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Highest Dream – AOR do Rio de Janeiro
Por: Maila-Kaarina Riippa
Fotos: Virgínia Nuñez
 

O projeto carioca de AOR Highest Dream, liderado pelo músico Leo Mendes, respeitado tecladista carioca que já tocou com diversos artistas além de ter feito parte de uma das melhores bandas cover de AOR da cidade, a Hard Hits, conquistou agora, neste mês de março, uma importante vitória: um contrato com a gravadora britânica ESCAPE MUSIC.

 
Highest Dream
 

Contando com a parceria do vocalista Riq Ferris, seu parceiro nas composições deste trabalho, o Highest Dream se prepara para entrar em uma nova fase, na qual de acordo com o contrato, o selo investirá em divulgação e distribuição a nível mundial, dando ênfase aos mercados Europeu e  Japonês, onde o AOR se encontra em alta.

Entrevistamos Leo Mendes para saber um pouco mais a respeito do processo que levou o projeto a conquistar este espaço e para que possamos saber um pouco mais dos caminhos que músicos com trabalhos autorais devem trilhar para alcançar bons resultados.

Highest Dream está aí para mostrar o quão inusitado o mercado pode ser e que, “sonhar alto” pode valer a pena quando a competência e a qualidade são priorizadas, não nos deixando perder o foco.

Curtam a entrevista e confiram a banda em www.myspace.com/highestdream

Stay Rock!

 

Hard Blast: Como a idéia deste projeto tomou forma?

Leo Mendes:
Após certo período sem estar tão envolvido diretamente com a música, como eu costumava estar, senti a necessidade de retomar minhas atividades musicais.

Entrei em contato com o vocalista Riq Ferris, com quem eu trabalhei anteriormente em uma banda de covers, e fiz uma proposta a ele de criarmos um trabalho juntos.

Nós dois tínhamos idéias musicais em nossos acervos pessoais e, a partir disso, o trabalho foi tomando forma até chegar à sonoridade desejada.

 

HB: Como se deu o processo de composição e gravação? Foi rápido e de uma vez ou demorou?

LM: Bem, não foi tão rápido nem demorou décadas! Do início do processo à masterização final, levou cerca de 7 meses.

O primeiro passo foi determinar quantas e quais músicas entrariam no CD. Depois disso, foi a fase de pré-produção e arranjos. Essa fase foi a que levou um pouco mais de tempo, pois é onde se determina a sonoridade e a personalidade do trabalho, por isso é um pouco mais elaborada e deve se demandar mais tempo.

Depois foram as gravações de guitarras e vozes. Quanto às vozes, não houve problema e fluiu bem, mas quantos as guitarras... bem...por algumas questões que eu não vou entrar tanto em detalhes, senão seriam muitas páginas pra explicar, eu mesmo acabei gravando as guitarras bases todas assim como as programações de bateria e baixo e mais os violões. Mas no final, tanto o trabalho quanto a sonoridade acabou saindo satisfatória.

HB: O trabalho inicial do Highest Dream é totalmente independente. Quando vocês assinaram com a Escape Music já tinham o álbum pronto. Quem cuidou da produção executiva do projeto?

LM: O objetivo inicial era fazer uma pré-produção e depois reunir os demais músicos pra gravar. Mas acredito que todos que estão envolvidos com música sabem bem a dificuldade de se lançar um trabalho autoral quando não se tem um apoio financeiro por trás. Por esse motivo o projeto ficou centralizado apenas em mim e no Riq.
Mas durante a fase de produção, houve a necessidade de eu cuidar mais diretamente da questão executiva para que o trabalho tivesse continuidade e chegasse até a Escape Music, ou seja, a gravadora que fez o contrato com o Highest Dream. 

HB: Podemos considerar Highest Dream como um projeto liderado por Leo Mendes?

LM: Em relação às composições das músicas, o mérito é dividido proporcionalmente entre mim e o Riq, mas em relação às questões de direção musical e produção em geral, pode se dizer que sim.

