Hard Blast
   
  Logo Hard Blast
 
   
 
 

Rebellion Festival – Blackpool/Inglaterra

Por: Denis Augusto
fotos: Gemma Eggle

 

Com tantos ótimos festivais acontecendo neste verão no Reino Unido e Europa, apreciadores da boa música não têm do que reclamar: Waken e Bloodstock para os headbangers, Glastonbury para os indies, Reading e Sonisphere para aqueles que curtem um som mais moderno e alternativo, sem contar outros inúmeros eventos de médio e pequeno porte. Mas, se seu negócio é punk, então o Rebellion é definitivamente o lugar certo.

O Rebellion sempre teve uma reputação forte, e finalmente descobri por que. É impressionante como apenas um punhado de pessoas – contando com nenhum tipo de patrocínio – consegue organizar algo tão grande e funcional. Como o próprio Barney Greenway, vocalista do Napalm Death, disse: “O Rebellion tem uma ótima atmosfera, parece com os festivais que se fazia antigamente”.

Rebellion Festival

 
Além das 150 bandas que, em 4 dias, dividiram 5 palcos diferentes, os aproximadamente 5000 pagantes puderam conferir arte punk – incluindo gravuras e quadros a óleo pintados por Knox Carnochan (que também fez um show solo acústico), dos Vibrators – sem falar nos shows burlescos de visual extravagante. Para aqueles que economizaram em bebida para gastar em acessórios e outros bens, vários stands – a maioria com preços acessíveis – vendiam camisetas, botas, saias, piercings, braceletes, fanzines, livros, DVDs, CDs, lingerie, maquiagem, coleiras para cachorros, chaveiros, isqueiros, o que você imaginar.

Infelizmente, perdi as apresentações do Exploited, Adolescents e Subhumans, já que tocaram na sexta-feira, mas sábado e domingo compensaram. Goldblade foi definitivamente um dos destaques, com suas músicas pegajosas e presença de palco típica de uma banda de estádio, já que o vocalista John Robb não parava por um segundo, constantemente interagindo com o público. Músicas como “Do You Believe…” e “Jukebox Generation”, assim como a nova “Riot Riot”, tiveram forte participação dos fãs nos refrões, provando que o Goldblade é uma daquelas bandas que precisam ser presenciadas ao vivo, e não apenas apreciadas em CD.

Anti-Nowhere League também foi um dos pontos altos, com o legendário frontman Animal sendo trazido ao palco numa cadeira de rodas, por uma enfermeira gostosa. Seu “momento Alice Cooper” acabou após uns 2 minutos, quando a intro acabou e a banda disparou “Medication”, de seu último álbum The Road to Rampton, e Animal se levantou e chutou a cadeira para longe. Apesar de todo o set ter sido bom, os punks alucinaram durante “So What”, música que tornou a banda (novamente) famosa após ter sido regravada pelo Metallica.

O duro de escrever sobre um festival deste quilate é que muitas bandas boas deixam de ser mencionadas. Por outro lado, houve também grupos que achei menos interessantes, como os californianos do Chase Longbeach, por exemplo – especialmente quando comentavam algo entre as músicas. Poppy punk e ska, se não forem tocados com toneladas de energia, simplesmente não funcionam num festival como o Rebellion. Mas esta é apenas minha opinião, já que havia um razoável número de pessoas assistindo ao show desta banda em particular – além de outras do mesmo estilo.

Provavelmente a melhor seqüência de bandas no mesmo palco (Arena) foi Napalm Death, seguido por Agnostic Front e Animals. O Napalm Death, como sempre, nos presenteou com um set matador, tocando músicas de quase todos os álbuns. Agnostic Front veio logo após, cheios de adrenalina como pit-bulls de rinha. O guitarrista Vinnie Stigma é sempre um show à parte, com suas breves declarações entre as músicas, dizendo o quanto aprecia a lealdade e amizade dos fãs britânicos. Para fechar o festival com chave de ouro, a nova reencarnação do lendário Animals, dos anos 60, não podia ter sido uma escolha melhor. Contando apenas com o baterista John Steel da formação original – além do tecladista Mick Gallagher (que chegou a substituir Alan Price quando este deixou o grupo em ’66), do guitarrista John Williamson e do baixista/vocalista Pete Barton – a banda tocou um exímio set, recheado de clássicos. Pete Barton é um excelente cantor e fez um ótimo trabalho substituindo o inigualável Eric Burdon. Algumas músicas, como “Don’t Let Me Be Misunderstood”, receberam novas versões, apesar de ainda soarem muito semelhantes às originais. Se a maioria das músicas teve seus refrões cantados pelo público, a última do set, “House Of The Rising Sun”, foi cantada do começo ao fim, trazendo as lágrimas aos olhos de alguns fãs mais antigos.
 
  Untitled Document
Hard Blast 2010