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MUSTH – METAL - NORUEGA

 

Por: Maila-Kaarina

Fotos: - myspace.com/musthmusic
 

Você associa a Noruega apenas ao black metal quando o assunto é rock? Caso o faça, mude seus conceitos porque não é o que você irá escutar se a banda for MUSTH. Estes 5 jovens noruegueses tocam metal, porém de uma forma totalmente não convencional. Sua música, denominada Schizometal – algo tipo “metal esquizofrênico” - é MUITO BOA e resgata influências que dificilmente vemos hoje em dia nas bandas novas. Algumas delas? Frank Zappa, Faith no More, Mr. Bungle e por aí vai.

Uns meses atrás eles enviaram ao Hard Blast seu material promocional contendo também um EP homônimo com 4 faixas. Na capa, a foto descontraída e criativa os mostra casualmente vestidos usando máscaras de animais. Os rapazes da banda MUSTH,  Paal  Saure (vocais), Oyvind Bjorbaekmo (baixo), Ola Haakon Svendsen (guitarra), Erik Lindberg (guitarra) e Christian Berg (bateria), investem na criatividade  para tudo o que fazem desde o figurino a cada acorde tocado. Musth é a banda com a proposta mais interessante que escutei nos últimos meses. Considere-os como sendo a sugestão do Hard Blast para todos os que anseiam pela diferença e por uma música audaciosa no cenário metal atual.

Para conhecê-los melhor, leia a entrevista abaixo e não deixe de visitar a página deles no myspace: www.myspace.com/musthmusic

Espero que vocês curtam.
Stay rock e escute Musth!

 

Must

 

Maila: Sua música foi definida como “schizometal”, o que me parece interessante devido a variedade de elementos que vocês procuram inserir nas composições. Vocês foram capazes de fazer isso sem perder o foco nas raízes do rock ´n roll e do metal. Como este “schizometal” aconteceu e como vocês fizeram para não perder a identidade no meio de tanta mistura?

Musth: Eu diria que somos uma banda de metal acima de tudo. O metal é a grande fundação de todas as nossas músicas. As outras partes estão lá para que possamos mostrar outras referências e para tornar nossa música interessante. Já existem várias bandas boas tocando metal da forma tradicional e direta, bandas que nós respeitamos muito, por isso, já que o gênero se encontra muito bem representado, acho que podemos tentar fazer algo diferente. Na verdade nós nunca planejamos o “schizometal”, apenas desde o início optamos por fazer música sem regras. Todos nós apreciamos diferentes aspectos na música; a energia, o feeling, o senso de humor, apenas para mencionar alguns exemplos, então, tentamos incluir todos estes aspectos sempre que compomos.

Maila: Ao escutar o som de vocês podemos fazer rapidamente uma conexão com thrash metal e Frank Zappa, mas há muito de Mr. Bungle, Faith no More, alguns projetos de Mike Patton. Poderíamos dizer que ele é sua maior influência?

Musth: Não escondemos que há sim a influência de Mike em muitas de nossas músicas, mas somos 5 indivíduos na banda e dizer que todo o trabalho é inspirado por apenas um homem ou uma banda não seria correto. Acho que a razão pela qual soamos tão diferentes das outras bandas é porque cada um de nós escuta coisas diferentes. Enquanto Ola é um grande fã de “stoner”, Pål prefere hardcore e por aí vai...

Maila: Optar pelo rock é um caminho difícil em qualquer lugar do mundo. Escolher um estilo com tantos elementos não convencionais e compor músicas longas (em média 6 minutos) coloca vocês em um caminho não comercial. O que os faz acreditar nesta estratégia?

Musth: Eu acho que se estivéssemos nessa pelo dinheiro, seria melhor fazer rap ou dance music ;) Isso é o que na verdade vem fazendo sucesso na Noruega atualmente. Pode parecer chocante, eu sei!!!
Para nós isso é mais como uma “paixão sem fins lucrativos” e nos sentimos muito bem assim porque não há nada que precise nos fazer parar. Além disso, acreditamos que muito em breve o mundo sentirá necessidade de buscar pelo novo.

