Danger Danger – Revolve: Um Grande Álbum de Hard Rock
Por: Silver
O Danger Danger se formou em 1987 e continua aí, firme e forte. Mesmo tendo muitas baixas em sua carreira, como a queda de popularidade e a saída de integrantes importantes para a história da banda, como o vocalista Ted Poley (que está de volta desde 2004) e o guitarrista Andy Timmons, a banda idealizada por Bruno Ravel (baixo) e Steve West (bateria) se manteve firme e forte por estes 23 anos de carreira.
Lançado em 18 de setembro do ano que acabou de passar - exatamente após 20 anos do lançamento do debut auto-intitulado, que foi grande sucesso nos Estados Unidos (disco de ouro) e Ásia - "Revolve" nada mais é do que uma grande celebração das conquistas obtidas pelo Danger Danger que, com o tempo, mostrou que havia chegado para ficar e que não era uma bandinha qualquer de Hard Rock
oitentista que sumiria após a já citada queda de popularidade, mas agora do "movimento”, dada, principalmente, pela saturação de conjuntos apresentando a mesma proposta e a ascensão do Grunge de Seattle.
Como era de se esperar, já que muito tempo se passou, as composições em "Revolve" se apresentaram bem maduras quando em comparação com os dois primeiros plays do grupo, considerados verdadeiros clássicos do 80's Hard Rock. Nota-se tal amadurecimento, principalmente, na composição lírica: as letras não abordam tanto a insinuação sexual, sempre presente nas passadas. Vale lembrar que o baixista Bruno Ravel assina a produção inteira por conta própria. Na parte melódica, tal diferenciação é notada em quase todo o álbum, visto que as canções tem muito mais do AOR e do tal "Hard Rock melódico" do que o Hard Rock em si, característica reforçada pela presença do guitarrista Rob Marcello. Diga-se de passagem: alguns momentos do play realmente lembram os lançamentos em carreira solo de Ted Poley.
Mas, caro leitor, não vá pensando que a qualidade de "Revolve" cai por conta deste mero fator, que serviu mais para melhorar do que para piorar. Tem-se, aqui, um disco de primeira, que já impressiona logo no primeiro momento. "That's What I'm Talking About" abre o play com muita classe, em um riff matador, uma letra nostálgica e, principalmente, um refrão grudento – marca registrada do Danger Danger.
Dando andamento ao play, o Hard Rock come solto em "Ghost Of Love", evidenciando a ótima bateria de Steve West, mas as pitadas de AOR já começam a aparecer, e ficam mais generosas ainda em "Killin' Love", onde o teclado chama tanta atenção quanto a voz característica de Ted Poley. Mas nada que torne a canção menos digna, pelo contrário.
"Hearts On The Highway" segue a pancada lembrando muito a pegada do Danger Danger do fim dos anos 1980 e do início dos anos 1990, seja pelo andamento visceral ou pela ênfase dada nas ótimas guitarras de Rob Marcello (por sinal, que solo!) e nos backing vocals do refrão. O clima logo é quebrado com "Fugitive", uma excelente power ballad com direito a um calmo timbre de voz utilizado por Poley, além de ótimas linhas de violão e baixo.
Retomando a animação, "Keep On Keepin' On" surge com um ótimo riff, uma letra bem legal e, pra variar, um refrão de se tirar o chapéu, daqueles pra se esgoelar na plateia enquanto assiste a um show do quarteto. A melódica "Rocket To Your Heart" entra em cena, com uma calmaria que é quebrada logo ao cair do refrão. Há de se enfatizar, aqui, as ótimas linhas de guitarra de Rob Marcello.
A nostálgica "F.U.$" aparece para fazer jus aos velhos tempos: além da letra conotativa e com alguns palavrões, como de praxe, os fortes coros cantam em uníssono, em boa parte da música, com Ted Poley, em uma forte batida. "Beautiful Regret" faz a alegria dos mais nostálgicos, com direito a um instrumental estraçalhador.
Novamente o clima é quebrado com "Never Give Up", uma linda balada que remete o ouvinte à carreira solo de Ted Poley. Mas o encerramento é um dos maiores destaques, em minha opinião - "Dirty Mind" dá fim ao álbum com classe, parecendo ser algum lado B de algum dos primeiros discos do grupo.
Rumores sustentam a possibilidade de uma vinda do Danger Danger ao Brasil para uma mini-turnê em suporte a "Revolve", já que Ted Poley se tornou íntimo em terras tupiniquins, vindo, em carreira solo, inúmeras vezes ao Brasil. Enquanto nada disso se concretiza, cabe a nós esperar e continuar curtindo esse ótimo álbum que, com certeza, foi um dos melhores lançamentos de 2009 na verdadeira cena Rock n' Roll.
Nota: 9,5 / 10
01. That’s What I’m Talking About
02. Ghost Of Love
03. Killin’ Love
04. Hearts On The Highway
05. Fugitive
06. Keep On Keepin’ On
07. Rocket To Your Heart
08. F.U.$
09. Beautiful Regret
10. Never Give Up
11. Dirty Mind
Ted Poley – voz
Rob Marcello – guitarra, backing vocals
Bruno Ravel – baixo, teclado, guitarra adicional, backing vocals
Steve West – bateria, percussão, backing vocals