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Nota do Editor:
Olá Rocker!
Eu e toda a equipe do Hard Blast pedimos desculpas pela demora nas atualizações, tenho estado muito ocupada cobrindo os festivais de verão, mas em breve tudo estará de volta ao ritmo normal. Prometemos a vocês fotos exclusivas, entrevistas, resenhas e tudo de mais interessante no estilo do Hard Blast. Também estamos trabalhando com novos parceiros para que o site fique ainda melhor e mais moderno. Em pouco tempo estaremos de volta. Além do Tuska Open Air e do Hellfest, estivemos no Ruisrock, Sonisphere e Ankkarock, então prepare-se! O verão infelizmente está no fim aqui na Europa, mas nosso trabalho com o Hard Blast só está crescendo. Um beijo e stay rock!
Maila
 
   
 
 

Opeth – Santana Hall – São Paulo – 5 de Abril De 2009

 

Por: Filipe Diniz*
Fotos: Filipe Diniz

Depois de longas horas de viagem, chegamos ao Santana Hall. A maior curiosidade sobre o local era que, após o show do Opeth, que estava marcado para começar às 19:00h, a casa receberia o show do... pasmem... Calcinha Preta!! Isso foi muito surreal!! A primeira coisa ao desembarcar do ônibus foi nos deparar com a longuíssima fila! Se esse show fosse aqui no Rio de Janeiro, não haveria nem 10 pessoas! Isso é verdade! Mas como ouvi dizer, "um show de metal começa na fila". E foi onde ficamos vendo o gosto musical alheio através das camisas. Nesse quesito, o público estava bem heterogêneo.

Show_ Banda Opeth em São Paulo

 

Ao entrar na casa, percebi que se tratava de uma caixa de sapato (leia-se acústica ruim!) bem pequena onde qualquer lugar que eu ficasse me permitiria assistir ao show de muuuito perto, o que é sempre bom! Passa um tempinho e começa o show de abertura da Of the Archangel. A banda era bem ruinzinha com músicas mal-resolvidas, apesar da boa vontade dos músicos. O mais legal dessa banda foi que ela meio que deu o tom do que seria a noite em termos de bom-humor. Ao entrar no palco, o vocalista falou: "nós e a outra banda de abertura, o Opeth, estamos honrados em abrir o show do Calcinha Preta!". No que todos responderam em coro com "Calcinha!! Calcinha!!". Por conta de atrasos, a banda não pôde apresentar seu show completo para não prejudicar o horário do prato principal. E nisso, eles foram exemplares e super-profissionais (ponto para eles!) não ficando lamentando a tirania imperialista das grandes bandas gringas sobre as bandas nacionais que estão começando ou algo do gênero.

Então, com um elegante atraso de 20 minutos, entram os suecos do Opeth. O grande destaque era o monstruoso baterista Axe. Ele que aparece no DVD Wacken Carnage do projeto paralelo de Akerfeldt chamado Bloodbath (recomendo fortemente para os ouvidos iniciados!) e não deixa pedra sobre pedra! Abrem o show com a belíssima música do disco Watershed: Heir Apparent. Não preciso nem dizer que foram muitíssimo bem recebidos pelos presentes, que estavam bastante empolgados. Se não tinha ficado ainda bem claro que o show iria ser acima de qualquer suspeita, eles, sem perder um segundo, já emendam no épico Ghost of Perdition. Essa música foi arrepiante desde os primeiros acordes.

 

Show_ Banda Opeth em São Paulo

 

E por aí foi um desfile de músicas de vários momentos da banda. Rolaram, então, Godhead's Lament, Credence, Hessian Peel, Leper Affinity, Closure, The Night and the Silent Water e o tempo regulamentar foi fechado com chave de ouro pela música que, na minha humilde opinião, é a melhor de toda a história da banda: The Lotus Eater. Depois, no bis, houve uma certa discordância em meio ao público para decidir que música pedir, mas eles acabaram fechando o show com Deliverance, que ficou, segundo conversas posteriores, na memória de todos os presentes. Estranhamente foi um show de 2 horas de duração, mas com apenas 10 músicas! Porém, mesmo com uma média de mais de 10 minutos para cada música, o show passou voando.

