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Nota do Editor:
Olá Rocker!
Eu e toda a equipe do Hard Blast pedimos desculpas pela demora nas atualizações, tenho estado muito ocupada cobrindo os festivais de verão, mas em breve tudo estará de volta ao ritmo normal. Prometemos a vocês fotos exclusivas, entrevistas, resenhas e tudo de mais interessante no estilo do Hard Blast. Também estamos trabalhando com novos parceiros para que o site fique ainda melhor e mais moderno. Em pouco tempo estaremos de volta. Além do Tuska Open Air e do Hellfest, estivemos no Ruisrock, Sonisphere e Ankkarock, então prepare-se! O verão infelizmente está no fim aqui na Europa, mas nosso trabalho com o Hard Blast só está crescendo. Um beijo e stay rock!
Maila
 
   
 
 

Gamma Ray - To The Metal Tour - Santana Hall, São Paulo, 9 de Maio de 2010

Resenha e fotos: Daniel Croce

 

Pode uma banda 10 anos mais nova dar uma lição de moral e de respeito aos fãs sobre uma 10 anos mais velha, sem virar um pastiche, um saudosismo ambulante, um caça niqueis de shows contando com apenas “clássicos” e nada relevante de material novo, sequer composto, gravado e lançado? PODE! Kai Hansen e seus comandados provaram isso um dia depois do show do Rio de Janeiro e dois depois do show paulistano do Manowar. E eu testemunhei isso, pela 4ª vez nos últimos 11 anos.

Quebrando um certo “encanto” sobre a supracitada casa de shows da zona norte paulistana, Santana Hall, de apenas abrigar shows de metal extremo há coisa de quase dois anos, eis que a nata do power metal germânico parte essa corrente e põe no local o som criado por um certo alemão de Hamburg, o Sr. Kai Michael Hansen, e seus séquitos ao longo dos últimos 13 anos, Dirk Schlächter no baixo e backing vocals, Henjo Richter na outra guitarra/backing vocals e Daniel Zimmermann na bateria. E também fazem 13 anos desde a 1ª passagem da banda durante as ainda mixagens do excelentíssimo álbum “Somewhere Out in Space”, sendo esta a 6ª vez em solo paulistano. Somente algo não foi diferente dos últimos shows de death metal  realizados no local: o horário pouco comum, para ser mais exato, uma matinê.

Confesso que mais uma vez “dei mole”, e perdi a banda de abertura: Chimerah, provenientes de Guarulhos, SP. Não gosto exatamente de fazer isso, pois também gosto de valorizar e escrever sobre o produto nacional, então, fica aqui minhas desculpas ao povo da banda. Porém, as 19hrs em ponto, o playback de “Welcome”, 1ª faixa introdutória do 1º álbum da banda “Heading for Tomorrow”, começa a preencher o salão da casa de shows e, obviamente reconhecida pelos presentes, é acompanhada de um gigantesco alvoroço com a entrada, logo no começo da execução eletrônica da faixa, do baterista Zimmermann. E quando os outros membros, principalmente o “paizão” Hansen, completam o palco, o negócio quase vem abaixo. Impressionante como 20 anos depois sua figura continua icônica, afinal, não apenas é fundador do Gamma Ray mas também do Helloween. Um homem com muitos anos, história e bons serviços prestados nas costas, ao metal, a boa música, rápida e pesada.

 

Abrindo efetivamente com um pequeno hit do álbum de 1999, “Powerplant”, nomeada “Garden of the Sinners”, as vozes do público já sobressaiam a de Kai sem o menor esforço, igualmente seguida por “No World Order”, do álbum homônimo de 2001. E então, a impressionante faixa de abertura do mais recente lançamento: “To the Metal”, intitulada “Empathy”. O Gamma Ray, seguindo a tendência da banda irmã, Helloween, também aderiu a afinação um tom abaixo, como pode ser constatada nesta faixa, ou seja, o velho power metal alemão agora tem mais um mamutezinho extra de peso. É quando veio então “Deadlands”, outra boa faixa do novo lançamento e emendada com “Fight”, do álbum “Majestic”, composição de Henjo Richter, o qual sempre nos brinda com canções bem diferentes nas estruturas da fórmula criada pelo mastermind Hansen, e esta é claro, não foge a regra, além de ter um refrão “carry on, carry on” mega grudento.

