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Exodus & Kreator - São Paulo - 31/10/2009
Por: Daniel Croce
fotos: www.musicao.com.br
   
     

São Pedro, ou SAMHEIM, deram AQUELA providencial ajuda e não caiu a até então suspeitosíssima TORRENTE que ameaçava os céus da então “terra da garoa” – e ali parecia que garoar seria o prelúdio para todos chegarem ensopados neste encontro de gigantes do thrash oitentista  - bom, de fato, molhados, só de suor dos moshpits mesmo XD.

Essa tour Exodus & Kreator já durava uns meses e, como anunciado pelas duas bandas, teria seu encerramento na cidade de são Paulo. Casa perto do lotada, o via Funchal virou quase literalmente a Bay Area de São Francisco, CA,  com aquele gostinho de muro de Berlim fomentando o ódio pela divisão da Alemanha em duas, servindo de tema para muita revolta extravasada em metal, é lógico.

     

EXODUS

   

Os renegados, preteridos da Bay Area de SF, mostraram que ainda entram de sola no sapato de muito “ganhador de Grammy tentando voltar a fazer metal por ai” (se é que você me entende), ou seria sola no JOELHO?

Show do Exodus NUNCA é a mesma coisa sem começar com o MEGA clássico atemporal “Bonded by Blood”. Já imaginou um show dos Rolling Stones começando com... “Angie”? NÃO! Você quer “Satisfaction”, ”Jumping Jack Flash”, no mínimo. E foi assim mesmo que eles fizeram: não perdoaram.

O vocalista Rob Dukes, esse então, não parece estar na banda só há cinco anos, e sim por umas duas décadas, NÃO PARA de ser carismático e incitar a roda, o moshpit, sempre fazendo movimentos giratórios com o indicador para cima. E quem disse que o povo ficava quieto? Para mim, que pretendia mais bater fotos e filmar, no fundo, era um inferno. Mas bem que eu gostaria de estar lá com a massa thrasher... mas sabe como é, né? “The older, the wiser XD...” ah ,  meus 17 anos...

EXODUS

 

Gary Holt, homem que dispensa apresentações, MINTO, tenho que dizer algo...ELE É PAI! Pai de um estilo e está na ativa há mais de um quarto de século, pelo menos. Timbre fantástico de guitarra, surreal para uma banda de abertura, ainda que do calibre do Exodus, e pareado pelo “não menos muito bom” Lee Altus ( “apenas” o fundador de outra banda injustiçada, o Heathen ). Até ouso dizer que nem senti falta de Rick Hunolt, mas pelo menos o vi em 2004...

 O baixista Jack Gibson já esta na banda há um bom tempo, também não faz feio, segura a onda bem, agita, clama o povo ao ataque, e Tom Hunting... pelo amor de alguma entidade cósmica, o que é Tom Hunting? O sujeito no mínimo SABE que faz um trabalho de bateria incrível com a banda, tanto que já foi e voltou umas 3 vezes, mas SEMPRE volta. Exodus sem Tom hunting ali atrás it’s not exodus AT ALL.

Depois da já citada “Bonded by Blood”, vem “Iconoclasm”, um “novo clássico” da banda. Aliás, a trilogia nova: “Tempo of the Damned” , “Shovel Headed Kill Machine”, “The Atrocity Exhibition... Exhibit A”, é comumente considerada como a nova trinca de ferro que é “Bonded by Blood, “Pleasures of the Flesh” e “Fabulous Disaster”, dos anos 80. Além desses novos torpedos sônicos, vieram petardos como “A Lesson in Violence”, “Piranha” (se faltar essa, a gente sobe no palco E TOCA ).

Com um pouco mais de uma hora de “gig”, como se não bastasse, os membros do Exodus, sem o menor pudor PEGARAM seu ingressos, encartes de cd/vinil e, se você estava na grade me frente ao placo, provavelmente ganhou um autógrafo e uma pose para foto conhecendo pessoas extremamente simpáticas, nem parecendo que minutos atrás estavam tocando o apocalipse na noite das bruxas. Passou longe o corporativismo das gravadoras, estrelismo, egocentrismo, etc.  É uma banda do povo para o povo.

VOLTEM SEMPRE!

