Evergrey, Empürios, Bittencourt Project and Tempestt Carioca Club, Pinheiros – SP 13 de Dezembro de 2009
Por: Daniel Croce
Ainda um pouco meio que ligeiramente MOÍDO do show do The Black Dahlia Murder no dia anterior, dirige-me ao fim da tarde para região do metrô das Clínicas e dali, um pouco mais adiante, para marginal Pinheiros, notadamente no Carioca Club, onde ocorreria o Prog Metal Fest, cujo headliner é o nosso resenhado da vez: Evergrey, tendo como bandas de abertura meus conterrâneos e amigos da Empürios, a carreira solo de Rafael Bittencourt do Angra, BittencourtProject e a banda de hard com influências virtuosas Tempestt, hoje em dia conhecida também por contar com Léo Mancini, atual guitarrista do Shaman.
Confesso que subestimei o estrito cronograma tipicamente paulistano, aliás, fato MUITO plausível, pois tem que se acabar com esse dogma-bagunça de shows serem marcados hora X e começarem de fato X + 3 horas depois e, infelizmente, perdi boa parte do opening act dos meus companheiros de armas do Empürios...
EMPÜRIOS
O show da banda foi realmente curto, mal passou de meia hora, até porque eles foram convidados para tocar no evento igualmente as pressas, menos de 2 semanas do mesmo, que já estava marcado havia uns meses. Porém, notei, e eles igualmente, o nível de recepção do público, de aproximadamente 300 a 400 pessoas, que já estava lá presente naquele momento, não abaixo do MUITO bom e caloroso.
Interessante notar que nenhum cover foi executado por eles, então, nem a desculpa de que foi apenas “por um momento” eu posso usar. Nem sequer o típico sexismo muito recorrente no meio metal, dada a presença das irmãs Decnop: Fernanda – voz, Renata – guitarra, eu posso usar muito a favor deles, pois é de fácil respaldo que quase metade do público presente na casa era feminino. Enfim, a banda venceu por conta própria, pela competência de seus membros e músicas autorais.
Completam a banda Daniel Dobbin na bateria – certamente uma das minhas próprias influências no instrumento, da parte das pessoas que conheço e convivo há mais de uma década, Luíz Freitag no baixo, Marcos Ceia nos teclados e Iuri Alonso, igualmente nas guitarras (de 7 cordas), bem como Renata (alguém aqui ainda duvida que 6 cordas virou brinquedo? XD). Veni, vidi, vici, foi o resultado final para o sexteto carioca, que merece BEM MAIS respeito e atenção da “cena” de sua terra natal.
Logo em seguida, subiu ao palco o já reconhecido mundialmente e que dispensa apresentações, Rafael Bittencourt.
BITTENCOURT PROJECT
Contando com Marcel Cardoso na bateria, Felipe “James Brown” Andreolli no baixo (pois é o homem que mais trabalha no metal paulistano) e Amon Lima (sim, da família lima), no violino, a projeto solo de Rafael Bittencourt vem com uma formação de banda bem suigeneris para os padrões metal. Também não podendo durar muito mais que meia hora, o show da BittencourtProject constou de algumas canções de seu único álbum, “Brainworms 1” e, no fim, um “cover” do Angra, “The Voice Commanding You”, do álbum “Aurora Consurgens”. Quero aqui salientar que foi uma ENORME e agradável surpresa me deparar com Rafael cantando, deveras bem, e um estilo de voz zero por cento “clichê” de metal que, sinceramente, já deu o que tinha que dar, se eu tivesse que me espelhar em alguém para começar a me embrenhar no universo ainda sinistro a minha pessoa do lead vocal, certamente Rafael seria a minha principal referência nacional, vide a belíssima “Dedicate my Soul”. Isso sem mencionar o grande guitarrista e acima de tudo, compositor, que ele é.
Espero ansiosamente um sucessor de “Brainworms 1”.
Em seguida, passando a ligeira impressão de “co-headline” da noite, veio a banda Tempestt.
Formada pelo já anteriormente citado Léo Mancini nas guitarras, o EXCELENTE BJ nos vocais, Paulo Soza no baixo e Gabriel Triani na bateria, predomina o som hard rock da escola do Dr. Sin, porém, como a escola igualmente manda, muita influência de prog rock, prog metal, virtuosismo e afins.
