O Nevermore é uma banda Americana de Metal criada em 1991 em Seattle, Washington. Desde então, a banda está na estrada com sete álbuns e uma legião de fãs ao redor do mundo, principalmente na Europa. Jeff Loomis é o impressionante guitarrista e principal compositor da banda.
Ele audicionou para o Megadeth com 16 anos, foi eleito um dos guitarristas mais rápidos de todos os tempos pela revista “Guitar World”, tem o seu próprio modelo de guitarra pela Schecter (www.schecterguitars.com) e em breve terá o seu próprio modelo de pedal de distorção. Para completar a carreira de sucesso, ele acabou de lançar o seu primeiro e bastante inspirador álbum solo, “Zero Order Phase”, pela gravadora Century Media.
Eu tive o prazer de falar com um bem relaxado e engraçado Jeff Loomis e a minha entrevista com ele pode ser lida abaixo.
Thaís – Em Setembro de 2008 você lançou o seu primeiro álbum solo, “Zero Order Phase”, isso foi algo que você sempre planejou fazer?
Jeff – Isso era uma idéia que eu tinha em mente há um certo tempo, só que nunca havia tempo suficiente para trabalhar nela devido às turnês que nós estávamos fazendo com o Nevermore. Quando o ciclo de turnê do “This Godless Endeavor” acabou eu sabia que teríamos bastante tempo livre, então liguei pro Neil Kernon, meu produtor, e começamos com o projeto. Liguei para o meu amigo Mark Arrington, que inclusive tocou no nosso primeiro CD, para tocar bateria e ele ficou mais que feliz em faze-lo. Uma das coisas mais legais de gravar esse CD foi que a maior parte das gravações foram feitas na minha casa. Nós gravamos a bateria em um estúdio aqui perto, mas todo o resto foi feito no meu porão. Isso realmente fez o projeto inteiro bem tranquilo, sem aquela sensação de correria como normalmente seria em um real ambiente de estúdio. Eu sou fã de música instrumental há muito tempo, então estou contente por ter, finalmente, tido a oportunidade de mostrar um lado diferente do meu estilo de tocar para os fãs do Nevermore e fãs de música experimental.
Thaís – O álbum reflete exatamente tudo aquilo que você pretendia que refletisse quando iniciou o projeto?
Jeff – Eu acho que ele excedeu as minhas expectativas. Eu sabia que seria muito legal uma vez que as demos iniciais fossem feitas, mas quando nós começamos a gravar, as coisas realmente começaram a se encaixar no lugar certo. Acho que foi o caso de as pessoas certas estarem juntas no momento certo durante todo o projeto. Eu tive muita sorte por ter tido a oportunidade de trabalhar com várias pessoas talentosas que fizeram dessa gravação uma realidade. Neil foi de grande ajuda com muitos dos arranjos e Mark foi a cola que garantiu a coerência e fez tudo soar com a fluência de uma só obra. O CD inteiro é uma grande jornada por diferentes ambientes sonoros…(risos) isso pode parecer uma forma estranha de descrevê-lo, mas é a melhor maneira de explicar como ele soa, sonoramente falando.
Thaís – Como tem sido a resposta até agora? O Nervermore tem fãs muito dedicados, como tem sido a reação deles ao seu álbum?
Jeff – A resposta tem sido muito, muito boa. A maioria das resenhas têm sido excelentes e os fãs parecem gostar. Eu acho que ganhei um novo público também, o que é muito legal. Pra ser franco, eu realmente quis fazer esse CD pra mim mesmo, pra ver se conseguiria um resultado desse tipo. Eu não queria fazer um CD só pra exibir alguns rápidos riffs de guitarra. Minha intenção era construir um trabalho com uma grande variedade de estilos musicais que incorporasse muitos elementos do meu estilo de tocar. Eu estou sempre tocando coisas muito agressivas com o Nevermore, então foi legal poder experimentar diferentes formas de escrever música no “Zero Order Phase”. Eu também sei que os fãs querem um novo CD do Nevermore...nós estamos juntos como uma banda há mais de 15 anos, então tirar umas férias disso tudo foi algo muito saudável que nós fizemos. Só vai nos fazer voltar mais fortes com novas músicas e um novo começo. Na verdade nós estamos trabalhando em um novo CD no momento!
Thaís – Se você tivesse que descrever "Zero Order Phase" em três palavras, quais seriam elas?
Jeff – “Riffagem” experimental implacável.
Thaís – Você normalmente ouve suas próprias músicas em casa, por exemplo, quando está cozinhando ou lavando roupa?