 

Então vieram mais duas novas, “Mother Angel”, uma hardzinha para agradar aos fãs do gênero e, aproveitando o ensejo de dia das mães, dedicada a elas, sucedida pela única de Dirk para o disco: “No Need to Cry”, dedicada a morte recente de seu pai, e contando com uma parte cantada pelo mesmo, calma, onde ele senta num banquinho e assume vozes e um belíssimo violão estilo flying V, estilizado por outro gigante alemão, Rudolf Schenker. Aí o fã mais “trintão” da banda se pergunta: “chega né? Tá na hora de quebrar tudo”. Corretíssimo! O quarteto aquece com a intro “The Saviour” e manda ver com “Abyss of the Void”, um dos master hits de “Land of the Free”. Não me lembro de tê-la visto sendo executada nos outros 3 shows que testemunhei, talvez nos 2 que perdi em 97 e 2005, porém, quem se importa, foi como se fosse a 1ª. Ao fim da execução um solo comedido de bateria de Dan Zimmermann, com bastante interação entre plateia e o mesmo.

Então, outro hit para as massas: “Armageddon”, última e longa faixa de “Powerplant”, seguida do clone DESCARADO de “Metal Gods” dos ingleses Judas Priest, que leva o título do novo álbum: “To the Metal”. Sim, impossível não sobrepor ambas as músicas e notar até mudanças de tons e de levadas que arremetam ao clássico de 1980 “British Steel”. Nos últimos álbuns, Kai Hansen se acostumou a mandar umas “bolas fora” como esta e “My Temple”, cópia descarada em alguns momentos de “Sabbath Bloody Sabbath”, e pior, CONFESSA pelo mesmo, como “empréstimo-tributo”. Aliás, é mais que claro que Kai e Ralf Scheepers, ex vocalista da banda pelos 3 primeiros álbuns e há anos no Primal Fear, são fãs ardorosos e confessos do velho Judas. Mas, vamos lá, não é, há um certo limite? Bom, ame ou odeie, ou apenas ignore esses “minority reports”. Mas confesso, acho melhor essa música que a “adolescente-fã-de-manowar” sob a alcunha de “Heavy Metal Universe” proveniente de “powerplant”.

 

Gamma Ray

Vamos para mais dois socos na boca do estomago? Vamos sim! Vamos emendar o carro chefe da banda, chamado “Rebellion in Dreamland” com a seguinte a ela, bem como no próprio álbum, “Man on a Mission”, e ainda vamos dar umas pinceladas da belíssima “Irmã Gêmea” desta própria canção, contida no EP da mesma época de lançamento de “Land of the Free”, chamada - e pouco conhecida – de “Miracle”, e uns pedaços de “Heading for Tomorrow”, a canção, finalizada por um momento solo de Kai e retomando o final da própria “man...” até o fim da mesma, quando então encerra a parte principal do show. Mas não o fim definitivo, é lógico. O bis ainda contaria com a execução sumária e completa de “Ride the Sky”, vinda do primeiríssimo álbum do Helloween, ainda contando com Kai nos lead vocals, composição  esta que se fôssemos decidir uma única representante para o metal germânico, não faria nada feio numa cápsula do tempo daqui há 100 ou 200 anos.
 

Emendada por outra dos áureos tempos de “Keeper of the Seven Keys”, fase já com Michael Kiske nas vozes, vieram “I Want Out”, e não obstante, um SEGUNDO bis, com “Future World”, precedida da muito manjada desde os anos 80  introdução de “In Hall of the Mountain King” ( a peça clássica de Edvard Grieg, compositor norueguês) e então, finalizando com outro hit de “Powerplant”, a já batida “Send Me a Sign”.

Todos visivelmente cansados pelo fim da tour sul americana, ainda ficaram um bom tempo no palco distribuindo palhetas e baquetas, louvando ao público, numa apresentação que teve uns bons 130 minutos de música útil e uns 140 de presença da banda no palco, provavelmente o mais longo show da banda que eu já vi. E realmente, somente lamento a total ignorância do álbum “Somewhere out in Space”, o 1º com este line up, o 1º a trazer a banda para estas terras e para mim, este humilde fã, um disco ligeiramente melhor que o próprio “Land of the Free”. Bastava a execução da faixa título para me deixar radiante de felicidade, porém, prefiram a execução sumária da existência de canções deste álbum para o show paulistano, então, fazer o que não é? Por esse “vacilo”, dou um 9,5 ao invés de gabaritar a avaliação do mesmo. :P

Kai Hansen e Cia sabem que são SEMPRE bem vindos por aqui, e com o nível de álbuns e shows como esse, não vai tardar a voltarem com mais ases na manga e mais momentos sublimes com a noite do dia das mães de 9 de maio de 2010. Hail hail Gamma Ray!

 
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