Iced Earth - Via Funchal - São Paulo - 06 de Fevereiro de 2010
Por: Daniel Croce Fotos: Daniel Croce
Quantos anos mesmo? Para mim, facilmente uns 12. Mais de uma década de espera, desde o “levante do heavy metal americano”, a “retomada” no final dos anos 90, do que seria uma cena, e do que seria um respeito por parte dos veículos de mídia. É sabido que o quase todo dos 90’s não foram bons, alias, péssimos para a prática de metal tradicional e outras muitas vertentes que não fossem alinhadas ao chamado “new metal”. E o mais engraçado de tudo é que TAMBÉM as bandas de new metal, NÃO gostavam de trazer o nome “metal” no rótulo, pois, afinal de contas, eles querem estar na moda, e veja bem, metal não esta mais “na moda”. Ao meu singelo ver, 3 grandes bandas de hoje igualmente de grande respeito e reconhecimento de público, foram responsáveis por ignorar a moda da época, e fazerem o que eles nasceram para: Dream Theater, Symphony X e Iced Earth.
E este último, mais de 10 anos depois de ser parte responsável por essa retomada do “que é nosso”, finalmente nos visita. E digo há mais de dez anos porque é justamente a fase que se começou a importar CDs a preços baratos – antes da grande roubada que foi a alta do dólar por aqui em janeiro de 99 – ou empresas nacionais passarem a ser representantes aqui das gravadoras gringas, tais como Laser Company, Hellion, e houve um grande consumo de música no triênio de 96 a 98, exatamente durante o lançamento de dois álbuns seminais do Iced Earth: “Dark Saga” e “Something wicked this way comes”
E com certeza, havia um pacote de muitas emoções contidas nos últimos 12 anos por parte de algumas milhares de pessoas ali aglomeradas na noite de sábado de 6 de fevereiro, na casa de shows localizada em Vila Olimpia, zona sul de SP. Tive a enorme oportunidade de não apenas ser credenciado como repórter mas também, de última hora, como fotógrafo, o que lhe dá o direito de nas primeiras músicas, ficar de “frente pro crime”, com as mãos e braços se apoiando no palco, de onde o ângulo de grandiosidade de canções “mortais” aos sentimentos incubados ali por anos a fio toma dimensões, com o perdão do trocadilho ao nome do bairro, “olímpicas”. É realmente intimidador ver a figura ruiva, ainda que sem cabelo, enorme, contrastando com a de longos cabelos e barba grisalhas, de Matthew Barlow e Jon Schaffer, parceiros de composição ao quase nível de perfeição e cunhados sob o braço da lei norte americana (Matt é casado com a irmã de Jon). Aliás, por questões jornalísticas, você acaba batendo foto, filmando e prestando alguma atenção na banda que os acompanha, sempre uma “nemesis” para o Iced Earth, pois é algo que muda quase a cada disco e turnê - e não parece que o “patrão” Schaffer se importe muito, afinal, ele se garante, E MUITO – composta no momento pelo já parte da família Brent Smedley na bateria, e pelos novatos Troy Seele na guitarra solo e Freddie Vidales no baixo e backing vocals (visivelmente cantando quase tudo da banda, mesmo nos momentos onde não era requerido, fora do microfone, certamente gostando muito do posto onde está ). Notei a falta de tecladista, e sequer de “samplers” para cobrir alguns buracos. Sinceramente, quando se tem alguém com o poder de ataque vocal do naipe de Barlow e figura mitológica do seu cunhado e dono incontesto da banda ao seu lado, QUEM SE IMPORTA?
Impossível ao resenhar algo sobre o Iced Earth é não ficar PASMO com a voz e o alcance de seu vocalista. Nem sequer tenor o homem é, e acho que ele não foi avisado disso, e se foi, esta pouco se incomodando com o fato, porque a verdade dos fatos é que ele FAZ O QUE QUER com a voz (e faltam DIAS para ele completar 40 anos em março de 2010).
