Em primeiríssima mão para o Hard Blast, eis que escrevo um pouco sobre um grande momento em minha vida. Sou fã do Kiss desde 2003 e desde o ano passado a banda arregaçou as mangas e decidiu presentear os fãs após 11 anos sem álbum novo e 10 anos sem turnê mundial. A turnê mundial "Alive/35" aconteceu entre 2008 e 2009 e, agora, no último dia 06 de outubro, foi lançado "Sonic Boom", o novo álbum da banda. É sobre o próprio que vou falar, pois tive o prazer de ouví-lo pouco menos de um mês antes do lançamento oficial.
Não dá pra começar falando de "Sonic Boom" sem falar sobre a formação que nos forneceu tal pepita. Além dos incansáveis deuses Paul Stanley e Gene Simmons, desde 2004 a line-up conta com Tommy Thayer na guitarra solo e Eric Singer na bateria. Mas a colaboração de ambos com a empresa Kiss já é antiga, já que Eric Singer tocou na turnê solo do Paul Stanley de 1989 e, após o falecimento de Eric Carr, integrou o Kiss até o ano de 1995 e Tommy Thayer participou de composições nos álbuns "Hot In The Shade" e "Carnival Of Souls: The Final Sessions", além de trabalhar por trás dos palcos desde o início dos anos 1990 com o grupo.
No momento, é impossível pensar em alguma formação para fazer tal trabalho, pois desde 2004 todos estão fazendo seu trabalho perfeitamente, mesmo com o criticismo por volta das maquiagens de Spaceman e Catman utilizadas por Tommy e Eric, respectivamente. Mas não pretendo entrar no mérito dessa questão tão cedo, pois o que importa é que a banda continua exímia no que faz.
Em entrevistas, o senhor Gene Simmons (que completou 60 primaveras nesse ano) afirmou que "Sonic Boom" seria um encontro entre os clássicos "Rock And Roll Over", de 1976, e "Love Gun", de 1977. Em partes, o linguarudo teve razão - o vigésimo sexto álbum da coleção KISSeira tem, no mínimo, um quê e tanto dos anos 1970. Mas defendo firmemente a idéia de que a idéia vai muito além disso.
"Sonic Boom" reúne elementos de toda a carreira do Kiss: o rock n' roll clássico feito até "Love Gun", algumas pitadas de Hard Rock oitentista encontradas em discos como "Animalize", "Asylum" e "Lick It Up" e outras injetadas de Heavy Metal (sem exagerar, é claro) que podem ser vistas em maior dose, talvez, em discos como "Revenge", "Creatures Of The Night" e "Carnival Of Souls: The Final Sessions". Alguns elementos mais contemporâneos herdados do solo de Paul Stanley, "Live To Win", merecem ser citados também. Claro, a sonoridade clássica impera por aqui, mas é inegável o fato de que existem um pouco de tudo no álbum.
Música por música, vamos lá: a abertura fica por conta de "Modern Day Delilah", que foi lançada como single há um mês e conseguiu a 18ª posição nas paradas americanas de singles. Dispensa comentários: essa música conseguiu resumir tudo o que eu disse no parágrafo anterior em 3 minutos e 36 segundos, com riffs pesados, um solo digno de Guitar God, linhas de baixo e bateria excelentes e, claro, o
vocal inconfundível e sempre perfeito de Paul Stanley. Presença inegável no repertório da nova turnê da banda.
"Russian Roulette" é a primeira participação de Gene Simmons no álbum como vocalista e, simplesmente, o Demon não decepciona. Linhas de baixo fortes, bateria pesada e guitarra completamente anos 1970, além da voz rock-a-roller de mr. Simmons. Resumo a canção como um encontro entre "Deuce" e "Not For The Innocent".
"Never Enough" é um Hard Rock embasado, com cara oitentista mas pegada setentista. Impossível não comparar a parte do verso com "Nothin' But A Good Time" do Poison e o finalzinho do refrão com "Slide It In" do Whitesnake, mas apenas há um vestígio pois Kiss é Kiss. Novamente Stanley se destaca com seu timbre forte de voz e Thayer manda mais um solo de guitarra no ponto, digno de se ter Ace Frehley como "professor".