Paul Ballof, r.i.p, always missed, never forgotten , bro

 

KREATOR

   
KREATOR

Depois do caixote da ACME que caiu sobre nossas cabeças que foi o show do Exodus, meia horinha foi suficiente para levar outra bigorna na cara: os mestres do thrash germânico do Kreator, sempre chefiados pelo não menos carismático Miland “Mille” Petrozza (o gajo é mezzo italiano, mezzo alemão).

Na condição de FÜHRER da banda (bom, ele é quem manda), o time é completado por Sami Yli-Sirniö na outra guitarra, Christian Giesler no baixo e... bom, confesso, estava esperando o “Tom Hunting” do Kreator ( pois é outro que vai e volta da banda com a mesma freqüência do batera do Exodus), o não menos famoso Jürgen”Ventor” Reil, co-fundador da banda... Mas me deparei na verdade com um sujeito com cara de “poucos metal”, portando uma suntuosa bateria DW (“pouco cara” para quem entende do assunto), posição de tons invertidas, agudo do grave indo da direita pra esquerda e surdo no lado esquerdo, além de dois no direito.

 

O show começou com a faixa título do álbum novo, “Hordes of Chaos” e, confesso, na condição de não muito fã de Kreator, o show foi meio morno até quase que metade, quando começaram a soltar mais pérolas da banda como: “Extreme Aggression”, as faixas títulos dos ótimos álbuns anteriores a esse mais recente: “Enemy of God”, “Violent Revolution”.  E foi aí que o circo começou a realmente pegar fogo; Petrozza foi inteligente em não abordar muito os quatro álbuns dos anos 90, que fogem bastante ao estilo thrash alemão consagrado pela banda, onde ele flertou com o gótico, o industrial, etc (ok, NADA contra esses estilos, são muito bons, têm ótimas bandas, gosto de várias, servem bem às baladas/nights rock-metal, mas não é coisa para logo o Kreator, fazer), isso não é bem visto pelo fãs da banda em maioria.

Do último terço do show para o fim, já era irmão, era moshpit sem parar, com nosso amigo “Mille, o alemão”, igualmente incitando a discórdia girando seu indicador. Encerrado o tempo “normal”, afinal,TEM SEMPRE um bis, volta somente o tal batera, magrelo, cabelo curto, cara de nerd e, MEU DEUS!

Ele merece um parágrafo SÓ PARA ELE que em 6 minutos fez o que eu não farei pelo resto de minha vida atrás de um drumkit. Fiquei me questionando QUEM DIABOS era aquele sujeito, com claras influências de outros bateras germânicos ULTRA TÉCNICOS, como Marco Minnemann e Thomas Lang (ainda que ambos vivam nos EUA). Aquele lá engoliu TODAS as vídeo aulas desses caras... Um tempinho depois, no entanto, a ficha caiu: eu vi diante de mim, “APENAS”, SIM, O Sr. MARCO MINNEMANN, ali, “quebrando o galho” pro “irmão alemão”, na falta, ainda para mim misteriosa, de Ventor.

Assim, nota-se que ele não estava muito a vontade fazendo aquilo, afinal, deve ter tido poucos dias para pegar as músicas, mapas, convenções, pausas e afins. Quem toca bateria sabe que tocar horrores não quer dizer fazer solo de em todas as músicas, botar zilhões de notas, pratos, viradas, etc, que quebrem o contexto da música.

Não se faz nada necessário, por exemplo,  um batera de prog metal na banda de Jack Johnson e, certamente, o batera de Jack Johnson não faz 1/10000 do que Mike Portnoy faz mas, ainda assim, é arte das duas formas. Nesse ponto, o “meu amigo Marcão” se embananou um pouco. Nota de fidelidade: UM POUCO, um homem desse não embanana NADA por completo. E nesses 6 minutos de solo, cheguei a conclusão que eu preciso parar minha vida e estudar TUDO de bateria se eu quiser ser a unha do dedão do pé dele.

Tá bom, já babei o ovo do super batera demais por hoje...
No bis DE VERDADE, rolou a emenda de dois tratores: “Flag of Hate” e “Tormentor”. E eu ali, pasmo, não acreditando que “paguei por dois mas vi três shows”:  Exodus, Kreator e Marco Minnemann ( ih, pronto, babei de novo XD).

Na minha humilde opinião, todo Halloween podia ser assim...

 
 
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