Lacuna Coil – Nosturi – Helsinki – 15 de fevereiro de 2010
”Por trás de grandes homens, há sempre uma mulher espetacular”
Por: Maila-Kaarina Fotos: Mikko Hänninen
Se você tem qualquer dúvida a respeito desse ditado, Lacuna Coil pode servir de exemplo para provar que não estou errada. Pegue a mesma banda, com as mesmas músicas, mas tire Cristina Scabbia. O que você verá? Uma boa banda de metal, sim, mas isso é tudo, nada especial. Agora coloque Cristina e deixe rolar: é outra coisa! PERFEITO!
Minha intenção aqui de maneira alguma é reduzir o valor dos outros músicos, jamais! A banda inteira é muito boa, mas é fato que Cristina no palco, junto com o vocalista Andrea, é um algo a mais. O diferencial todo está em sua presença.
Eu diria que Lacuna Coil não é uma banda de músicos virtuosos, e acredito que essa nunca tenha sido a intenção deles ao montar o trabalho, mas sem dúvida todos ali merecem muito respeito. Cada um faz sua parte de forma muito competente e, no conjunto, uma mudança de formação atrapalharia o algo mais que vejo neles: um entrosamento perfeito.
O show foi parte da tour europeia de promoção do álbum mais recente, SHALLOW LIFE (2009), e aconteceu numa segunda-feira na casa de shows NOSTURI, em Helsinki. Por conta do dia ingrato e do frio que estava fazendo, não achei que estaria cheio, mas o que vi foi beeeem diferente. O Nosturi é uma casa de shows de médio porte com capacidade para umas 900 pessoas e estava lotado. Show sold out! (aprendam, conterrâneos cariocas que têm medo de chuva e preguiça no calor!)
A banda de abertura foi a americana Dommin e fizeram um show OK. Vestidos como “bad boys” dos anos 50 “a la James Dean”, eles tocaram um rock moderno com influências de metal e gótico, mas que eu ainda não aprendi a definir (velhice chegando?). Músicas boazinhas, momentos interessantes, bons músicos mas, sinceramente, não me empolgou muito. Talvez numa outra situação eu conseguiria vê-los combinando com o evento, mas o som, para mim, soa influenciado demais pelo “new rock” pós 95, um pouco demais pro meu gosto mais “old school”. No entanto, eles merecem ser checados, são competentes (ao vivo são MUITO mais pesados do que em estúdio): www.dommin.com
Um pouco depois das 22h o momento esperado: Lacuna Coil sobe ao palco ao som de “Survive”, música que também abre “Shallow Life”, fazendo com que todos nós nos sentíssemos realmente vivos. O primeiro a subir ao palco foi o baterista Criz para, então, um a um os outros músicos darem o ar de sua graça até a entrada dos mais esperados: Cristina Scabbia e Andrea.
Mas havia algo errado imediatamente perceptível: a ausência do baixista Maki, por conta de um pequeno acidente junto com Andrea (que estava usando uma tipoia no braço direito). Segundo a explicação do vocalista, não foi nada grave, mas Maki estava realmente impossibilitado de tocar. No entanto, a tecnologia está aí para resolver os problemas e o som estava impecável, a performance da banda não foi prejudicada pela ausência do baixista.
Voltando a um assunto previamente mencionado, algo muito legal de se ver no Lacuna Coil é o entrosamento da banda. É fácil, simples e natural para eles estarem juntos no palco interagindo. Eles usam todo o espaço e quando se olham, parecem entender exatamente o que o outro está pensando. Tudo bem que isso é mais do que esperado vindo de uma banda profissional, mas tem um algo a mais ali, uma atmosfera acolhedora, talvez por conta do sangue latino e da velha e conhecida hospitalidade italiana.
Andrea e Cristina têm no palco uma atitude livre, mostram que estão sentindo as músicas e ambos são muito empolgados e cheios de energia. Mesmo revezando os vocais, nunca deixam o outro só e continuam cantando, sem microfone, agitando a galera. Não tem como ficar parado.