Jeff - Depois da mixagem final eu escutei bastante o meu CD solo…mas se estou cozinhando ou limpando, geralmente vou estar ouvindo outras coisas, de acordo com o meu humor. Pode ser música clássica ou Cannibal Corpse!
Thaís – No fim do ano passado o Nevermore lançou o DVD “The Year of the Voyager" e vocês já estão trabalhando em um novo CD, o que mais os fãs podem esperar da banda em 2009?
Jeff – Sim, nós estamos finalmente trabalhando nas coisas novas. Sim, vai ser pesado e sim, vai ser melódico também. Os fãs podem esperar um novo CD e uma turnê mundial no futuro muito próximo. Nosso primeiro show vai ser no “Wacken”, esse verão, na Alemanha. A partir daí nós esperamos estar na estrada por um bom tempo. Eu tenho em torno de 7 músicas escritas para o novo CD. Não posso te dar nenhum nome ainda, mas posso garantir que que vai ser um dos nossos melhores trabalhos até agora.
Thaís – Eu sei que você foi muito influenciado pelo estilo de tocar de lendas como Jason Backer e Marty Friedman. Existe algum guitarrista novo que te impressiona?
Jeff – Tem um guitarrista do Reino Unido chamado Guthrie Govan que é simplesmente impressionante. Eu realmente venho da antiga leva de guitarristas com quem cresci, como Brian May, Eddie Van Halen e Yngwie Malmsteen. Esses são quitarristas que, de fato, me inspiraram a tocar e ficar no meu quarto praticando horas por dia. Eu amo Fredrik e Martin do Meshuggah também, esses caras estão fazendo umas paradas matadoras que eu gosto muito de ouvir. Jason e Marty são os meus favoritos de todos os tempos. Eu tive a oportunidade de trabalhar com Marty ano passado em Los Angeles, toquei um solo como convidado no CD novo dele chamado “Future Addict”. Ele é incrível como músico e compositor e é uma pessoa muito agradável. Foi uma honra poder passar algum tempo com ele e aprender algumas coisas novas sobre o seu estilo de tocar guitarra.
Thaís – O que você tem escutado ultimamente? Qual foi o último CD que você comprou?
Jeff – Eu tenho escutado essa banda louca chamada The Faceless. Eles são como uma combinação em que Cannibal Corpse encontra o guitarrista de Jazz Alan Holdsworth. É estranho mas funciona tão bem junto. Gosto de Blotted Science também. Eu não consigo lembrar do último CD que comprei! Acho que foi o novo do Soilwork, eu sou um grande fã desses caras também e estou muito feliz por saber que Peter Wichers está de volta à banda.
Thaís – Você tem algum prazer musical com culpa? Algo que você só ouve quando está sozinho, que não se orgulha de ouvir e que não contaria aos seus amigos.
Jeff – Eu acho Natasha Bedingfield legal…eu vi um show dela ao vivo na TV e ela realmente tem uma voz forte e algumas músicas grudentas. Eu não me importo mesmo em dizer isso. Aliás, eu tenho um amigo próximo que gosta de Beyoncé! Ah, quase esqueci, ouvi ABBA algumas vezes também. Produção legal e ótimos arranjos vocais. Acho que peguei isso passando muito tempo com alguns amigos suecos em turnês passadas.
Thaís – Na sua opinião, quais foram os momentos mais importantes da carreira do Nevermore? Por quê?
Jeff – Bem, um dos momentos mais legais foi a turnê com o Death. Poder passar um tempo com Chuck Schuldiner foi uma grande experiência. Ele convidou a gente pra fazer a turnê com eles em 95. Eu fiquei muito mal por não ter tido a chance de vê-lo antes dele morrer. Ele escreveu grandes músicas e era um amigo genuíno que nunca vou esquecer. Nós também tivemos a chance de tocar no “Dynamo Festival” na Holanda naquele mesmo ano para mais de 150.000 pessoas, foi um momento surreal que eu nunca vou esquecer.
Thaís – Você fica ansioso/ nervoso antes de tocar ao vivo? Você já teve que tocar sob alguma circunstância bizarra? Quais foram os shows mais marcantes da sua carreira?
Jeff – Eu ainda fico nervoso. Acho que algo estaria errado se não ficasse, é uma coisa natural. A gente já teve que tocar com o ônibus chegando no show alguns minutos antes dos portões serem abertos, muitas vezes devido ao mau tempo durante a viagem. Eu não sei como os nossos roadies e o pessoal do som conseguiram a proeza, mas esses foram alguns dos nossos melhores shows! Fora o “Dynamo Festival”, eu diria que todos os shows na Grécia são sempre ótimos porque o público é muito barulhento…algumas vezes eles são mais altos que o PA!!! O agora legendário “Wacken” é sempre incrível, o que vamos tocar nesse verão vai ser o nosso terceiro.