 

Mas o que foi mais marcante nesse show foi toda a atitude deles. Primeiro eles são uma banda de um tipo de metal próximo ao extremo, mas eles não são em nada parecidos com que se espera de uma banda assim. Todos os solos são de uma melodia trabalhadíssima onde cada nota parece ser "a" nota e que eles não têm a menor necessidade de se esconder atrás de malabarismos virtuosos. Isso é uma coisa bem difícil, ainda mais considerando o contexto death metal/progressivo ao qual eles se inserem. Em segundo lugar, todas as músicas têm um clima super sombrio e que é facilmente identificável com a imagem da banda. Isso é bastante realçado pelo belíssimo trabalho de harmonia das guitarras / teclado / vocal limpo. Ao mesmo tempo, a voz "suja" de Mikael Akerfeldt é de uma qualidade única. Já vi vários videos no youtube de pessoas tentado, assumidamente, copiar seu estilo vocal.

Em terceiro lugar, mas não menos importante, eles, ao vivo, apresentaram uma atitude de total desprendimento à imagem de metaleiros. Uma prova disso foi que, ao ver todos fazendo o símbolo do metal, criado supostamente por Dio, ele disse, naquela sua voz de locutor de rádio que lhe é tão peculiar ao falar com o público, que isso era coisa do passado e que a banda adotou um novo símbolo, chamado The Hook (“o gancho”). Como se dissessem: "não queremos ser como as outras bandas de metal. Queremos ser nós mesmos!". O engraçado foi ver todos os presentes fazendo o tal símbolo.

E além disso, o bom humor imperava. Antes de mais nada, ele entrou no palco vestindo uma camisa com a foto do Conan, o Bárbaro! Sim! O Governador! Depois, quando a galera gritou em coro "Conan, Conan", ele explicou que esse na verdade era o pior filme que ele já tinha visto e que só veio com essa camisa pois achava o personagem musculoso e sexy! Sempre que alguém apontava uma máquina, Mikael parava e dava tchauzinho para câmera com o sorriso mais mongo do mundo. Houve um momento em que jogaram uma camisa do Brasil no palco com o nome da filha dele impresso nas costas: Melinda. Ele agradeceu imensamente e explicou que sua filha estava começando a jogar futebol e também contou sobre como ele também havia jogado em sua adolescência. Que metaleiro iria parar um show para falar sobre os hábitos esportivos de sua filhinha?? Muito maneiro!

No fim do show, na apresentação da banda, ele ainda zoou os metal-gods da vida quando se descreveu, antes de se apresentar sob a alcunha de "Zico" Akerfeldt, como "vocalista, guitarrista, compositor de todas as músicas, um gênio, possuidor de estrelas sobre sua cabeça" e que "seu ego precisava de muitos aplausos"! E, para a última música, ainda encarnou sarcasticamente algum metal-god pedindo para que o pessoal agitasse tudo que podia!

Conclusão: show absurdamente bom! Faltaram músicas, claro! Cadê, por exemplo, Bleak, The Grand Conjuration e Drapery Falls? Mas para uma banda em que acrescentar mais uma música significaria mais de 10 minutos de show, o tempo ideal de apresentação seria mais de 3 horas. Dito isso, pode-se dizer que, até mesmo pelo tempo reduzido disponível para a banda, o show foi excelente!

 
* Filipe Diniz é um grande fã de rock & metal estando sempre presente nos shows com sua maravilhosa câmera, tirando fotos ainda mais maravilhosas (vide fotos do Queen e do Kiss no Hard Blast). Sabendo que ele também é um bom redator, nós do Hard Blast o convidamos a fazer a resenha do show do OPETH.
Valeu Filipe!
 
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