Assim, vamos contar uma breve historinha da evolução do estilo para vocês, leitores: ali para meio-fim dos anos 80, viu-se o alvorecer do estilo que ficou conhecido como DEATH METAL, na Inglaterra, onde os maiores expoentes eram o Napalm Death e o Carcass. Os EUA, lógico, adoraram e copiaram a ideia, mais notadamente em Tampa, Flórida, de onde veio a banda Death, o Obituary, e de NY, o Cannibal Corpse. As bandas inglesas, no começo dos anos 90, deram uma suavizada em seu som, CLARO, eles têm contas a pagar, e, MUITO notadamente, o Carcass nos agraciou com duas obras primas do que agora seria... errr... death metal MELÓDICO? Sim, pasmem os senhores, agora havia ESCALAS, TONS e CAMPO HARMÔNICO nas músicas dos caras e não somente caos. ATÉ REFRÃO era parte da músicas! Falo dos álbuns “Necroticism” e, sem dúvida, o imortal, “Heartwork”, ambos com a presença de um certo sueco chamado Michael Amott, ainda no auge de sua jovialidade.
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A Suécia, pelo visto, se amarrou nos discos e na presença de seu compatriota na bretã banda e, claro, deu sua copiadinha: nascia então o Dark Tranquillity e o In Flames, ambas na ativa até hoje - a última fez um show memorável em fevereiro de 2009 no Santana Hall, em SP. Também veio o At the Gates, mas este teve um triste fim antes do começar do século XXI, voltando recentemente apenas para shows de revival. Quando estas bandas se consolidaram, apareceu outra MUITO competente; o Soilwork, trazendo ainda mais técnica e melodia no que se formalmente nomeia: new wave of Swedish death metal, ou gothemburg sound, ou, apenas o death melódico sueco. Todas as bandas na ativa têm reconhecimento mundial, turnês por vários países (aqui, pela América latina, ainda de modo tímido ), premiações, etc, o que por si só já é memorável, pois não se tratam exatamente da versão sueca metaleira dos Jonas Brothers.
E graças, de novo, a alguma força cósmica – e desta vez aposto no deus nórdico Odin mesmo- os EUA adoraram, melhor, AMARAM esse tipo de som de gotemburgo.
Aí sim, depois de tudo isso, nasceu o metalcore, das cinzas do que a imprensa MARROM americana dizia sobre o metal por lá: “esta morto”. O metal não está morto, eles e que estão! E sim, o KSE é o maior expoente vivo desse estilo, filhote direto da Suécia, neto do death inglês.
Esse negócio de vocalista já entrar no palco botando o dedo indicador em riste e girando em sentido horário, definitivamente, em menos de 24hrs, não faz bem a minha coluna. As pessoas já estavam ali quase chorando, em êxtase religioso, e você transforma o choro em RANGER DE DENTES! Abrindo a noite com “My Last Serenade”; primeiro o playback da intro, e depois, a música de fato. Um furacão de pessoas abriu-se no meio do Espaço Lux e, sem o menor pudor e perdão, emendam a TRAVADÍSSIMA “Reckoning”, do álbum novo auto intitulado, pela segunda vez na historia da banda. Quer mais tijolo na testa? TOMA ENTÃO: “Fixation in Darkness” foi a 3ª da noite e eu, apolonicamente tentando manter a câmera parada e fugindo das rodas de pogo que se formavam igual aos furacões do filme “Twister”: Tá tudo ótimo, calmo e, de repente, PAH!, abre uma menorzinha do seu lado.
Houve no máximo 4 pausas para falar com o público, o que foi suficiente, pois os membros são palhaços do início ao fim, cômicos, saltitantes e outros adjetivos circenses. Howard Jones, um “negão parrudo” em seus 1,80m, muda do modo gutural ao vocal limpo de alcance privilegiado como se tivesse comendo um miojo, mas não é de falar muito com o público, papel delegado ao multi instrumentista, fundador, compositor, co-vocal e O MAIS palhaço de todos: o guitarrista Adam Dutkiewicz (não dá para pronunciar um nome de 10 letras com 6 consoantes...). Os baixos não são muito intrincados, o que faz o baixista Mike d’Antonio fazer todo tipo de malabarismo com o instrumento, o que o torna show man por si só. O outro guitarrista, Joel Stroetzel, faz um estilo mais contido, até porque também é o mais técnico, e o baterista, “sou careca e de barba ruiva MUITO grande” Justin Foley, se vira com um kit MÍNIMO, de UM BUMBO, UM TOM, e dois surdos. Realmente deve preferir pedal duplo a dois bumbos, porque ele é MUITO rápido no que faz; levadas, viradas, blasting beats, tudo com técnica e precisão.
Menciono desavergonhadamente que o nível de emoção e comoção ali era geral: tanto da banda, PASMA pelas pessoas sabendo cantar versos, pontes, refrões ( esses então...), o que levou Mr. Jones a conter uma certa lagriminha várias vezes, quanto do público, constando MUITAS meninas, metade abrindo roda sem parar, metade se esgoelando a plenos pulmões (e eu fazendo bem pouquinho de tudo, para imortalizar o momento na íntegra, como o fiz mesmo).
O show, de fato, revendo ele aqui non stop, foi curto: de música útil teve cravados 60 minutos. Aliás, deve ser de praxe isso no estilo, pois o do In Flames também não passou de 80 min, SEM BIS. A última música do show normal deles, foi a QUASE ganhadora do Grammy de 2004, não, eu NÃO TO BRINCANDO, faixa título do álbum que estreou tanto Jones quanto Foley na banda, o que elevou o nível do grupo em MUITO: “The End of the Heartache”, clip e trilha de encerramento do filme “Resident Evil: Apocalypse”. Essa ai então, Howard não cantou quase nada, nem precisava, a gente fazia isso por ele.
O bis, É LOGICO, pedido em uníssono pelo público, previsibilíssimo até, foi o cover de “HOLY DIVER”, de Ronnie James Dio, que a banda não só regravou de modo IMPECÁVEL, com muita personalidade metalcore/death melódico, como paga um tributo ao gigante do heavy classic, o nosso baixinho Dio. Além de ter gerado um vídeo clip MUITO engraçado, com a cara total da banda, com direito a piada interna onde Howard Jones, como citei, negro, faz o papel de um... “blacksmith” (ferreiro). Pegou o trocadalho? BLACK... SMITH? Essa música ai então, tinha que ser ensinada no primário para ensinar “regras metaleiras de boas maneiras” a todas as crianças e, ao que me consta, cada pessoa ali no Espaço Lux, pelo visto, teve “berço” e boa educação.
O maldito ÚNICO ponto negativo do show é a curta duração e, portanto, a falta de outras canções de porte, tais como: “When Darkness Falls, “Breath Life”, “Unbroken”, “Daylight Dies”, “Still Beats your Name”, “Never Again”, “The Forgotten”.
Eu, facilmente veria um show mensal desses caras, só que nos próximos eu uso um protetor dentário, luvas e capacete e me meto no meio do center of the eye of the storm... sabe como é... a idade... the older, the wiser...
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