Thaís – Quais realizações na sua carreira te deixam mais orgulhoso? Existe algo que, se você pudesse voltar no tempo faria diferente?
Jeff – Eu estou feliz com a longevidade da banda. Muitas bandas acabam depois de algumas poucas gravações. Eu sempre me senti muito confortável no palco com o Nevermore e não mudaria ou faria nada diferente. A forma como fizemos as coisas no passado define quem somos hoje.
Thaís – No fim do ano passado a revista “Guitar World” te colocou como um dos 50 mais rápidos guitarristas de todos os tempos, classificando “Born”, do “This Godless Endeavor”, como sua marca registrada”. Como você se sente figurando na mesma lista que nomes como Marty Friedman e Jason Becker? Você escolheria "Born" como a sua marca registrada?
Jeff – É uma sensação boa a de estar lá como um dos guitarristas mais rápidos, com nomes como alguns dos melhores guitarristas, na minha opinião. Eu não sabia o que pensar quando vi a revista pela primeira vez…sempre achei que houvesse guitarristas muito mais rápidos que eu. Eu sempre me concentrei em tocar com partes iguais de velocidade e “feeling”. Uma das músicas que, de fato, mostra o melhor do meu estilo de tocar é "The River Dragon" do CD "Dead Heart in a Dead World”, é uma música pesada com algumas seqüências de “leads” legais que são parte da minha marca registrada.
Thaís – Você sempre sonhou em ser um “deus da guitarra” e uma influência para novos guitarristas? Você tinha um “plano B” para sua carreira? Os seus pais se orgulham de você?
Jeff – Não, eu nunca pensei sobre isso dessa forma. Eu só sempre soube que queria ser o melhor que pudesse no que se refere a escrever músicas. Eu preferiria ser capaz de escrever uma grande obra musical do que tocar a milhões de milhas por hora o tempo todo. Isso pode limitar muito um guitarrista e só pode te fazer chegar até certo ponto. Eu também nunca tive um plano B, sempre soube o que queria fazer e fui muito focado. Se você colocar todo o seu esforço em algo, pode acontecer pra você se você não desistir. Eu tive muita sorte, também, por ter pais que me deram muito apoio. Os dois são professores aposentados e, com certeza, poderiam ter me dito pra ir pra faculdade e ter uma carreira de verdade, mas eles sempre me incentivaram a fazer o que eu amava. Música é algo que sempre esteve dentro de mim por muito tempo e eu não pretendo fazer nada diferente disso em termos de carreira. Não sei se vai ser sempre metal...eu adoraria escrever trilhas sonoras para filmes algum dia, esse seria um objetivo legal de se ter para um futuro próximo.
Thaís – O Nevermore tocou no Brasil em 2001 na turnê do "Dead Heart in a Dead World" e em 2006 na turnê do "This Godless Endeavor". Quando você pensa sobre tocar no Brasil o que vem à sua cabeça? A banda tem planos de voltar lá?
Jeff – Eu acredito que nós temos fãs muito dedicados lá. A gente não toca no Brasil há muito tempo, mas os fãs nunca esquecem de nós. Eu sei que vamos voltar lá pra tocar algum dia e estou ansioso para que isso aconteça. Eu só espero que dessa vez tenhamos mais tempo pra ver as paisagens, porque o país é muito bonito.
Thaís – Jeff, eu estou te perguntando tudo que eu sempre quis saber. Tem algo que você gostaria que eu te perguntasse e eu não perguntei?
Jeff – Hmmmm…ah, você poderia ter me perguntado se eu tenho planos de gravar mais CDs instrumentais. A resposta seria sim, eu assinei com a Century Media para graver mais dois. Você poderia ter me perguntado se eu tenho algum novo equipamento para ser lançado. A resposta seria sim, eu tenho um novo pedal que estou trabalhando com uma marca que ainda não posso mencionar o nome. E, hmmmm, você poderia ter me perguntado sobre o meu modelo de guitarra, a “Schecter Jeff Loomis”. Ele ainda está disponível pela Schecter (risos).
Thaís – Agora pra finalizar, me dê uma frase de inspiração, algumas últimas palavras de sabedoria.
Jeff – Seja um inovador e ouça TODOS os estilos de música. Tem muita coisa aí pra ser ouvida. Obrigada pela ótima entrevista, Thaís. Estou ansioso pra ver todo mundo na turnê muito em breve.