Mesmo decepcionado e achando que a sugestão foi apenas uma maneira educada dele dizer “não gostei não”, resolvi entrar em contato com a Escape. Porém, para minha surpresa, antes mesmo de eu mandar um email para a Escape, Khalil me escreveu dizendo que havia escutado as músicas no Myspace, gostou muito e queria lançar o CD para março de 2009.
Desde então, a Escape encaminhou toda a parte gráfica do CD para o grande designer André Beckston, fez a prensagem pela Sony Music da Áustria e começou a divulgação pelo mundo todo.
HB: O que você espera desta parceria e o que nós, neste primeiro momento podemos esperar? Já há projetos em vista para shows, tour...?
LM: A divulgação do trabalho está sendo muito boa e acredito que muita coisa boa ainda está por vir.
Os ensaios irão começar agora no início de abril e iremos fazer um show de lançamento aqui no Rio. Temos propostas de fazer shows em parcerias com algumas bandas em São Paulo também, mas o mercado para esse estilo (AOR) é mais forte na Europa e Japão mesmo. Sendo assim, acredito que no meio de 2009 devam surgir propostas de shows lá fora por intermédio da própria Escape.
HB: Uma banda carioca com um trabalho de AOR, cantado em inglês, com uma sonoridade totalmente anos 80 soa bastante inusitado e quase que sem perspectiva, pelo menos é assim que muitos devem julgar. O que fez você deixar de lado este pensamento e os tabus que ele envolve para investir pessoalmente no trabalho?
LM: Infelizmente o AOR não é um estilo muito popular no Brasil, embora tenha muitos fãs espalhados aqui. Mas o objetivo realmente é o mercado lá de fora.
Mas na verdade mesmo, esse trabalho foi feito sem a intenção de agradar a mídia ou com pensamentos exclusivamente comerciais, ou seja, foi um trabalho feito para nós mesmos e para quem realmente gosta desse estilo. Foi apenas a materialização de todas as nossas influências musicais e da nossa verdade.
Acredito que por esse motivo é que as pessoas têm se identificado tanto com o trabalho.
HB: Vemos nitidamente influências de Survivor e Journey no som do Highest Dream. Mas além do Hard rock AOR, como compositor e instrumentista, que estilos e quais artistas te inspiram mais?
LM: Desde criança eu me identifiquei com esse estilo, até mesmo pelo fato de ter nascido nessa época. Mas eu também sempre gostei muito de Rock Progressivo e artistas como Rick Wakeman, Yes, Rush, Gênesis e Pink Floyd.
Como instrumentista, gosto de muita coisa de Jazz, Funk, Pop e Fusion, como Chick Korea e Eletric Band, Earth Wind and Fire, Oscar Peterson, Geoge Duke, Incognito, Bruce Hornsby e por aí vai.
E dos nacionais e sempre gostei muito de Roupa Nova e 14 Bis.
HB: Fale um pouco sobre a receptividade do trabalho por parte do público na internet.
LM: Foi até uma surpresa a grande receptividade das pessoas e principalmente do público no exterior.
Foram criados vários fóruns com comentários e críticas bem positivas a respeito do trabalho.
Muita gente aqui do Brasil também tem dado muita força pra gente, principalmente nas comunidades de AOR do Orkut e nas comunidades criadas pro Highest Dream.
HB: Vocês planejam tocar no Brasil, claro, mas o foco e o mercado lá de fora? Vocês sairiam do país para investir na banda? Sob que condições mínimas?
LM: Os primeiros shows vão acontecer por aqui mesmo no Rio e São Paulo e onde mais pintar convites. Mas, como foi falado antes, o mercado pro nosso som é lá fora mesmo. Têm muitos festivais que acontecem todo ano e o objetivo seria fazer parte deles.
Ninguém da banda é iniciante ou inexperiente, todos já são músicos “calejados” e não tem mais aquela ingenuidade de sair do país sem ter condições mínimas de bem-estar e conforto. Tocar lá fora é o nosso objetivo, mas comer marmita e dormir em rede...ta fora dos nossos planos!rs...
HB: Fale um pouco sobre os músicos que fizeram parte do projeto. Parceiros na composição, nos arranjos, instrumentistas...
LM: Quanto às composições, o Riq é meu único parceiro nelas. As suas músicas e idéias sempre foram de grande competência e qualidade. As letras são praticamente todas de autoria dele.
Os arranjos são de minha responsabilidade e foi muito prazeroso trabalhar nessas músicas, pois até então eu só fazia arranjos para outros artistas e pela primeira vez na minha carreira musical eu pude concentrar todas as minhas influências de uma maneira muito verdadeira e espontânea, por se tratar de um trabalho próprio e sem a obrigação de agradar o gosto cliente.
Quantos aos demais músicos, eu tive a honra de ter, além de excelentes profissionais, grandes amigos de longas datas fazendo parte do trabalho.
Gravaram as guitarras solo: Marcelo Nami, Marcio Loureiro e John Cassio. Além da participação especialíssima, na voz intro de “Not na Angel”, de Maila Kaarina.
HB: Para se obter um trabalho independente de qualidade, o que você considera crucial? Se pudesse enumerar o caminho com os 5 pontos mais importantes, quais seriam eles?
LM: Criar um trabalho de qualidade exige uma série de fatores, desde a criação das músicas até a masterização final.
Cada banda usa as “armas” que possui pra atingir o sucesso. No meu caso, eu tive que trabalhar da melhor maneira possível com o que eu tinha em mãos.
Mas pra compensar a falta de grandes recursos técnicos em estúdio, eu tive que primar pela criação dos arranjos, edição minuciosa das músicas, timbragem e programações.
Se for pra resumir em apenas 5 pontos, eu diria então:
- Qualidade das composições (músicas)
- Elaboração e criatividade nos arranjos
- Competência na execução das gravações
- Escolha dos melhores timbres dos instrumentos
- Edição minuciosa e detalhada de cada track
HB: Deixe uma mensagem para os leitores do Hard Blast.
LM: Espero que todos apreciem o nosso trabalho, pois foi feito de uma maneira muito verdadeira e com muita dedicação.
E vou deixar uma frase aqui que não é de minha autoria, mas eu a uso direto na vida e acho que ela representa exatamente o trabalho do Highest Dream:
“Imaginação é mais importante que conhecimento” (Albert Einstein)
Um grande abraço e muito obrigado pela força que todos têm nos dado até agora.