Como falei, a figura de Jon Schaffer impõe respeito pelo teor de liderança que ele emana, e a figura de Matthew Barlow pela incredulidade que ele causa no ouvinte-fã, quando este comparece ao show de sua banda. Acho que não chegaram a avisa-lo que durante os 6 anos em que ele esteve fora, brincando de policia e ladrão, foi substituído pelo outro MONSTRO que atende pela alcunha de Tim “ripper” Owens, não por acaso meu 1º alvo de resenha para este website, e ele sim, um tenor clássico de heavy metal. Sabe deus, diabo, malebolgia, Angela, AL simmons, o que esse homem faz, come, estuda, bebe, cultua ou treina para passear nas oitavas, de um grave cavernoso ao agudo que chega a perfurar seu ouvido, mas ele merecia uma RESENHA SOMENTE PARA ELE, a parte dessa. Mas isso não será possível Xd não hoje XD.
Para quem leu minha resenha sobre Ripper Owens, percebeu que sou grande fã do homem. E confesso que achei enorme injustiça o “nepotismo” do “El big boss” Schaffer, de trazer seu parente de volta quando bem quis e entendeu, por mais que isso felicitasse aos fãs old school da banda, e a eles próprios, é claro. Pior, ele compõe duas partes em forma de dois álbuns muito bons, a continuação da “trilogy of the wicked”, e põe a primeira cantada por um, e a segunda cantada pelo outro. E o Iced Earth não é exatamente o “Ayreon”, onde cada disco é uma seleção de convidados ilustres, e sim, em teoria, uma banda que procura a consistência e solidez. Mas não tem jeito, anos de emoção presas no seu âmago pedem perdão a Owens e falam mais alto, com quem quer gritar pra Matt: “hey, seu idiota, por que você SEQUER saiu dessa banda?”
Como tanto, não poderia ser diferente, o show ser aberto pelas duas faixas iniciais de “The Crucible of Man”: ‘In Sacred Flames” e “Behold the Wicked Child”, mas já de cara emendando com a inquestionável e cantarolável “sing along” faixa de abertura de “Something Wicked this Way Comes”: “Burning Times”, imediatamente unida a outra abertura, só que a do 1º álbum com Owens, “The Glorious Burden”, a MEGA nacionalista “Declaration Day”, mas nem por isso menos emocionante, na qual fica logo de cara provado que Barlow não teme NADA feito por outro vocalista de igual peso do dele. Aliás, isso para quem está ali no front row fotografando é ótimo, pois os seguranças pensam que é a mesma música, enquanto são 3 ou 4 ( lol ).
Excelente momento é ver o chefão assumir os vocais de “Stormrider”, como já é de costume ao vivo.
O show, que nem tão longo foi assim, próximo de totais uma hora e meia, foi o que eu exatamente esperava: um pout pourri de toda a carreira da banda, não enfatizando nenhum álbum em si, porém sempre tocando o que CERTAMENTE é esperado como hit, principalmente dos dois álbuns citados lá no começo da resenha.
Chover no molhado falar sobre “Dark Saga”, ainda mais se você foi fã do Spawn na adolescência. Desafio um fã tanto da banda quanto das comics de Todd Mcfarlane não ouvir “A Question of Heaven” e se sentir na pele do próprio hellspawn Al Simmons. Para mim, foi impossível, o nó veio fácil na garganta, ainda mais ao ver o povo, a massa, cantando as partes femininas que não aconteciam ali ao vivo, porque não havia mulher no palco para canta-las e nem, como já falado, sampler ou teclado para enganar. Fizeram parte dessa celebração também, outras faixas tais como “Ten Thousand Strong” (originalmente por Ripper Owens ), “Dark Saga (a faixa)”, “Melancholy-Holy Martyr”, “My Own Saviour”, “Violate” (com o finalzinho de THE TROOPER de vocês bem sabem de quem), a mais que lógica “Trilogy of the Wicked” na integra, “Dracula”, “The Hunter” e, claro, “Iced Earth” para fechar. O público ensaiou um coro para “Watching Over Me”, houve tentativas de conversas entre os membros da banda com o baterista Smedley, mas ele pareceu não se “garantir” em executar uma bônus track não ensaiada previamente. Perdemos uma =\ .
Minhas ultimas palavras vão, obviamente para o senhor Matthew Barlow, já que não posso dar a ele uma resenha: “companheiro, até faço total ideia do que você sentiu com relação aos ataques de 11 de setembro, mas tenha certeza de uma coisa: o metal e a música, num todo, ganham muito mais com você DENTRO do que FORA”.
O HARD BLAST AGRADECE A MIRIAM MARTINEZ E AO VIA FUNCHAL PELO SUPORTE A NOSSO TRABALHO.