HB: Você sempre foi tecladista, sempre tocou em trabalhos onde o principal viés de Leo Mendes era ser músico instrumentista. Como está sendo agora ser músico instrumentista e band leader?

LM:
Bem, na verdade eu não me considero exatamente um “band leader”, até porque isso me soa como algo “solo” e eu acredito que o objetivo alcançado até agora pelo Highest Dream se deu ao fato de ter tido a colaboração, talento e trabalho direto de todas as pessoas envolvidas.

Mas realmente a sensação é outra de se ter um trabalho autoral e tocar suas próprias músicas ao invés de apenas executar as de outros artistas.

 
Highest Dream - Far away from here

HB: Como se deu o contato entre o Highest Dream e a Escape Music?

LM: Assim que a fase de produção musical terminou, veio a fase da divulgação e dos contatos.

Eu investi bastante tempo e dinheiro enviando material e emails para sites, gravadoras, revistas e rádios virtuais pelo mundo todo. Mas o meu objetivo maior era atingir a Frontiers Records.

Cheguei a entrar em contato direto com o presidente da Frontiers e lhe enviei o CD.

Apesar dele ter dito que gostou do material, disse que não seria possível assinar conosco por estar com CDs para lançar até depois do verão de 2009. Mas disse que eu poderia assinar com uma gravadora de um grande amigo dele (Khalil Turk) chamada Escape Music, que é como se fosse uma “parceira” da Frontiers na Inglaterra.

 
Mesmo decepcionado e achando que a sugestão foi apenas uma maneira educada dele dizer “não gostei não”, resolvi entrar em contato com a Escape. Porém, para minha surpresa, antes mesmo de eu mandar um email para a Escape, Khalil me escreveu dizendo que havia escutado as músicas no Myspace, gostou muito e queria lançar o CD para março de 2009.

Desde então, a Escape encaminhou toda a parte gráfica do CD para o grande designer André Beckston, fez a prensagem pela Sony Music da Áustria e começou a divulgação pelo mundo todo.

HB: O que você espera desta parceria e o que nós, neste primeiro momento podemos esperar? Já há projetos em vista para shows, tour...?

LM: A divulgação do trabalho está sendo muito boa e acredito que muita coisa boa ainda está por vir.
Os ensaios irão começar agora no início de abril e iremos fazer um show de lançamento aqui no Rio. Temos propostas de fazer shows em parcerias com algumas bandas em São Paulo também, mas o mercado para esse estilo (AOR) é mais forte na Europa e Japão mesmo. Sendo assim, acredito que no meio de 2009 devam surgir propostas de shows lá fora por intermédio da própria Escape.

HB: Uma banda carioca com um trabalho de AOR, cantado em inglês, com uma sonoridade totalmente anos 80 soa bastante inusitado e quase que sem perspectiva, pelo menos é assim que muitos devem julgar. O que fez você deixar de lado este pensamento e os tabus que ele envolve para investir pessoalmente no trabalho?

LM: Infelizmente o AOR não é um estilo muito popular no Brasil, embora tenha muitos fãs espalhados aqui. Mas o objetivo realmente é o mercado lá de fora.
Mas na verdade mesmo, esse trabalho foi feito sem a intenção de agradar a mídia ou com pensamentos exclusivamente comerciais, ou seja, foi um trabalho feito para nós mesmos e para quem realmente gosta desse estilo. Foi apenas a materialização de todas as nossas influências musicais e da nossa verdade.
Acredito que por esse motivo é que as pessoas têm se identificado tanto com o trabalho.

HB: Vemos nitidamente influências de Survivor e Journey no som do Highest Dream. Mas além do Hard rock AOR, como compositor e instrumentista, que estilos e quais artistas te inspiram mais?

LM: Desde criança eu me identifiquei com esse estilo, até mesmo pelo fato de ter nascido nessa época. Mas eu também sempre gostei muito de Rock Progressivo e artistas como Rick Wakeman, Yes, Rush, Gênesis e Pink Floyd.

