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Entrevista com Marcelo Barbosa – Almah – Power Metal - Brasil

Por: Maila-Kaarina

foto: Raphael Herzog

 

Marcelo Barbosa, guitarrista de duas grandes bandas de nosso país, a power metal ALMAH, de Edu Falaschi e a prog metal KHALLICE, é um dos músicos mais conceituados do momento. Além de grande artista, o guitarrista brasiliense também é um empresário empreendedor, fundador do GTR, escola de música cuja metodologia foi desenvolvida por ele próprio e que vem crescendo a cada dia, já tendo se tornado uma franquia com três filiais no Distrito Federal e muita possibilidade de expansão. Seu currículo impecável conta com uma bolsa de estudos na Berklee College Of Music - simplesmente a mais conceituada de todas as faculdades de música - para a qual foi selecionado entre 400 concorrentes de todas as partes do mundo - e professores como Greg Howe. Workaholic assumido,  além de suas bandas autorais e uma cover, Marcelo ainda está trabalhando na realização de um álbum solo instrumental, no projeto de uma série de vídeos para o Youtube chamada “Guitarrosofia”, que acaba de ter as duas primeiras partes disponibilizadas veja aqui ,
além de inúmeros projetos didáticos.
Quer mais? Pois bem...

 
 

O músico ainda encontra tempo para a prática do Taekowdo e da corrida (Sim! Ele pretende correr maratonas...),um curso de vinhos e para ir ao cinema.
Logicamente depois de conhecer um músico com tanta personalidade e história, não poderia deixá-lo de fora do Hard Blast.
Espero que curtam a entrevista e que prestigiem seus trabalhos.
Stay Rock!

ACESSE OS LINKS E SAIBA MAIS!
www.marcelobarbosa.com.br
www.almah.com.br
www.khallice.com.br
www.gtr.com.br
www.myspace.com/almahedufalaschi
www.myspace.com/marcelobarbosagtr
http://www.marcelogtr-eng.blogspot.com/
http://marcelogtr.blogspot.com/2009/08/novos-videos.html#links

Maila-Kaarina: Quem lê sua biografia certamente se impressiona com a quantidade de atividades as quais você se dedica. São 3 bandas, um projeto instrumental e uma escola de música. Como você lida com tantos trabalhos simultâneos sem que haja choques?

Marcelo Barbosa: Pois é, acho que talvez eu seja hiper-ativo ou coisa assim...Rs. Paralelamente aos projetos que você citou me dedico muito a projetos didáticos. Estou gravando alguns vídeos para o Youtube que farão parte de um DVD. É uma série que se chama “Guitarosofia” e os dois primeiros vídeos já estão disponibilizados pelo endereço http://marcelogtr.blogspot.com/2009/08/novos-videos.html#links . Com certeza em alguns momentos choques acontecem, mas a gente tem que ter jogo de cintura e conseguir contornar as situações. Gosto muito de tudo que faço e seria uma grande dor ter que abrir mão de qualquer um dos projetos. É natural que em algum momento isso precise acontecer, mas enquanto não acontece vamos levando como dá.

Maila: Você deve ser além de workaholic, extremamente organizado...estou certa?

Marcelo: Para algumas coisas sim, já pra outras sou um total desastre. Tenho uma certa dificuldade em cumprir prazos e por isso tenho desenvolvido o hábito de pedir prazos maiores. Tento manter tudo organizado, mas faço tanta coisa que se eu for realmente me preocupar com isso em todos os âmbitos fico louco. A verdade é que mesmo dentro de uma aparente desorganização tenho o meu método. Muitas vezes se alguém arruma a minha mesa fico perdido e não sei mais onde tá nada. Todo mundo sabe que não é pra mexer. Em termos artísticos, acredito que muitas grandes idéias nascem do caos. Em momentos de profundo desequilíbrio e desorganização muita coisa boa pode ser produzida. Basta a pessoa ter um mínimo de sobriedade pra tirar proveito daquela situação.

Maila: Dentre suas bandas, o Almah, projeto iniciado por Edu Falaschi do Angra, é o que mais vemos na mídia. É a sua prioridade?

Marcelo: Atualmente sim. Investimos muito tempo e energia neste projeto e devido ao fato do Edu e do Felipe Andreoli tocarem na banda, conquistamos rapidamente um certo espaço. Isso é uma coisa que não podemos simplesmente ignorar. Ninguém vai plantar laranja se está na época de maçãs. Mas isso não quer dizer que os outros projetos estão parados. Eu apenas tive que readaptar a minha vida para essa realidade relativamente nova.

