseguia encontrar motivação suficiente para terminar nenhuma música. Então, Jim e eu resolvemos nos sentar para conversar a respeito do que estava acontecendo em minha vida, sobre minhas preocupações a respeito do mundo de hoje e ele simplesmente escreveu músicas através de minha visão …. Todas as coisas (naquele momento) que eu não estava conseguindo expressar através de palavras.
Em relação ao vocal acho que tudo ficou muito bom e acredito neste como sendo meu melhor trabalho até agora.
Maila: Qual a formação?
Jimi Jamison – vocal principal & backing vocals
Ed Breckenfeld - bateria
Klem Hayes – baixo
Jim Peterik – guitarras, teclados, backing vocals
Tommy Denander – guitarra em “Battersea”
Mike Aquino- guitarras
Joel Hoekstra - guitarras
Christian Cullen - teclados
Jeff Lanz - teclados
Don Barnes, Mike Reno, Mickey Thomas, Dave Bickler, Joe Lynn Turner – Backing Vocals (em "When Rock Was King")
Bill Syniar - baixo (em "Make Me A Believer")
Maila: Além de músico você é membro do comitê especial do Grammy Awards, que tipo de trabalho você realiza no comitê do Grammy?
Jamison: Minha responsabilidade no comitê é a de colocar as músicas indicadas na categoria certa e até mesmo, coisa que já fizemos, criar categorias novas quando isso for necessário.
Maila: As pessoas têm diversas razões para admirar seu trabalho e você é um dos poucos artistas de quem jamais li absolutamente nada negativo em lugar algum. Qual o principal segredo para conseguir manter sua carreira em um nível tão bom e ser tão respeitado?
Jamison: Como cantor sempre acreditei em perseverança e em ser o melhor possível, mas também acredito que é importante ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo, a serem o melhor que podem. Há diversas formas de se fazer isto. Artistas muitas vezes não percebem o tipo de efeito que eles podem causar nos que ainda estão construindo suas carreiras. Apenas mostrar respeito a alguém quando ele está se apresentando pode surtir um efeito enorme naquela pessoa.
Maila: Você também trabalha fazendo caridade para diversas instituições. Fale um pouco sobre como isso funciona e como é possível para outras pessoas fazerem o mesmo.
Jamison: Há muito tempo sou associado a muitas instituições. Minha filiação não significa que fico sentado em um escritório cuidando disso. O que eu faço é me apresentar para levantar fundos ou fazer aparições públicas em eventos como torneios de golf, jogando com líderes de empresas, como se fosse uma espécie de privilégio pela contribuição deles. É muito fácil se envolver nisso. Você precisa apenas escolher o tipo de caridade na qual quer atuar, ligar para a instituição, dizer a eles o que você tem a oferecer e peguntar “como eu posso ajudar”?... Eles certamente ficarão felizes em dizer exatamente o que você poderia fazer e normalmente eles mesmos organizam um evento para encaixar você em troca de um pouco de tempo e talento.
Maila: Você já começou a tour do novo álbum? Pretende viajar o mundo?
Jamison: Eu não comecei a tour nos EUA ainda, mas tenho conversado com muitos produtores no Reino Unido. Alemanha, Espanha e França.
Maila: Você pretende viajar com sua própria banda ou vai continuar com esquema de 'bandas de apoio locais” como você fez durante sua tour pelo Brasil? É muito difícil tocar com bandas diferentes várias vezes por ano?
Jamison: Se a banda com quem você vai tocar for boa, se os caras forem legais, não tem como ser difícil. Tem sido assim comigo até agora.
Maila: Dentre todas as coisas que você gravou até hoje, qual seria o seu top 5?
Jamison: Across The Miles, Man Against The World, Rebel Son, Crossroads Moment, As Is
Maila: E qual o top 5 de sua playlist geral?
Jamison: Crossroads Moment, Friends We've Never Met, I Can't Hold Back, High On You, The Search Is Over
Maila: Qual a sua opinião a respeito do mercado hoje em dia? Apesar de ser muito fácil usar os artifícios da comunicação se promover, a internet, que é a maior fonte que temos, por conta da possibilidade de gerenciar tudo de uma escrivaninha com um computador fez com que vender cds se tornasse muito mais difícil. A indústria vêm investindo pouco nos artistas de uma forma geral e marcar shows acabou se tornando mais complicado ainda por conta disso tudo. Deixando de lado as questões de fama e fortuna, você acha que os anos 80 foram melhores? Você sente saudade desta época como músico e fã ou acha que as coisas estão tranqüilas como estão hoje em dia? O que se perdeu?
Jamison: Todos têm que aprender a aceitar e a lidar com a situação de hoje em dia na indústria musical e não há muito que possamos fazer a este respeito. Eu acho a internet um excelente canal para quase todos os tipos de música….. talvez até um pouco demais. Há uma vasta gama de opções e é impossível para um fã escutar tudo o que está ali. Por isso muitos grandes artistas acabam sendo ignorados. Hoje em dia, se você tem alguma grana e consegue aparecer na TV você pode ficar famoso da noite para o dia sem ter que dar com a cara na porta da industria musical.
Maila: Fale um pouco sobre sua vida em família. Seus filhos são músicos?
Jamison: Eu tenho 3 filhos - Amy, James Michael e Lacy. Eles são maravilhosos.…Eu não poderia ter tido filhos melhores.
Todos os 3 vêm fazendo muitos trabalhos na área de jingles/comerciais. Amy e Lacy são cantoras e compositoras que estão ficando melhores a cada dia.
Maila: Que conselhos você daria para aqueles que desejam seguir seus passos?
Jamison: O melhor conselho que posso dar é para que sejam persistentes. Continuem a fazer o que fazem, pois no futuro você será tão bom nisso que seu trabalho não poderá ser recusado.
Maila: Algum conselho especial para os vocalistas?
Jamison: Façam exercícios, mantenham a forma e evitem beber quando forem cantar.
Maila: Qual o grande segredo para nunca deixar de acreditar em uma paixão e para que ela nunca acabe?
Jamison: Não acredito que haja segredos. Ou você sente isso ou não sente. Se você sente, isso jamais te deixará mesmo que as vezes você tente parar.
Maila: Por favor, deixe uma mensagem para os seus fãs!
Jamison: Para todos os meus maravilhosos fãs/amigos – Muito obrigada por escutarem minha música e, por favor, mostrem meu trabalho a seus amigos se isso for possível. Vocês são os melhores!