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Nota do Editor:
Olá Rocker!
Eu e toda a equipe do Hard Blast pedimos desculpas pela demora nas atualizações, tenho estado muito ocupada cobrindo os festivais de verão, mas em breve tudo estará de volta ao ritmo normal. Prometemos a vocês fotos exclusivas, entrevistas, resenhas e tudo de mais interessante no estilo do Hard Blast. Também estamos trabalhando com novos parceiros para que o site fique ainda melhor e mais moderno. Em pouco tempo estaremos de volta. Além do Tuska Open Air e do Hellfest, estivemos no Ruisrock, Sonisphere e Ankkarock, então prepare-se! O verão infelizmente está no fim aqui na Europa, mas nosso trabalho com o Hard Blast só está crescendo. Um beijo e stay rock!
Maila
 
   
 
 

Cannibal Corpse - Santana Hall – São Paulo - 21 de fevereiro, 2010

Por: Daniel Croce
Fotos: Daniel Croce
 
Você acredita no amor? Eu, confesso, sim. Acredita que HÁ amor no metal extremo, no death metal? Amigos, SÓ PODE. Porque você certamente precisa estudar seu instrumento TODO dia, praticar TODOS OS DIAS, compor bases, rifes e “melodias” ao mesmo tempo caóticas, técnicas, insanas e que agradem uma MUITO seleta parcela de pessoas que consistem o JÁ SELETO público amante e ouvinte de heavy metal.

E eu não estou falando fanzinho “coxinha” (viu o que são Paulo faz comigo?), o “teacher’s pet”, aquele que vai ao show do Metallica para ouvir “Enter Sandman” e “Nothing Else Matters” e ficar muito feliz com isso, pois afinal, essas eram canções de trova para ele conquistar as adolescentes juntamente com Legião Urbana, Nirvana, Red Hot Chilli Peppers e outras coisas ”tudo a ver”...

É, eu mereço essa gente sequer existir...
Não, amigos e amigas, estou falando de um público que paga ingresso para ver uma das prováveis mais técnicas, ensurdecedoras, distorcidas e extremas músicas que as escalas e acordes pariram no século XX. Ou seja, quem compõe e faz esse estilo, TEM MUITO AMOR pelo que faz e, provavelmente, quem veste (e COMPRA) a camisa, vai ao show, adquire o CD e o DVD, tem igual ou ainda mais essa parcela do mesmo AMOR.

Ah sim, e o Cannibal? O Cannibal É SÓ AMOR!

Mais uma vez, o destino me sorriu não somente com a credencial de repórter, bem como a oferta irrecusável da de fotógrafo, a qual sempre aceito com felicidade e sorriso cheio de dentes. E por acaso, costumo sempre encontrar as mesmas pessoinhas de sempre em solos paulistanos. Mas desta vez, teve um algo diferente. Certamente faltavam uns bons 20 minutos pra começar o show, e prontamente já pude entrar na coxia, o espaço entre a grade e aquela montoeira de pessoas da “front row”, se espremendo na grade, e o palco por si só. O plano “A” é sempre fotografar as 3, 4 primeiras musicas e então, o profissional é conduzido gentilmente pelos seguranças para fora dali.

 

PONTUALMENTE, os 5 psicopatas de Bufallo, New York, adentraram ao palco, com extremo alvoroço dos presentes. Notável eram algumas MENINAS nesta mesma front row. Gente, Cannibal Corpse não é emocore, o que prova que essas gentis moças também têm MUITO amor pra dar. Iniciando o concerto para os bons costumes humanos com as emendadas (acho que já falei que na condição de fotógrafo, isso é MUITO bom) “Scalding Hail” do álbum mais recente, “Evisceration Plague” em seguida, pela lindíssima “Unleashing the Bloodthirst”, de “Bloodthirst”.

Acho que o inferno vinha a terra tanto na minha frente, fotografando e filmando, quanto atrás de mim, com a insanidade que o público demonstrava. George “Corpsegrinder” Fisher, além de possuir um dos guturais mais graves e cavernosos que sequer um primata possa entoar, é um insano que não para de agitar a cabeleira quase momento nenhum quando não esta cant... ops, urrando. Não menos atrás disso, “El patron” Alex Webster, por vias a mente brilhante atrás do Cannibal Corpse, protagonizava a mesmíssima cena enquanto surrava seu baixo de 5 cordas, e tudo levado no dedo, sem palheta.

