JLT: Sabe, eu tento sempre deixar o passado para trás a cada nova experiência em que me envolvo. Eu não acredito em carregar negatividade, problemas, nada disso.Você sabe que em bandas sempre há problemas. A partir do momento em que você envolve uma outra pessoa em algo, os problemas aparecem. Então, eu acredito que na maioria das vezes eu sempre me diverti e tive os melhores momentos, tanto com o Deep Purple quanto com o Rainbow, com Malmsteen ou qualquer outro artista. Eu digo que grandes trabalhos sempre surgiram e isso é o mais importante, a música. A música mostra, fala e cria em muitos um grande caráter, integridade, acredito muito nisso.
Maila: E você decidiu ir em frente com sua carreira solo logo após o Deep Purple?
JLT: Bom, eu já havia começado minha carreira solo e, quando estávamos voltando para casa depois de uma tour no Japão eles chegaram para mim e disseram: “Bem, vamos fazer algumas mudanças no Deep Purple e você tem sua carreira solo, o Rainbow está para voltar (apesar de isso jamais ter acontecido)...
Mas eu realmente estava a fim de dar um gás em minha carreira solo e Richie achou que seria muito complicado continuar comigo. Sabe, ele já tem tudo estabelecido, precisa de alguém que possa ser moldado, é assim que ele é. E ele pegou minha banda também, mas tudo bem, não há ressentimentos, afinal, eles pedirão autorização.
Maila: Você já gravou mais de 30 álbuns com milhares de artistas diferentes. Todos os seus trabalhos são voltados para o rock?
JLT: Não. Eu já fiz muitas coisas diferentes. Acredito que se você se limitar a apenas a um mesmo rock, se você só tiver uma característica em sua personalidade, você provavelmente ficará preso. Por isso eu gosto de fazer várias coisas diferentes. Atualmente estou trabalhando em um disco de dance music com uns caras da Suécia e o projeto é uma verdadeira máquina. Aliás, o projeto chama-se THE MACHINE porque conta com os melhores músicos, produtores, videomakers, tudo. E acho que será uma grande coisa com grandes músicas. Um pouco como o que Rick Astley fez. Músicas ótimas mas com aquela batida dance que também nos permite acrescentar um pouco do peso, de rock. Vai ser algo completamente diferente. Também estou fazendo algo parecido com o que o Bom Jovi fez em seu último álbum. Não é um rock direto, mas possui algo de twanger.E também estou trabalhando em meu novo álbum solo. Ando muito ocupado ultimamente e sou muito grato por isso.
Maila: E você se considera passos à frente de grande parte dos músicos por conta de sua versatilidade e por ter uma cabeça tão aberta e tocar tantas coisas diferentes com pessoas diferentes?
JLT: O grande problema é que a maioria das pessoas pensa que o que elas vêem é tudo o que elas podem fazer. Isso pode ser verdade às vezes, mas às vezes também pode não ser. Mas eu realmente gosto de experimentar e ver o que irá me impulsionar. Seja como vocalista, como guitarrista, como compositor. Eu escrevo muita coisa para muitas pessoas diferentes e de vários lugares. Faço jingles para comerciais de TV e rádio, trilhas, regravei uma música dos Back Street Boys, por exemplo, chamada The One.
Eu acho tudo isso maravilhoso, mas muitas vezes sendo assim encontramos pessoas que não entendem o que você faz.
Maila: Concordo com você. As pessoas parecem precisar de um rótulo, de algo que as permita carimbar você e quando não conseguem fazer isso, dizem que você se vende, que não tem personalidade...
JLT: Sim! E isso é muito, muito triste. Muito triste principalmente porque o certo seria querer que todos sejam tudo o que podem ser. Querer que seu filho seja tudo o que ele puder ser, e até você próprio! Você não adoraria poder fazer tudo que quisesse?
Maila: Claro que sim! E quais seriam os conselhos que você daria a todos os que querem seguir seus passos?
JLT: Vocês devem querer isso mais do que qualquer outra coisa na vida. Vocês precisam ter disciplina, precisam estar focados, ser firmes e seguros. E vocês devem se preparar para decepções porque terão várias e isso faz parte do pacote. Não é uma questão de estilo de vida, é uma questão de força e se vocês realmente quiserem seguir este rumo, terão de ter a cabeça e o coração fortes.
Maila: Quais as suas expectativas por estar tocando no Brasil com uma banda de músicos locais e que você jamais conheceu antes?
JLT: Eu não tenho expectativas. Sempre que criamos expectativas demais, acabamos por nos decepcionar. Mas já conheci os caras e eles me pareceram ser pessoas ótimas, além de grandes músicos. Acredito que vamos “kick ass” juntos.
Maila: Vou fazer com você agora um jogo. Eu te digo uma palavra e você me fala a primeira coisa que vier a sua mente, ok?
JLT: Ok! Isso me parece divertido...
Ídolo: Falsos ídolos
Anos 70: disco
Anos 80: Sexo, drogas e rock n´roll
Purple: Minha banda favorita
Rainbow: Minha segunda banda favorita
Rock: Não vivo sem ele
Antigamente: a melhor época
Hoje em dia: não é tão ruim assim
Cantar: Minha vida
Família: Os amo mais que tudo
Fãs: Não vivo sem eles
Hobby: Muitos
Amigos: Alguns
Amor: Sempre
Ódio: Nunca
A coisa mais importante: Amor
Palco: Meu chão
Lar: Quase nunca estou lá
Tour: Sempre em tour
Brasil: Estou feliz por estar de volta
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