Cristina é naturalmente sexy, não precisa fazer nenhum esforço para isso. Sua voz é poderosa e limpa, não há falhas. Seu figurino também está de parabéns (ela trocou de roupa 3 vezes). Importante dizer que quem dá as ordens ali também é ela, com suas danças loucas, poses engraçadas e falando com a galera.
Andrea é sem dúvida o grande complemento. Sua voz combina perfeitamente com a dela e, apesar dele não falar muito, sua atitude no palco é dez, mega empolgado e sem pose de metaleiro malvado. (Conheci Andrea, Criz e Chris durante um cruzeiro de Estocolmo para Helsinki na noite anterior, muto divertidos, nós até dançamos um pouco de “dance music latino”). Pode soar um pouco estranho usar isso como uma qualidade quando o assunto é metal, mas hey, não há nada para se provar quando se tem personalidade e presença, temos que ser nós mesmos e que fazer o que quisermos da melhor maneira possível. Essa é uma mensagem que vemos claramente na atitude da banda.
O set list foi de uma hora e meia de show, 18 músicas priorizando Shallow Life, claro, e me deixaram muito satisfeita: ”Fragments of Faith” (Karmacode), ”Tight Rope” (Comalies, 2002), ”Senzafine” (Unleashed Memories, 2001), ”I won´t tell you” (Shallow Life), ”Heaven´s a Lie” (Comalies), um dos melhores momentos do show, com todo mundo cantando a letra e Cristina nos pedindo para cantar sozinhos na parte do meio quando ficam somente ela e o teclado. ”Fragile”, ”Wide Awake” (Shallow Life)- o momento top de Scabbia em minha opinião, não por ser uma balada, mas pelo destaque que podemos dar a sua interpretação, que certamente fez com que lágrimas se formassem em alguns olhos. Sozinha no palco vestindo um longo preto, ela cantou a música como se estivesse recitando suas próprias palavras e sentimentos. Muitos aplausos. ”To the Edge” (Karmacode), ”The Maze” (Shallow Life), ”Swamped” (Comalies) e ”Enjoy the Silence” (Karmacode), cover de Depeche Mode em que eles nos pedem para cantar o refrão o mais alto possível, para que possam analisar que tipo de público somos nós. Bem, creio que fizemos um excelente trabalho, o público finlandês é mega empolgado.
Infelizmente o fim estava próximo. Com um bis de 3 músicas: ”Not Enough”, ”Spell Bound” (ambas de Shallow Life) e ”Our Truth” (Karmacode), o Lacuna Coil se despediu.
Foi a primeira vez que tive o prazer e a oportunidade de vê-los ao vivo. Apesar de ser uma grande fã do trabalho em estúdio, penso que é ao vivo que uma banda de rock se faz, é ao vivo que podemos realmente sentir a música e ter certeza de que aquilo é bom. Não há decepção maior do que um show ruim, pelo menos não para mim, sinto até raiva! Mas aqui o assunto é outro, pois no que diz respeito a Lacuna Coil, decepção é algo fora de questão: trata-se de uma banda excelente, com uma das melhores cantoras do momento e músicas MUITO boas.
Foi bem melhor do que eu esperava. Aquela segunda-feira foi impossível de odiar, quem dera todas fossem assim...
O HARD BLAST AGRADECE A MIKKO HÄNNINEN PELAS EXCELENTES FOTOS.
Lacuna Coil é:
Cristina Scabbia – vocal
Andrea – vocal
Chris – guitarra
Maus – guitarra
Maki – baixo
Criz – bateria
Set List:
SURVIVE
UNDERDOG
CLOSER
I´M NOT AFRAID
FRAGMENTS OF FAITH
TIGHT ROPE
SENZAFINE
I WON´T TELL YOU
HEAVEN´S A LIE
FRAGILE
WIDE AWAKE
TO THE EDGE
THE MAZE
SWAMPED
ENJOY THE SILENCE