Maila: Sua página no myspace é muito popular (mais de 56411 visitas). Vocês investiram num layout bem criativo com fotos engraçadas e audaciosas. Realmente isso combina com o estilo de vocês. Juntando todos estes elementos, como vocês se definem como músicos e como uma banda, pessoalmente?

Musth: Um coisa que aprendemos durante os anos, das duas formas, como ouvintes e como músicos, é que uma banda não é apenas a música que toca. Existe todo um pacote que deve ser coberto. Imagem vem se tornando a cada dia mais importante. Sei que nem sempre isso é bom, mas por outro lado, isso nos força a buscar criatividade. Muitas vezes isso nos força a ser originais e acho que o objetivo de cada músico é criar algo que pelo menos mil pessoas não tenham criado antes dele. Isso se tornará um problema apenas se a importância da imagem chegar a um ponto em que a banda seja forçada a mudar seu perfil, sua personalidade. Temos que ser abertos para tudo quando fazemos música, especialmente em nosso gênero, pois nunca sabemos onde vamos parar quando começamos a compor uma música :)

Maila: Num show ao vivo, como vocês se mostram ao público e como esperam ser vistos por ele?

Musth: Mostramos energia e música foda!
Enquanto as pessoas estiverem gostando, todos podem fazer o que bem entender. Já tocamos em lugares onde as pessoas ficavam sentadas apenas observando enquanto nós ficávamos pulando em cima de suas mesas  e tentado levar o lugar abaixo, e já tocamos em lugares onde o público nos correspondeu agindo como nós. Você nunca sabe como as pessoas irão te responder por isso, temos que dar a elas tudo o que for possível. Claro que quando a galera ajuda a levar o lugar abaixo é sempre muito melhor...

 
Must
 

Maila: Vocês cuidam de sua própria produção e empresariamento. Existe interesse por parte de vocês em assinar um contrato ou de ter alguém promovendo o trabalho ou é uma opção da banda fazer isso por conta própria?

Musth: Tem sido interessante cuidar de todo o empresariamento por conta própria, pois aprendemos muito, não teríamos conseguido existir sem fazer isso. Mas como a maioria dos artistas, sabemos que seria muito bom para nós ter alguém cuidando disso para que pudéssemos focar apenas em fazer música e tocar, pois é aí que está a nossa paixão. Outro fator é que este é um negócio que gira muito em torno de quem você conhece. Ter alguém com uma boa equipe e bons contatos nos ajudando seria definitivamente algo bom.
 
Maila: Em seu kit para a imprensa podemos ler resenhas muito boas feitas por revistas especializadas e sites que falam sobre o trabalho da Musth. Diversas vezes a performance ao vivo de vocês é descrita como impressionante e perfeita, então por favor, descreva um show da Musth.

Musth: Quando você toca ao vivo você se conecta com o público de maneira muito mais direta do que quando eles apenas escutam seu CD. As pessoas nos olham e nós olhamos para elas e daí em diante cabe a nós empolgá-las com a nossa performance. De nós você pode esperar figurinos loucos, músicas de introdução totalmente inusitadas e MUITA energia. A única coisa que podemos realmente prometer é que nós vamos suar, berrar e sangrar por vocês. Estamos no momento fazendo um vídeo ao vivo de um show que fizemos na cidade de Trondheim. Esperamos que vocês curtam. Postaremos ele em nossa página do myspace assim que estiver pronto.

Maila: Qual foi o acontecimento mais importante para a banda até agora?

