Nota do Editor:
Olá Rocker!
Eu e toda a equipe do Hard Blast pedimos desculpas pela demora nas atualizações, tenho estado muito ocupada cobrindo os festivais de verão, mas em breve tudo estará de volta ao ritmo normal. Prometemos a vocês fotos exclusivas, entrevistas, resenhas e tudo de mais interessante no estilo do Hard Blast.
Também estamos trabalhando com novos parceiros para que o site fique ainda melhor e mais moderno. Em pouco tempo estaremos de volta.
Além do Tuska Open Air e do Hellfest, estivemos no Ruisrock, Sonisphere e Ankkarock, então prepare-se! O verão infelizmente está no fim aqui na Europa, mas nosso trabalho com o Hard Blast só está crescendo.
Um beijo e stay rock!
Maila
Manowar - Death To Infidels Tour - Citibank Hall, RJ, 8 de Maio de 2010
Por: Daniel Croce
Sem falsa modéstia, acho que neste momento sou a pessoa mais indicada pra resenhar sobre essa turnê brasileira e sul America dos, eer, auto intitulados “reis do metal”. Digo isso porque NÃO sou fã da banda, no máximo, gosto de umas 20 músicas, recolhidas de mais de 10 lançamentos nos últimos 30 anos de existência da mesma. E na condição de não-fã, músico há década e meia, professor há mais de 13 anos, acima de tudo, defensor mortal do heavy metal, do rock progressivo, da música virtuosa, eu posso perfeitamente não “malhar” gratuitamente, destilar todo veneno e ódio que estou vendo nos últimos dias, contra a banda de Joey de Maio e Cia, mas também, que ele e os fãs tenham certeza que não vou perdoar nenhuma falha que eu achar visível.
Estejam preparados então.
Acho que começo parafraseando as palavras do polémico jornalista musical e editor de conceituadas revistas sobre instrumentos musicais do Brasil, tais como “batera”, “cover baixo/guitarra”, Régis Tadeu. O cara com certeza atrai muito ódio e hojeriza a sua pessoa, dadas suas opiniões dotadas de muita polémica, comparações repletas de trocadilhos e chacotas e, no final de contas, quase impositivas: somente o que o cara gosta é que é música e ponto.
Foto: Marcelo Martins
Mas também confesso que 90% do que ele tece sobre o mundo rock, metal e progressivo eu concordo, e praticamente 100% eu endosso tudo que ele fala sobre todo o resto que não se enquadra nestes estilos aqui citados. Ei-lo: "Uma piada ambulante, um Massacration que se leva a sério... É quase impossível definir essa verdadeira vergonha do heavy metal que é o quarteto liderado pelo canastrão baixista Joey DeMaio sem cair na gargalhada. Com uma postura de palco não menos que patética, com canções que chegam a ser hilárias de tão ruins e uma platéia de ogros acéfalos como cúmplices dessa palhaçada, o show do Manowar é o argumento perfeito para quem diz que metal é coisa de quem não tem nada na cabeça a não ser vapor de banheiro. Se você não for um zé-ruela metido a guerreiro viking beberrão, fique em casa e ouça seus discos antigos do Judas Priest e do Black Sabbath que você ganha mais." Régis Tadeu
Nem tanto, Régis, nem tanto, mas estou quase lá também.
Como mesmo alardeei: não sou fã do Manowar, gosto de no máximos umas 20 músicas, porém, numa cidade tão combalida e desprivilegiada de shows como o Rio de Janeiro – outrora uma capital OBRIGATÓRIA na passagem de todas as bandas internacionais, contudo isso mesmo não é culpa delas, e sim da total falta de interesse dos promotores locais e da enorme popularização de uma cultura bandida, permissiva ao uso de drogas, sexualizada, e zero porcento voltada apenas à apreciação musical – ME VI na obrigação, dever cívico para com o heavy metal, de SIM, pagar meu próprio ingresso e testemunhar a 3ª passagem da banda em terras nacionais, e 2ª em termos municipais. E SIM, já estávamos TODOS perfeitamente avisados sobre shows internacionais recentes, de dias , semanas atrás, sobre o provável set list. Mas, a fé costuma conduzir mais que a razão, em termos de raça humana.
Eureka! La estava o 1º show brasileiro em são Paulo, confirmando a tragédia: apenas músicas dos dois álbuns e EP mais recentes, datando 2002, 2007 e 2009. E sim, você já cansou de ler isso em outros veículos no fim de semana dos 3 shows em terras brasilis. O público paulistano, geralmente mais passional com seus gostos pessoais, OBVIAMENTE não perdoou nem um pouco, em sua extrema maioria, achou um mega desrespeito para com um público que ficou mais de uma década sem ver seus ídolos. Aí você se pergunta: ‘mas as músicas novas SÃO RUINS?”. Bom, se você gosta de Manowar, certamente não, claro que há músicas boas, tanto que as pessoas cantavam, gostavam, se empolgavam (o indiferente aqui sou eu, relembrando). Contudo, o tempo vai passando e NADA de OITO álbuns clássicos da banda, compreendendo um período de 1982 a 1996?