"Yes I Know (Nobody's Perfect)" começa oficialmente o recheio do disco e, diferentemente da maioria dos álbuns, a coisa começa a ficar mais vibrante ainda. A pegada setentista, a bateria "Bonhaniana", a voz de Gene Simmons, os riffs marcantes, o refrão com todas as características de um verdadeiro hino do rock... tudo é perfeito nessa canção que considero uma das melhores do álbum, sem dúvida alguma!
"Stand", a faixa mais longa do álbum, é completamente retrô: as guitarras parecem definitivamente tocadas por Ace Frehley e Paul Stanley (por este foi mesmo, risos), só que de uma forma melhorada, enquanto a bateria e o baixo soam perfeitamente coesos e os vocais de Gene e Paul se encontram de uma forma linda, nos remetendo aos duetos mais clássicos da banda, como "God Gave Rock N' Roll To You II" e "Shout It Out Loud". O refrão já vale por toda a música, mas a música inteira é grandiosa, além de ser uma das minhas apostas para o novo repertório do grupo.
"Hot And Cold", mesmo sendo uma reformulação da antiga demo "Rotten To The Core", soa maravilhosa aqui, com pleno destaque para a bateria de Eric Singer, infalível como sempre e para a ótima letra. Andamento completamente rock n' roll, backing vocals potentes e, pra variar, um solo maravilhoso de Thayer - esse cara tá mandando demais!!
"All For The Glory" é a primeira música com vocais principais de Eric Singer sem ter sido cantada por outro baterista anteriormente. E, pra quem sabe da credibilidade de mr. Singer, não resta dúvidas de que essa é uma música muito boa, com vocais bem semelhantes aos de Peter Criss mas com o timbre de Eric. Menções honrosas para o refrão que, assim como o resto da composição, é assinada por Paul Stanley e para o solo, um dos melhores de Tommy no álbum. Mais uma aposta para o repertório!
"Danger Us" segue a linha de competência do Starchild: Paul Stanley não falha em mais uma composição perfeita, marcante, com a verdadeira essência do rock n' roll despojado e que não liga para rótulos ou classificações, afinal, rock é sinonimo de diversão. E aqui temos mais um refrão que merece destaque, perfeito para ser cantado em estádios lotados durante um show do grupo. Eric Singer merece destaque com sua bateria característica, potente e eficaz, como sempre.
"I'm An Animal" é a cara de Gene Simmons, em todos os aspectos. Posso começar pela letra, que aborda o assunto predileto do pervertido Simmons: sexo. No aspecto instrumental, encontramos uma bateria pesada, uma guitarra furiosa e um baixo forte. As vozes não ficam pra trás, tanto a de Simmons como os backing vocals marcantes, principalmente pelo final a-la The Demon característico de Gene.
O álbum vai acabando e a impressão que tenho é de que a coisa vai esquentando a cada faixa que passa. "When Lightning Strikes" começa e já me sinto no deserto do Saara logo com o riff inicial. E afirmo que essa música é uma das que prometem estar no repertório, pois surpreendeu até mesmo aqueles fãs chatos e xiitas que falam que Tommy Thayer é um bobão que roubou a fama de Ace Frehley. O que é essa música, meu querido Deus? Thayer tem uma voz arregaçadora, como um encontro entre os vocais de Gene Simmons e Ace Frehley. O andamento dessa música é grandioso, uma música perfeita pra se ter uma relação sexual ou pra tomar uma com os amigos. Tudo soa incrível aqui, me vejo impossibilitado de destacar algo.
Para fechar o melhor álbum da década, nada melhor do que um rock anthem cantado pelo mito! Paul Stanley se mostra, como sempre, um rockstar nato em "Say Yeah", desde o seu vocal forte até a composição (principalmente pelo refrão), também assinada por Gene Simmons e, pasmem, Eric Singer! Ótimo solo, excelentes linhas de baixo/bateria, uma baita linha de guitarra e andamento perfeito, digno de hino!
Finalizo esse texto emocionado e recomendando que adquiram esse álbum o mais rápido que conseguirem, caros leitores. A espera valeu a pena. Muito obrigado Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Singer e Tommy Thayer! E agora é só esperar mais ainda: o quinto retorno breve dos quatro cavaleiros do apocalipse em terras tupiniquins.
"Sonic Boom" – foi lançado mundialmente em 6 de outubro de 2009.