Musth: Isso é difícil de dizer. Já tocamos com muitas bandas excelentes, algumas delas maiores que nós, outras menores. A banda internacional mais famosa com que já tocamos foi “Genghis Tron”, foi um show muito importante, pois nos colocou na posição de “uma das maiores revelações do metal norueguês”. Mas também quando dividimos as gigs com bandas amigas como “Miksha”, “When Smoke Sets” ou “Amira”, é tudo sempre tão divertido, somos capazes de ficar bebendo e zoando até o dia amanhecer.

Maila: Quais os seus planos para o futuro próximo? Alguma tour em vista?

Musth: Não faremos nenhuma tour grande neste verão. Temos alguns shows marcados, mas nada realmente grande. Estamos trabalhando em novas composições e planejamos gravar no outono, por isso teremos que fazer a pre-produção durante o verão. Cada um de nós está empolgado e muito ansioso para fazer com que vocês, os que não tem como assistir a um show nosso agora, possam escutar a nossa música. Temos muitos planos, mas na hora certa contaremos a vocês.

Maila: O cenário musical da noruega é pouco conhecido por nós. No que diz respeito a metal, vocês são conhecidos como a “terra do balck metal” e a única banda conhecida daí por aqui é o A-HA (no Brasil eles ainda se mantém grandes).  Vocês poderiam fazer um pequeno resumo do cenário musical geral norueguês? Vocês são respeitados como músicos?

Musth: He he, felizmente não somos influenciados pelas melodias pegajosas do A-HA. A cultura musical norueguesa é muito sem vida e um bom exemplo disso é que o artista que no momento vende mais discos aqui é o vencedor do concurso Eurovision, mas as coisas vêm melhorando. Nós temos muito orgulho do fato de o black metal da Noruega ser tão importante para o cenário metal mundial. Mesmo tendo poucas bandas de rock/metal famosas aqui, a cultura underground é muito boa! Há muitas bandas excelentes que poderiam facilmente ser equiparadas aos grandes artistas internacionais. Acreditamos que em breve o mundo irá experimentar a ascensão do metal da Noruega. :)

 
 

Maila: Se vocês pudessem escolher duas bandas para fazer uma tour juntos, quais seriam elas e por quê?

Musth: Ooooohhh. Você está tentando nos fazer brigar? Acho que cada um de nós teria uma resposta diferente a esta pergunta. Bom, digamos que fazer uma tour com uma banda grande e conhecida seria muito bom para nós, mas acredito que não seria a coisa mais importante de todas no momento atual. Nós escolheríamos uma banda conhecida e outra importante para nós aqui da Noruega: Faith no More, porque escutamos sua música desde pirralhos e fazer um show com eles seria louco, e a outra banda seria Miksha, pois além de serem nossos grandes amigos, nós amamos sua música e ninguém é melhor do que eles para organizar uma “festa dos pelados” depois de um show.

Maila: Vocês vivem de música ou têm outras profissões?

Musth: Gleffa, nosso baixista e Ola, guitarrista, vivem de núsica. Eles dão aulas e trabalham como músicos freelancer. O resto de nós faz outras coisas para pagar as contas. Pål é barman, Christian é estudante e Bjorn-Are... hmmmm, não tenho idéia do que ele possa estar fazendo, mas normalmente o encontramos bêbado em algum bar.

Maila: E o que um roqueiro norueguês faz para se divertir?

Musth: Bem, podemos dizer apenas o que estes 5 noruegueses fazem. Dê-nos uma garrafa de bebida e tudo pode ser divertido. Mas no geral, compor, tocar, escutar música e beber, sempre com nossos melhores amigos.

Maila: Por favor, deixe uma mensagem aos leitores!

Musth: “Me so horney!” Escute Musth!
Agora falando sério...esperamos que vocês reservem um tempinho para conferir o nosso som e se deixarem um comentário em nossa página, ficaremos muito felizes e certamente mandaremos uma resposta.

Todo o nosso respeito ao cenário metal brasileiro! Esperamos ter a oportunidade de ir até aí, tocar para vocês e beber algumas cervejas juntos. Se cuidem e mantenham o metal real!

 
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