Cannibal Corpse
 

A eficiente dupla Pat o’Brian e Rob Barrett vive para se esconder atrás de suas cabeleiras, não “bangueiam” muito, mas por favor, eles não estão tocando RAMONES nas suas guitarras. E o outro veterano de mais de duas décadas de banda, Paul Mazurkiewicz (ê nominho), FATO que sai de cena a cada noite com uns 5 Kg a menos, massacrando blasting beats nos seus dois bumbos. Aliás, é comum se achar que o death metal do Cannibal é pressão sonora e extrema full time. NÃO! Como qualquer banda que ajudou a forjar os Standards do death metal americano, do meio-fim dos anos 80, TODAS têm grande influência de thrash e metal tradicional... ou um mínimo de piedade dos seus bateristas... ou ambas as coisas, pois possuem várias partes cadenciadas e “aliviantes”.

Logo após “Murder Worship” e “Sentenced to Burn”, mais uma vez, unidas, pensei: “ mais uma e nem os seguranças vão ser enganados, é melhor aproveitar meu último momento no conforto da fronte do palco”. E não podia ser melhor, pois veio um dos hits imortais da banda: “I Cum Blood”, ou, uma “slang”, gíria, para “eu ejaculo sangue”. É amor demais, só pode...

Bom, quando já pensava que seria gentilmente retirado dali, me enganei, pois não vi nenhuma movimentação suspeita. Bom, vamos indo não é? “Sem tirar de dentro”, nas sábias palavras de corpsegrinder Fisher, vem uma ODE as mulheres, sob a alcunha de “Fucked With a Knife”, pérola encontrada no álbum “The Bleeding”, minha primeira experiência com a música destas pessoas, e o último a contar com o vocalista antigo, Chris Barnes.

 

Cannibal Corpse

E vamos de “Evidence in the Furnace”, “I Will Kill You”, “The Wretched Spawn”, dentre outras. E NADA dos seguranças se moverem, exceto para sim, igualmente com gentileza, capturarem pessoas passando mal ali nas proximidades e as guiarem de volta ao público pelos cantos. Eu não sei se achava aquilo muito bom ou muito estranho, na dúvida, fiquei com a 1ª opção, que era bem melhor.

Era visível o calor absurdo que os nova iorquinos sentiam ali, não só eles, até eu, no frescor de não ser espremido por ninguém e ainda estar me apoiando no palco, também não suava modestamente. Prefiro não imaginar o que sentiam as almas que estavam LOGO atrás de mim. Mesmo amalgamando muitas músicas (e a essa altura pouco importava eu comemorar isso, CERTAMENTE os seguranças não me retirariam, nem a ninguém, mais dali), as pausas para respirar e beber água eram visíveis, no entanto, o set list  recheado de 20 músicas foi cumprido a risca.

Já próximo do fim, para mim e expressão máxima do brutal death que atende por “Devoured by Vermin”, incontestável e memorável vídeo clip da banda, e estreia de George Fisher no grupo, no álbum de 1996 “Vile”, acho que uma das poucas canções do gênero a contar com um refrão, se é que é possível, GRUDENTO.

 

Como fim de show é só paulada, fecha-se com o trinômio para matar de amor qualquer fã: “A Skull Full of Maggots”, única track do debut “Eaten Back to Life”, o “segundo lugar” na sucessão de hits da banda: “Hammer Smashed Face” e fechando, sem bis, sem enrolação, com “Stripped, Raped and Strangled”.

Como acredito que death metal é amor, e feito com amor para o povo, Fisher e Webster não se contiveram e SALTARAM do palco para cumprimentar as pessoas da fila do gargarejo, uns poucos e felizes privilegiados que tiveram suas mãos apertadas. JURO que tentei chamar a atenção deles para me concederem ao menos uma foto cada – já que eu era o “last man standing” com uma maquina ali na coxia – deles com o povo atrás da grade, mas não fui feliz no meu intento, eles simplesmente não paravam ou as pessoas não deixavam. Falhei no meu intento... dammit! =/

Minhas ultimas palavras não são minhas, e sim de um mano que estava logo ali no fim de tudo, esbravejando, com razão: “o metal somos nois, mano, que compramo cd, compramo camisa, pagamo ingresso pro show, tah ligado, rédibanguerrrr mano”. Confesso, até um dos seguranças olhou pasmo e concordou.

Não há duvidas: MUITO AMOR!

O Hard Blast agradece imensamente ao apoio dado a nosso trabalho por Jean Dinasci, Mateus Simões e toda a equipe envolvida da Sobcontrole produções.

 
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