Foi no Rio de Janeiro que se deu por encerrada, no dia 19 de novembro, a tour brasileira da banda finlandesa NIGHTWISH, que agradou a fãs e curiosos esbanjando carisma, competência, profissionalismo e muita, muita simpatia.
A tour mundial do álbum DARK PASSION PLAY teve início em outubro do ano passado e trás um NIGHTWISH diferente, mais direto, mais integrado com os fãs e mais apaixonado por sua música.
A atitude dos integrantes da banda no palco hoje, mostra músicos que amam seu trabalho e que adoram estar ali, esta não era a impressão que a banda me passava anteriormente (importante deixar claro que esta se trata de minha opinião pessoal), quando parecia distante, impessoal, introspectiva e só contava com o carisma de Marco Hietala (baixista desde 2001) para a comunicação com o público.
A banda existe desde 1996 e se tornou famosa por seu Metal Sinfônico liderado pelo talentoso tecladista Tuomas Holopainen, principal compositor do grupo, e pelos vocais líricos da ex-vocalista, agora solo, Tarja Turunen, demitida por questões de incompatibilidade em 2005.
Nesta tour, o NIGHTWISH enfrenta uma tarefa que considero árdua para qualquer banda que seja mundialmente famosa: apresentar um novo trabalho com uma nova vocalista. Não é fácil para ninguém substituir um integrante que faça parte da história da banda, principalmente se este alguém esteve ali por mais de 10 anos. A escolhida, a sueca Annette Olzon, aceitou o desafio e vêm mostrando que pode sim cativar o público com sua simpatia, seu belo sorriso, seu estilo próprio e, acima de tudo, sua bela voz, que exibe uma atitude totalmente diferente da vocalista anterior.
Outro ponto importante é o fato de que Tuomas sempre foi o grande líder da banda e com a entrada de Marco, eles se tornaram a grande dupla que parece ser dona das direções. Tarja nunca teve papel e nem postura de líder no NIGHTWISH, o que torna a mudança um pouco menos difícil.
A banda subiu ao palco ao som de Bye Bye Beautiful com pressão e energia ao ponto máximo e com Marco e Annette dividindo os vocais. Dar a Marco cada vez mais espaço é algo que considero extremamente inteligente, visto que sua voz e presença de palco são primorosas.
O visual “motociclista viking”, a simpatia, a vontade de conversar com o público e interagir estão presentes 100% do show. Annette não faz diferente e quem não conhece a banda, jamais diria que ela não faz parte disso desde o início. Ela pula, ocupa o palco sem deixar buracos, conversa com o público, interage com os integrantes o tempo todo, não tem medo de estragar os cabelos, borrar a maquiagem, sujar a roupa e canta com muita atitude.
A segunda música do show foi Whoever Brings the Night, seguida por The Siren e Dead to the World e em todos os momentos houve contato com os fãs super empolgados
A Circo Voador estava lotado e o público cantou todas as músicas, aplaudiu e gritou o tempo todo.
Gritar em coro o nome de Annette foi uma bela atitude dos cariocas, pois soube-se que a cantora teve problemas com alguns fãs em Belo Horizonte, Minas Gerais, que começaram a gritar o nome de Tarja durante o show. Via-se a emoção estampada em seu rosto quando no Circo Voador, ela começou a escutar “ANNETE, ANNETE, ANNETE...” Neste momento eu tive muito orgulho do Rio de Janeiro.
Tuomas não parava de sorrir e nem de sacudir a cabeça, como de costume.
Sua presença de palco, apesar de introspectiva, pois ele não fala nada, é algo tão particular que a necessidade de palavras se perde. Ele é tímido, mas não se tornou antipático por conta disso, pelo contrário. Eu diria que Tuomas se comunica através do olhar e de sua música e sabe fazer isso de um jeito que poucos saberiam.
O guitarrista Emppu Vuorinen também me pareceu outra pessoa se comparado a anos atrás. Correu, se posicionou, se colocou a frente durante seus solos, não parou por um minuto sequer e sorria o tempo todo. O baterista Julius Nevalainen também esbanjou técnica, força e presença.
Ao escutar as músicas consagradas da banda, como Wishmaster e I wish I Had an Angel, fica claro para todos que a escolha por Annette não se deu apenas por conta de sua competência, mas também pela vontade de arriscar em algo novo, em uma nova postura, um novo conceito.
A vocalista canta as músicas de seu jeito, não imita nada e nem lembra Tarja em momento algum. Seu vocal segue um estilo mais pop, com muita atitude rock´n roll, descolada, sem tensão, sem lirismo. É praticamente impossível se fazer uma comparação entre as duas. Na verdade, eu não compararia nem mesmo a banda.
O fato é que ficou claro o quão a vontade e felizes os músicos estão, demonstrando o tempo todo uma satisfação e uma integração que antes eu não conseguia enxergar. NIGHTWISH sempre foi uma banda boa, mas exceto por Marco, os considerava frios e distantes uns dos outros. Havia algo pesado no clima da banda que me cansava. Isso acabou por completo com DARK PASSION PLAY e com a entrada de Annete. Se faltava algo para eu realmente me tornar fã da banda, agora não falta mais.
SET LIST DA TOUR BRASILEIRA (pode ter havido pequenas mudanças de última hora):
1 - Intro + Bye Bye Beautiful
2 - Whoever brings the night
3 - The Siren
4 - Dead to the world
5 - Amaranth
6 - Ever Dream
7 - The Islander
8 - The Poet and the Pendulum
9 - Come cover me
10- Symphony Of Destruction
11- Sahara
12- Dark chest of wonders
-------------------------------
13 - Wishmaster
14 - I wish I had an angel