Eu disse que tive a “impressão” deles serem co-headline porque enquanto a Empürios e o Bittencourt Project fizeram shows de pouco mais de meia hora, eles tomaram um pouco mais de uma. Não que isso fosse uma coisa negativa, de modo algum, a banda é impecável, o trabalho de voz de BJ é acima do impressionante, o timbre de guitarra de Mancini é um ”tesão” guitarrístico de se ouvir, apesar das MUITAS microfonias que imperavam, e sim, as músicas próprias dos caras são boas. APENAS não era o dia nem o momento de se impor um set maior, enquanto um nome de bem mais peso como Rafael Bitttencourtacompanhado por outro “Angra” Felipe Andreoli, fizeram um set sucinto, comedido e eficiente. Muitos covers foram executados também, desnecessários para uma banda que já está se firmando como um nome de respeito no cenário hard/heavy (apesar do cover para The Police “Synchronicity II” ter ficado irado XD). Excetuando isso, realmente o Tempestt merece o “hype” que anda recebendo da mídia e público, provando que não precisa se ancorar na presença do seu guitarrista numa banda de “metal melódico de fácil audição para o público adolescente” para fazer sua própria fama.
EVERGREY
Por volta de 21:30 chegou a hora das pratas da casa assumirem seu posto de headline do evento. Quem viu o Evergrey há exatos 4 anos atrás abrindo para o Pain of Salvation, pegou a banda começando sua fase de fama internacional no meio power-prog.
Hoje em dia, com dois discos IMPECÁVEIS em termos de composição, maturidade e produção nas costas, pode-se dizer que eles têm luz própria nessa constelação do metal progressivo. Os quatro suecos: Tom S Englund, Jonas Ekdahl, Henrik Danhage, Rikard Zander e, agora, um nobre senhor finlandês no contrabaixo, que atende pela alcunha de Jari Kainulainen, egresso de “apenas” uma outra banda mundialmente famosa e arroz de festa de Brasil, chamada Stratovarius, pareciam estar num ensaio aberto com uns muitos amigos de longa da banda assistindo, porque era exatamente assim que todos se sentiam, e não, isso não é um fator nem um pouco negativo, até porque nesse dito “ensaio aberto”, a banda não erra NADA, é precisa, cravada.
Eu disse linhas atrás que nosso irmão Rafael Bittencourt seria certamente uma referência de boa voz sem clichês típicos de metal, o qual eu próprio me espelharia para começar a everedar para o lead vocal. Pois é, Tom S. Englund, acho que seria a minha 1ª opção internacional para ter como espelho e influência. ELE, o big boss, É TODA a diferença dessa banda. Evergrey jamais seria metade do que é, passaria sequer metade da emoção que passa, se tivesse um front man “castrati”.
Logo de cara, os cinco cidadãos escandinavos emendaram dois zebus gordos caindo em cima de você, que atendem pelos nomes de “Watching the Skies” e o hit “More than Ever”. Em seguida, numa pausa para falar com o público, Tom, sempre de eterno bom humor, brinca com uma pessoa da plateia perguntando se “há cinco anos atrás” (mas de fato foram 4), ela “era sequer nascida” e entram de sola no seu joelho com “She Speaks to the Dead”.
A audiência ali presente não deixa por menos e responde com os velhos gritos de guerra dos campos de futebol (“olé, olé olé olé, Evergrey, Evergrey”), dando a deixa para o tecladista Rikard Zander zoar “ei, isto aqui não é um jogo de futebol”, abrindo guarda para outra não menos famosa: “As I Lie Here Bleeding”, com a plateia interagindo no clássico refrão “faaaalliiiing”. Acredite, é de arrepiar penugem de qualquer presunto em qualquer geladeira de IML.
Quer chorar mais? Toma “Nosferatu” então, com mais piadinha do Mr. Englund dizendo que se “a gente não gostar dessa, pode virar de costas até ela acabar, mas voltar depois”. É um fanfarrão XD.