Maila: Como vocês conseguem manter o entrosamento, visto que exceto por Edu e Felipe, que vivem em SP, todos os demais membros vivem em estados diferentes?

Marcelo: Graças a Deus temos um bom relacionamento. É claro que em qualquer grupo, seja ele musical ou não, existem pessoas com as quais temos mais afinidade. Tenho um contato freqüente com o Edu e falo bastante com o Felipe também. Adoro o Paulo e o Moreira, mas muitas vezes passamos algum tempo sem ter contato porque além de morarmos longe, cada um tem uma vida muito diferente do outro. Mesmo assim, sempre que nos encontramos é super gostoso e divertido. Conseguimos nesta banda uma química e uma sinergia bem bacana. Espero que isso continue assim por um bom tempo.

Maila: Um dos pontos musicais mais fortes do Almah, em minha opinião, é o seu entrosamento com o outro guitarrista, Paulo Schroeber. Não há um guitarrista solo e tudo é perfeitamente dividido entre vocês. O resultado é um encaixe perfeito, fato raro em bandas de metal melódico. Este entrosamento foi algo natural ou já fazia parte do projeto e vocês tiveram de se adaptar mecanicamente?

Marcelo: Apesar desta ser uma premissa no trabalho, este entrosamento aconteceu muito naturalmente. O Paulo, além de exímio guitarrista, é um cara super gente fina e tranqüilo e temos grande admiração um pelo outro. Acho que isso facilitou muito o convívio e a divisão de tarefas. O interessante é que nos conhecemos pouco tempo antes da gravação do CD e mesmo assim conseguimos rapidamente definir uma linguagem musical e guitarristica interessante para este trabalho.

Maila: Falando de seus outros projetos, em seu site li que este ano você pretende lançar um disco solo instrumental. Vai acontecer? Fale um pouco sobre como está ou como foi o processo de composição e gravação. Já há participações definidas?

Marcelo: A idéia é essa. Mas como você mesma disse, são muitos os projetos... Tenho composto as músicas aos poucos e pretendo registrá-lo, inicialmente, aqui em Brasília mesmo. Ainda não defini totalmente participações porque prefiro ter todas as músicas prontas para, aí sim, escolher de acordo com o perfil do CD as pessoas que tocarão as músicas.

Maila: E suas outras bandas, Khallice e Zero 10? Algum projeto em andamento?

Marcelo: A Zero10 é um projeto de amigos que gostam de tocar e se encontram sempre pra fazer isso. Apesar de ser uma banda essencialmente cover é o trabalho com o qual tenho uma maior freqüência de shows. Tocamos todas as semanas do ano ao menos uma vez. Dependendo da época, isso pode chegar a três ou quatro shows na mesma semana. Gravamos um CD autoral há uns anos, mas acabamos decidindo focar a banda mais no perfil cover, já que todos os integrantes tinham outras bandas com trabalho autoral em andamento. É uma puta diversão além de um bom complemento de renda pra todos nós. O Khallice é uma banda de prog metal que tem um CD, um EP e diversas coletâneas gravadas, Conseguimos um bom espaço na cena local e também na nacional tocando em grandes festivais e diversas cidades do Brasil. Estamos trabalhando para finalizar o nosso segundo CD que deve ser concluído ainda no segundo semestre. Estamos fazendo um show no qual tocamos uma hora de músicas próprias e o Images and Words do Dream Theater inteiro. É uma puta curtição, já que todos curtimos muito este CD na adolescência.

Maila: Além das bandas você também é empresário e administra sua própria escola de música, o GTR, que atualmente é uma das referências do país no ensino da guitarra. O método foi desenvolvido por você mesmo e a escola hoje em dia é uma franquia com 3 filiais no Distrito Federal. Você pretende expandir  para outros estados?Já há propostas ou projetos em andamento?

Marcelo: Sim. Sempre me procuram pedindo informações de como abrir um GTR em outras cidade e estados. Agora mesmo existe uma negociação com uma cidade bem grande, mas prefiro não comentar antes de se concretizar. A principal idéia é levar um ensino de música sério, personalizado e de qualidade acima da média para onde quer que exista alguém querendo aprender a tocar um instrumento.

Maila: Com tantas atividades, você ainda encontra tempo para hobbies e diversão? O que curte fazer em seu tempo livre?

