Durante a semana que antecedeu o show aqui no Rio de Janeiro, fiquei surpreso quando perguntei a vários amigos meus, fãs de Queen, se eles já estavam com o ingresso e obtive a mesma resposta: "Ah, eu não vou. Não tem o Freddie. Vai ser ruim". Intrigado, refleti sobre essa questão e esperei o dia do show chegar.
Chegando à HSBC Arena, de cara encontrei vários outros amigos e matei as saudades da galera sumida. A arena não estava muito cheia, acho que por causa dos preços salgados (R$180,00 pista), o que proporcionou uma noite agradável sem empurrões e trombadas.
O show começou com os tradicionais efeitos de som e luz, marcas registradas dos concertos do Queen, aliados a um mega telão, onde eram mostrados vídeos relacionados às canções e seqüências de fotos da banda. De repente, Dr. Brian May (PhD) inicia os primeiros acordes de "Now I'm Here", que é rapidamente interrompida para dar lugar a "Hammer to Fall". Logo após emendaram "Tie Your Mother Down", "Fat Bottomed Girls" e "Another One Bites the Dust". Apesar das músicas estarem sendo tocadas num andamento mais lento, afinal Mr. Roger Taylor já não é mais um garoto, foi uma bela seqüência de abertura.
Paul Rodgers, como sempre, nos brindou com uma verdadeira aula de como cantar e de como substituir o maior front-man da história do Rock sem perder sua identidade. Afinadíssimo e com um extremo bom gosto no fraseado melódico, ele interpretou as canções do Queen à sua maneira, sem tentativas de se adaptar ao estilo do saudoso Freddie. Sempre gostei do trabalho de Mr. Rodgers e, com esse show, ele subiu ainda mais no meu conceito.
Chega o já tradicional "momento acústico". Paul Rodgers toca e canta a bela "Seagull", do Bad Company. Pena que ninguém a conhecia, pois ao final da canção, eu já estava ouvindo os primeiros "chega, chega... queremos Queen", lamentável. Em seguida, Brian sobe ao palco com um lindo violão de 12 cordas (da marca Taylor, se não me engano) e conversa rapidamente com a platéia antes de iniciar "Love of my Life". Foi um momento muito emocionante, inclusive para o próprio Brian May, que não conteve as lágrimas assim que a música terminou.
Na seqüência, Brian convida Roger Taylor a se juntar a ele num palco menor, no meio da pista VIP, e começam a tocar "'39", uma das canções mais legais do Queen. Aos poucos, os outros músicos vão se juntando a eles com double bass, acordeon, etc. Essa parte do show foi muito divertida e emendou no solo de bateria de Mr. Taylor, que teve direito até a baquetadas no double bass do novo baixista, proporcionando um momento criativo e inusitado.
Ele começou o solo com o mesmo kit utilizado em "'39", um bumbo e um pandeiro. À medida em que Roger ia fazendo seu solo, o roadie trazia mais peças para o novo kit (na ordem: hi-hat, caixa, tons e pratos). Com a nova bateria já completa, ele inicia "I'm in Love with my Car" e segue com "A Kind of Magic", cantando também. Apesar de "A Kind of Magic" ser de autoria de Roger Taylor, foi surpresa para muitos vê-lo cantando-a, pois todos se acostumaram a ouví-la com a voz de Freddie. Mas ficou bem bacana.
Brian May fez seu clássico solo de guitarra, utilizando Delays (ecos) e relembrou alguns temas de sua carreira solo. Tocou também a canção "Bijou", do álbum Innuendo, onde apareceram no telão imagens de Freddie Mercury cantando, como se os dois estivessem em um dueto. A platéia aplaudiu muito. Também foram tocados grandes sucessos como "Radio Ga Ga", "Under Pressure", "Crazy Little Thing Called Love", "The Show Must Go On", além de "Feel Like Making Love", do Bad Company. Mas o ponto alto do show ainda estava por vir.
O palco se apagou e de repente, no telão, surgem as imagens de Freddie ao piano tocando "Bohemian Rhapsody" em um show dos anos 80. As imagens no telão continuam e a banda no palco começa a tocar junto com Freddie até o final do solo de guitarra. Quando entra a seção "operística", uma compilação de imagens da banda é mostrada no telão e na volta da banda na parte pesada da música, quem assume os vocais é Paul Rodgers. No final, há um dueto entre Freddie e Paul, que fez muito marmanjo, inclusive o Sr. aqui que vos escreve, ficar com os olhos cheios d'água. "Bohemian Rhapsody" foi de chorar, literalmente. Uma respeitosa homenagem a Freddie e a sua mais conhecida canção.
O set list termina, mas ainda tem o bis. "All Right Now", do Free, com toda sua atitude Rock and Roll, foi um momento e tanto. E a dobradinha mais tradicional do Rock, "We Will Rock You"/"We Are the Champions", anunciou que estávamos chegando ao fim daquela noite memorável. Novamente as lágimas apareceram e, ao som de "God Save The Queen", hino da Inglaterra adaptado por Brian May, o show chega ao final.
Saí da HSBC Arena feliz da vida. Parecia que eu tinha 14 anos, pois estava vendo a minha banda favorita novamente mais de 23 anos depois. Foram dois shows muito marcantes para mim, em épocas bem diferentes.
A única coisa que digo àqueles meus amigos que não quiseram ir ao show é que perderam um showzaço do Queen, ou melhor, de um "novo" Queen. Não há como comparar os dois momentos, é impossível. O Queen clássico, com Mercury e Deacon, é único e insubstituível, mas é muito bom ver Brian May e Roger Taylor em uma nova fase, junto com um ícone do Rock como Paul Rodgers. Afinal, "the show must go on".
Alexandre BG é um dos melhores guitarristas do Rio de Janeiro e um dos maiores fãs de Queen do mundo.
É uma grande honra para o Hard Blast ter uma resenha escrita por ele especialmente para nós.
Filipe Diniz é um grande fã de rock desde que ouviu Queen pela primeira vez. Sempre dá muita força ao Hard Blast e você pode ler sseus comentários sobre o show em seu excelente blog http://filiped.blogspot.com/ Todas as fotos desta matéria e da galeria de fotos referentes ao show do Queen são de sua autoria.