Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine -
Islington Academy
Londres (08/09/09)
Por: Denis Augusto
fotos: Siobhan O’Hara
Apenas recentemente descobri que Jello Biafra está de volta aos palcos com uma nova banda. Seus projetos paralelos e spoken words após o rompimento do Dead Kennedys foram todos necessários, mas realmente estava na hora de vê-lo formar sua própria banda. E a boa notícia é que Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine é um ótimo quinteto que soa bastante como o DK, só que mais pesado e com evidente influência de Metal.
Às 9:30pm os músicos subiram ao palco e o baixista – seguido pelas guitarras e depois a bateria – começou a fazer barulhos por alguns instantes, até que a primeira música da noite, “The Cells That Will Not Die”, começou propriamente. Jello ainda não estava à vista, mas após alguns segundos pulou por detrás das cortinas – vestindo luvas cirúrgicas e avental ensangüentados – levando o público à loucura. Não demorou muito para começar a voar cerveja nele, que continuou a disparar suas letras sarcásticas sem relutar.
Como previsto, Jello falou brevemente entre a maioria das músicas, fazendo com que alguns mais exaltados gritassem “faz barulho!” ou “toca algum som!”, mas isso não parecia surtir efeito algum no homem, que não parava de falar. Na verdade, seus mini-discursos e observações não me incomodaram nem um pouco; achei até que enriqueceram a apresentação como um todo, e não foram nem um pouco chatos. Após umas 4 músicas, “Califórnia Über Alles” começou sem aviso prévio e fez a casa tremer. Sua letra revisada provou que a faixa continua tão relevante quanto era 30 anos atrás, e logicamente o atual governador da California, Arnold Schwarzenegger, foi devidamente malhado.
Outras boas faixas novas foram executadas, como “Clean as a Thistle”, “New Feudalism” e “I Won’t Give Up” antes de Jello dizer “sou tão velho que me lembro quando Punk era algo novo”, e anunciar mais uma clássica do DK: “Let’s Lynch The Landlord”. Nunca pensei que fosse ver essa ao vivo! Se bem que cheguei a pegar um show do DK em 2002, mas foi a mesma coisa que ir no aniversário do amigo e ver que todo mundo está lá, menos ele...
Em determinado momento, os integrantes foram apresentados ao público um a um e devidamente ovacionados (afinal, apesar de não mais terem 19 anos, a empolgação e vontade de tocar eram evidentes). O baixista original – que gravou todas as músicas do debut Audacity of Hype – é ninguém menos que Billy Gould, do Faith No More, que foi substituído por Adrew Weiss (Rollins Band), irmão do baterista, Jon. Os dois guitarristas, Ralph Spight e Kimo Ball (do Hawaii), também merecem ser mencionados, pois fizeram um ótimo trabalho mesclando riffs pesados com melodias fortes e solos curtos e bem encaixados.
Outros dois destaques da noite só podem ser as outras duas do Dead Kennedys: “Police Truck” e “Holiday in Cambodia”. Mas pode-se dizer que a banda não precisa encher o set com músicas do DK, porque as novas faixas também são muito boas e algumas até bem pegajosas. O mais importante é saber que Jello Biafra ainda tem muita lenha para queimar e está de volta cantando seus pontos de vista sobre o mundo, ao invés de apenas expô-los para bandos de estudantes em forma de palestras.