Finalmente, dando espaço à primeira canção do álbum mais recente: “Torn”, ele brinca mais uma vez lamentando que “ali ninguém certamente comprou o disco novo, mas eles vão tocar uma nova assim mesmo”. Bom, se ninguém comprou, todo mundo BAIXOU e leu a letra no darklyrics.com, porque tão logo ele começa a cantar, é encoberto pelas muitas vozes dos presentes.
É realmente complicado fazer resenha de um show com 18 canções, onde quase todas são hits em potencial: só posso dizer que ainda constaram no show “The Masterplan”, com a sempre necessária animação do meio-fim, onde as pessoas cantam o refrão com a banda “parada”, a voadora na forma da faixa título do álbum anterior a “Torn”, “Monday Morning Apocalypse”, “Blinded”, outra que todos se esgoelam no refrão, “End of Your Days”, a inesperada e fantástica “Still in the Water”, faixa que quase passa despercebida no “MMA” se você não fizer uma audição mais apurada do mesmo, porém, o mais difícil REALMENTE, é você ir a um show do Evergrey, ser brindado, presenteado com “Words Mean Nothing”, naquele típico momento intimista “voz e teclado” e, em seguida, com a faixa “nó na garganta” que atende por “I’m Sorry”, originalmente um cover da cantora pop curda naturalizada sueca Dilba Demirbag, só que o impacto “evergreyniano” nela quase nos faz pensar que a faixa sempre foi deles. P S: não ouça essa música em momentos ruins da sua vida, o resultado pode não ser legal XD.
Lembra que era um ensaio aberto para os amigos? Quer prova maior que Jonas Ekdahl, batera, indo para a guitarra, trocando de lugar com Henrik Danhage, agora, baterista por alguns minutos?
Passadas outras pérolas, não, na verdade ostras completas do cancioneiro prog sueco, como “Obedience”, “When the Walls Go Down” e “Recreation Day”, o bis é composto pela majestosa faixa de abertura de “Torn”, intitulada “Broken Wings”, e encerrando com aquela velha questão existencial de bandas que possuem hits indiscutíveis: já viu algum show do Iron Maiden sem a música que dá nome a banda? Os Rolling Stones sobem no palco e por acaso não tocam “Jumping Jack Flash”? Não, né gente? Se o Evergrey chega ao fim e não encerra com “A Touch of Blessing”, eles saem sob escolta policial dali, mesmo com 17 pregressos bons motivos para não precisarem disso. Aliás, o nível de maturidade musical, estrutura, canto, ponte, refrão, convenções, etc, já credenciaria a banda como pelo menos no status de “one hit wonder”, só por terem escrito a dita cuja.
Não sem antes comentarmos o “detalhe”, que segunda feira dia 14 de dezembro, dia seguinte ao evento, foi aniversario do “El patron” Tom Englund, então, o mesmo teve direito a bolinho – entregue pela tour manager Heloisa Vidal - e “happy birthday”, cantando em inglês é claro, pelos presentes. Mas que encerramento de show... “mimoso” XD!
Eu, por questões geográficas, monetárias, rodoviárias e outras burocracias, não pude permanecer muito no recinto, então, acabei por perder o “meet and greet” com a banda logo após o show, que sim, aconteceu, fato comprovado pelas VÁRIAS fotos que abundam os sites de relacionamento e mídias digitais por aí. E por essas imagens, posso encerrar meu relato dizendo algo que eu já sabia: o prog deve ser feito PELO POVO e PARA O POVO, e com certeza o Evergrey seria o melhor “ambassador” (grande falta no set list do show do dia 13/12), e melhor ponte entre público e banda, artistas e mecenas de sua arte.
Fica aqui meu agradecimento público ao amigo e irmão Pedro Salles, da banda Avec Tristesse, há dois anos morador de pinheiros, que me tirou de uma enrascada do tamanho da grande SP, e me deu uma carona providencial e salvadora ate o metrô das clínicas, onde pude “baldear” pra linha azul e assim chegar no Tietê a tempo. Pedrão modorrento, I OWE YOU ONE, bro xD
O Hard Blast agradece em especial a tour manager Heloisa Vidal pelo apoio dado ao site através do credenciamento. Muito obrigada!