Foi meu terceiro show do Megadeth. Não foi o melhor e nem tão emocionante quanto os dois primeiros mas foi, sem dúvida, um bom show.
A competição com os anteriores também seria um tanto quanto injusta afinal, o primeiro, em 1991 no Rock in Rio II foi durante a tour do Rust in Peace, que em minha opinião é um dos maiores álbuns de todos os tempos e o melhor na linha Thrash/Speed em que o Megadeth se insere. O segundo, em 1998, foi num excelente momento em que a banda estava trabalhando e introduzindo diversos elementos novos a seu som.
Eu não esperava que o show de ontem fosse me empolgar tanto. Fui porque tinha que ir, faz parte de minha história, mas achei que pudesse achar "estranho".
Dave Mustaine poderia não ser mais o mesmo e a banda... não era o Megadeth que eu tanto adorava com Marty Friedman na guitarra, David Ellefson no baixo e Nick Menza na batera. Eram outros caras...
Mas o que esperar deles?
O guitarrista Chris Broderick já tocou com o Nevermore, o baixista James Lomenzo com o White Lion (iécout!) e com o Black Label Society e o baterista Shaw Drover, não sei com quem já tocou.
Não importa o que está gravado, queria muito saber se ao vivo minha emoção seria despertada.
E foi! Músicos muito bons, com presença e punch, fizeram bonito
O show marcado para as 22h começou no horário e o som não estava bom no início, só lá pela terceira música começou a melhorar. Broderick é um bom guitarrista, tem bastante presença e mandou bem. Era estranho não ver Marty Friedman, mas foi bom vê-lo também. O som de sua guitarra, no entanto, estava bem mais baixo que o da guitarra de Mustaine e isso prejudicou um pouco seus solos que, dependendo do efeito usado, não ficavam muito audíveis. Era nítido que estava bem tocado, mas não se ouvia todas as notas.
O baixista James Lomenzo esbanjou boa forma e poses e também mandou muito bem. Shaw Drover idem. Ótimo baterista e Mr. Dave...
Mustaine é Mustaine! O timbre de guitarra era o mesmo de sempre, o mesmo de todos os shows, o mesmo de todos os álbuns, com os solos idênticos e um jeito de tocar inconfundível que até ao longe você sabe quem é. A voz esganiçada e particular também estava lá. Igual e com os mesmos altos e baixos que quem é fã conhece e gosta. O mesmo Dave Mustaine de sempre, só que com um detalhe de diferença...
Sem qualquer presença de palco por quase todo o show.
A primeira música da noite foi Sleepwalker, seguida por Wake up Dead e Take No Prisioners. Foi nesta hora que minha empolgação realmente teve início. Antes de escutar uma música que eu realmente adorasse, a sensação maneiríssima de estar vendo o Megadeth estava 100% presente, mas não a emoção. Som ruim e Mustaine parado, sempre na mesma posição...
Mas daí em diante tudo ficou bem. Apesar dos pequenos intervalos que rolavam praticamente de 4 em 4 músicas com a banda saindo e voltando ao palco, o ritmo do show não caiu. Mustaine de vez em quando falou algo, umas poucas vezes andou de uma extremidade a outra do palco e por duas vezes mostrou o rosto e ficou com a cabeça virada para frente. Mas a maioria do tempo ele ficou quieto, tocando sem parar de olhar para o braço da guitarra e com a franja no rosto, interagindo somente com Broderick e Lomenzo, quando estes chegavam perto.
Mas tudo bem! O importante é que ele fez um bom show e apesar de seu jeito introspectivo e introvertido ele não foi nenhum pouco antipático.
Pelo contrário. Sem puxar o saco, sem dizer que ama o Brasil mais que tudo, que o Rio de Janeiro é o melhor do mundo e que nos ama mais que tudo na vida, como estamos acostumados a escutar, ele demonstrou seu carinho sim. Através de poucas palavras, colocando uma bandeira do Brasil no palco no final do show e fazendo um show profissional. Dave parece ser um cara muito mais de gestos do que de palavras. Muito mais de olhar do que de dizer. Dizem que ele estava bêbado demais para se mexer muito, mas não percebi nada referente a isso e nenhuma fonte segura me passou nada a este respeito.
Momentos que eu consideraria auge no show...
Hangar 18, Symphony of Destruction, Peace Sells e, lógico, Holy Wars.
Minha única crítica quanto à execução seria nos cortes. Em Holy Wars foi muito gritante! A música foi totalmente cortada e os cortes ficaram bem esquisitos numa música tão conhecida e idolatrada.
Crítica número dois seria em relação ao corte no set list. Eu li o set original que estava no placo, o próprio Dave entregou o papel a um conhecido meu. Duas músicas fora retiradas: Burnt Ice e Ashes in Your Mouth.
O show pareceu um pouco incompleto, pois apesar das 15 músicas tocadas, os cortes feitos para reduzir algumas canções me deram uma sensação bem estranha.
O final do show, no entanto, foi sensacional. No fim de Holy Wars uma base pré-gravada teve início e, com este fundo, a banda se juntou para agradecer ao público. Além de serem aplaudidos eles também aplaudiram muito, chegaram perto da galera, agradeceram juntos e Dave fez um pequeno discurso de agradecimento, pequeno mesmo, mas mandou bem.
Quem nunca havia assistido a um show deles e foi esperando ver um Mustaine saltitante e hiper simpático, não viu nada nem parecido com isso, mas quem conhece a trajetória do Megadeth, certamente que não se incomodou, pois sabemos que é assim mesmo. O que acho legal é ver o cara lá, até hoje fazendo o que sempre fez, sem mudar nada em si mesmo e passando sua mensagem única e exclusivamente através de sua guitarra e de suas letras. Dave Mustaine é um cara autêntico que nunca mudou seu discurso, um cara que está aí até hoje fazendo as coisas de seu jeito. Acho que ele é uma prova viva de que talento e autenticidade vendem sim.
Eu adorei o show e Mustaine para mim continua a ser O CARA.