Como instrumentista, gosto de muita coisa de Jazz, Funk, Pop e Fusion, como Chick Korea e Eletric Band, Earth Wind and Fire, Oscar Peterson, Geoge Duke, Incognito, Bruce Hornsby e por aí vai.
E dos nacionais e sempre gostei muito de Roupa Nova e 14 Bis.

HB: Fale um pouco sobre a receptividade do trabalho por parte do público na internet.

LM: Foi até uma surpresa a grande receptividade das pessoas e principalmente do público no exterior.
Foram criados vários fóruns com comentários e críticas bem positivas a respeito do trabalho.
Muita gente aqui do Brasil também tem dado muita força pra gente, principalmente nas comunidades de AOR do Orkut e nas comunidades criadas pro Highest Dream.

HB: Vocês planejam tocar no Brasil, claro, mas o foco e o mercado lá de fora? Vocês sairiam do país para investir na banda? Sob que condições mínimas?

LM: Os primeiros shows vão acontecer por aqui mesmo no Rio e São Paulo e onde mais pintar convites. Mas, como foi falado antes, o mercado pro nosso som é lá fora mesmo. Têm muitos festivais que acontecem todo ano e o objetivo seria fazer parte deles.

Ninguém da banda é iniciante ou inexperiente, todos já são músicos “calejados” e não tem mais aquela ingenuidade de sair do país sem ter condições mínimas de bem-estar e conforto. Tocar lá fora é o nosso objetivo, mas comer marmita e dormir em rede...ta fora dos nossos planos!rs...

HB: Fale um pouco sobre os músicos que fizeram parte do projeto. Parceiros na composição, nos arranjos, instrumentistas...

LM: Quanto às composições, o Riq é meu único parceiro nelas. As suas músicas e idéias sempre foram de grande competência e qualidade. As letras são praticamente todas de autoria dele.

Os arranjos são de minha responsabilidade e foi muito prazeroso trabalhar nessas músicas, pois até então eu só fazia arranjos para outros artistas e pela primeira vez na minha carreira musical eu pude concentrar todas as minhas influências de uma maneira muito verdadeira e espontânea, por se tratar de um trabalho próprio e sem a obrigação de agradar o gosto cliente.
Quantos aos demais músicos, eu tive a honra de ter, além de excelentes profissionais, grandes amigos de longas datas fazendo parte do trabalho.
Gravaram as guitarras solo: Marcelo Nami, Marcio Loureiro e John Cassio. Além da participação especialíssima, na voz intro de “Not na Angel”, de Maila Kaarina.

HB: Para se obter um trabalho independente de qualidade, o que você considera crucial? Se pudesse enumerar o caminho com os 5 pontos mais importantes, quais seriam eles?

LM: Criar um trabalho de qualidade exige uma série de fatores, desde a criação das músicas até a masterização final.

Cada banda usa as “armas” que possui pra atingir o sucesso. No meu caso, eu tive que trabalhar da melhor maneira possível com o que eu tinha em mãos.

Mas pra compensar a falta de grandes recursos técnicos em estúdio, eu tive que primar pela criação dos arranjos, edição minuciosa das músicas, timbragem e programações.
Se for pra resumir em apenas 5 pontos, eu diria então:

  1. Qualidade das composições (músicas)
  2. Elaboração e criatividade nos arranjos
  3. Competência na execução das gravações
  4. Escolha dos melhores timbres dos instrumentos
  5. Edição minuciosa e detalhada de cada track

HB: Deixe uma mensagem para os leitores do Hard Blast.

LM: Espero que todos apreciem o nosso trabalho, pois foi feito de uma maneira muito verdadeira e com muita dedicação.

E vou deixar uma frase aqui que não é de minha autoria, mas eu a uso direto na vida e acho que ela representa exatamente o trabalho do Highest Dream:

“Imaginação é mais importante que conhecimento” (Albert Einstein)

Um grande abraço e muito obrigado pela força que todos têm nos dado até agora.

 
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