Marcelo: Tenho que encontrar né? Também faz parte da vida. Adoro trabalhar com música, então de qualquer forma me divirto muito trabalhando em muitos momentos. Fora isso, sou cinéfilo então estou sempre procurando um bom filme para assistir. Gosto de ler, mas o faço mais em viagens ou em momentos de espera. E por último, mas não menos importante, atividades físicas. Treino taekowndo há mais de 15 anos e atualmente tenho treinado correr. Gostaria de em algum tempo estar preparado para correr uma meia maratona, por exemplo, e quem sabe algum dia até uma inteira. Tenho interesse por vinhos também e atualmente estou fazendo um curso para aprender um pouco mais sobre o assunto.

Maila: Na hora de escutar um som, o que rola em seu I-pod?

Marcelo: O meu I-Pod é a verdadeira “casa-da-mãe-Joana”.Tem de tudo. Gosto muito de progressivo então sempre tem Rush, Yes, DT e afins. Curto rock setentista como Led, Deep Purple, Hendrix, Aerosmith e mais pra década de oitenta e noventa, Van Halen, Queen, Nine Inch Nails por exemplo. Isso na área do rock, pois ouço muito fusion, jazz e outros tipos de música instrumental. Atualmente tenho ouvido bastante uma banda chamada Jellyfish, um pop/rock de extrema qualidade que me soa como uma mistura de Beatles e Supertramp mas com muita personalidade. A banda é antiga, mas descobri esse ano por indicação de um amigo. E também o All the Right Reasons do Nickelback, que além de boas canções tem um som de guitarra absurdo de bom. E o Death Magnetic do Metallica.

Maila: Se por um dia você tivesse poder para mudar o que quisesse no       mundo em relação a música, qual seria sua primeira atitude e por quê?

Marcelo: Eu implementaria a obrigatoriedade do ensino da música em todos os colégios do mundo. Acho que um povo musicalizado é um povo mais sensível, mais inteligente. Nietzsche já dizia: “Sem música a vida seria um erro”.  Acredito que todas as formas de expressão artística tenham o seu valor, mas, sem querer soar partidário aqui, não haveria a dança sem a música. Tenho conhecimento que muitos pintores pintam ao som de seus principais compositores em busca de inspiração. É comum ouvir o mesmo relato vindo dos escritores. Existem estudos que dizem que crianças que ouvem música erudita enquanto bebês tem maior facilidade com matérias exatas como matemática. (todos que já estudaram teoria musical sabem, coincidência ou não, música e matemática têm tudo a ver).

Maila: Qual o músico seria um sonho para você conhecer e por quê?

Marcelo: Não tenho o sonho de conhecer nenhum grande músico. Nunca tive. Sempre fui mais de admirar a obra do que a pessoa em si. Muitos dos músicos que admiro já tive a oportunidade de conhecer e trocar uma idéia. De qualquer forma acho que seria bacana poder bater um papo com o Neil Peart do Rush. 

Maila: O que você perguntaria a ele?

Marcelo: Já que é um sonho, será que eu poderia assistir a um show do Rush sentado ali pertinho da batera dele?
 

Maila: Quais o 5 passos principais a serem dados para os que pretendem ser guitarristas como você?

Marcelo: Nunca pensei nisso desta maneira. Vamos ver o que posso fazer. O primeiro seria se musicalizar. Conhecer mais sobre música, aprender a ouvir música e pesquisar as referências. Segundo: aprender. Pode ser através de um bom professor, uma boa escola ou sozinho se você achar melhor. Cada um deve escolher o que é melhor pra si. Terceiro: Tocar com outras pessoas. Não adianta você tocar super bem apenas para a parede do seu quarto. O relacionamento com outros músicos em situações musicais distintas é essencial para o desenvolvimento de qualquer um. Quarto: seja profissional. Não é porque você escolheu trabalhar com arte que você não é um profissional. Veja a sua carreira como um emprego e trate-a com a mesma importância. E por último, não pare de pesquisar e estudar. Um profissional que não se recicla perde a chance de estar sempre criando algo novo e inventivo. Ninguém é tão bom que não tenha nada pra aprender.

Maila: Uma mensagem aos leitores, por favor.

Marcelo: Não desistam dos seus objetivos mesmo quando eles parecerem inalcançáveis. Sonhar faz parte da vida e é combustível pra alma. Quem passa o tempo todo com os dois pés fincados no chão perde de curtir a maravilha que é poder voar.
Não sonhe demais, trabalhe duro para concretizar seus sonhos. Apenas sonhar não realiza nada e ninguém vai trabalhar por você.

Acho que é isso...
Um grande abraço a todos!

 
     
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