Já ouvi de tudo com relação a essa decisão polémica e infeliz sobre a escolha desse set list: gravação de DVD somente com músicas novas e portando “uso” do público latino americano como campo de teste para tal, perda dos direitos autorais das músicas dos oito primeiros álbuns, o que acho ser a razão mais plausível, pois Joey De Maio, baixista, principal compositor e chefe geral do grupo, possui há algum tempo sua própria gravadora e selo de management de bandas, a “Magic Circle Music”, ou seja, provavelmente ele está em batalha judicial contra a Atlantic, Geffen, ou qualquer outro selo que ainda detenha direitos sobre os álbuns. E LÓGICO, seu enorme orgulho o faria jamais contar a verdade nua e crua para os fãs, os quais ele e a banda consideram tanto sua família, seus irmãos. Entretanto, como eu disse, essas são suposições minhas. O que o público, e até mesmo eu, não deveríamos passar por, sim, era por qualquer um desses tipos de constragimento, pois, no fim de tudo, ainda pagamos ingressos e compramos merchandising. Não era para ser necessário estarmos pensando em motivos razoáveis, e sim preocupados em ouvir os hits da banda, novos e velhos.
Foto: Marcelo Martins
O show de são Paulo teve toda ‘papagaiada” de praxe de um velho show do manowar, coisa que é uma das principais causas de eu não ir com os “córneos” deles: a atitude arrogante, auto referenciativa e REVERENCIATIVA, discursos longos em detrimento de MÚSICA. Nem vou citar as vestimentas, porque bem ou mal, ate o Judas Priest continua se valendo de roupas de couro, jaquetas, rebites, pulseiras e spikes (e são um pouco mais velhos que os caras do Manowar), estas as quais, estavam até discretas, se limitando ao couro em si, nas calças. Mas aconteceram os discursos, e pior, a sempre desnecessária cena de se “CONTRATAR”, eer, digamos, “profissionais” do ramo – gostaria de não acreditar que são groupies fazendo o serviço sujo de graça, mas pode ser o caso também, fatalmente – para fazerem strip tease e beirarem a nudez quase completa, além das insinuações sexuais entre elas próprias.
Em outras palavras, ao meu ver, ponto para o Rio de Janeiro, que testemunhou apenas música, nenhum clássico, mas o público manteve o respeito e eu diria até a empolgação do início ao fim. Zero discurso maçante e desnecessário, apenas momentos solos dos membros, o EXCELENTE Karl Logan, muito mais que um substituto aos seus predecessores Ross “the boss” e David Shankle, e sim um achado de técnica, bom gosto e feeling que exacerbam apenas ao nicho heavy metal, e ah sim, claro, do próprio dono, Demaio, e seu baixo “Piccolo”, na verdade, quase guitarra. Tá, ok, ele precisava de ao menos uma ou duas cenas para protagonizar, como nos momentos que insinuou para, espero, moças da platéia perto a grade, que gostaria muito de copular com elas, através de gesticulação típica.
Foto: Marcelo Martins
O vocalista Eric Adams, obviamente não exibe a mesma forma e fôlego de outrora, mas fez seu trabalho MUITO bem, não notei falhas graves, as quais eram comuns em shows anteriores de sua banda. É notável que as músicas dos álbuns novos estão afinadas mais graves que o eterno “mi menor” que permeava as canções da banda até o fim dos anos 90. Seria essa a desculpa para não haver canções de eras passadas: ele não conseguir mais cantá-las nos tons originais? Não quero crer. A agradável surpresa foi ver o muito bom e técnico batera original do 1º álbum “Battle Hymns”, Donnie Hamzik, visualmente bastante melhor que o “duraço” Scott Columbus.
Este show, na grande verdade, tinha TUDO para ter dado certo em terras cariocas, se houvesse uma reconsideração de set list, pois seria praticamente 100% focado na arte, e não no “poserismo”, e isto sim, seria um amadurecimento das pessoas da banda e de seu próprio público.
E como falei, muitas músicas novas não são ruins, pelo contrario: “Hand of Doom”, “Call to Arms”, “Swords in the Wind”, “Let The Gods Decide”, “Die For Metal”, “The Sons of Odin”, “Sleipnir”, “Screams of Death”, “God or Man”, “Loki”, “Thunder In The Sky”, “Warriors of the World”, “House of Death”, “King of Kings”, “Army of the Dead”, não são faixas ruins, muitas delas, igualmente equilibradas com outros grandes e imortais clássicos da banda, equilibrariam o show e se fariam ser ouvidas com muito mais atenção e respeito.
E ai eu pergunto: cadê “Battle Hymns”, “Metal Daze”, “Manowar”, “Secret of Steel”, “Gates of Valhalla”, “All Men Play on Ten”, “Kill with Power”, “Blood of My Enemies”, “Black Wind Fire and Steel”, “Kings of Metal”, “Hail and Kill”, “Metal Warriors”, “Return of the Warlord”? Isso somente para citar as que realmente gosto e de fato, são pedidas incontestáveis dos fãs. Bom, no meu bolso é que não estão.
Que vergonha, Manowar...