Maquinaria Fest 2009 - Duff Mckagan’s Loaded, Dir En Grey & Evanescence São Paulo, 8 de novembro de 2009
Por: Daniel Croce
Infelizmente não pude estar presente no dia anterior do evento, o qual também contou com nomes fortes e de literal PESO, que poderiam facilmente figurar uma resenha para este site: Faith no More, Deftones e Jane’s Addiction. Mas, são águas passadas, não? Vamos ao que interessa, ou seja, ao que este par de olhos testemunharam para vocês.
Na sua 2ª edição – eu mesmo estive presente na 1ª, ano passado, com antológicos shows de Biohazard, Suicidal Tendencies, The Misfits, além dos já sempre arrozes de festa Sepultura e Ratos de Porão – o Maquinaria Fest não nasceu especificamente para ser um festival de metal, longe disso, aliás, isso é reforçado pelo cast “tudo junto e misturado”, não importando o dia e a hora, nem a faixa etária. No referido domingo 8 de novembro, pisaram no palco principal as atrações: DUFFMCKAGAN’S LOADED, DIR EN GREY, PANIC AT THE DISCO e EVANESCENCE. Sinceramente, por não gostar nem um pouco e por não se encaixar em nada na proposta deste site, nem passei perto do show do Panic at the Disco, sorry folks. XD Já as outras bandas, vocês vão ler o que sucedeu por aqueles lados da extrema zona oeste de SP.
DUFF MCKAGAN’S LOADED:
Subindo no palco ainda bem de tarde em horário de verão, o dia abriu bem com a presença da “outra banda” do ex-baixista da formação clássica e original do Guns and Roses, e, atualmente, Velvet Revolver: o senhor Michael Andrew “Duff” Mckagan. Tive que fazer uma pesquisa internética de campo para descobrir que esta banda já existe há bastante tempo, desde 1999. Um curioso fato, talvez engraçado, é que o 1º álbum deles é AO VIVO, por causa de fatores legais e comerciais da gravadora dele na época. E tão logo foi lançado, a banda se desfez, voltando em 2000 e gravando, de fato, um álbum de estúdio, em 2001. Depois, novamente um enorme hiato até o lançamento de um EP em 2008 e um full lenght de estúdio em 2009.
O som da banda não é diferente do que você esperaria vindo de Duff: hard rock com pegada punk, sleaze rock.
E assim não deveria ser diferente, mesmo, é o que o cara sabe fazer bem. O vocal de Duff não é aquela “Brastemp”, mas empolga, você identifica de cara, e isso é bom para a identidade de uma banda: sabe-se perfeitamente que front men tais como Ozzy Osbourne, Vile Vallo, Dave Mustaine, não são grandes cantores, mas simplesmente suas bandas não funcionariam nem seriam a mesma coisa sem eles lá.
Boa parte do set list foi embasado em seu álbum mais recente: “Sick”. Além de um apanhado de músicas dos dois 1os e do EP Wasted Heart. O público não era exatamente composto de hard rockers em sua maioria, aliás, longe disso, e sim de adolescentes esperando ver o Evanescence e, uma outra boa parcela, querendo ver o Dir en Grey, os aplausos eram mais por educação do que por entusiasmo. Porém, no começo da 2ª metade do show, Duff e banda dispararam duas músicas clássicas do G’n’R: “So Fine”, cantada inteiramente por ele no original, e “It’s so Easy”, onde ele dobra a voz quase toda a canção com Axl Rose. Ai sim, o público um tanto apático esboçou reação. É cabível salientar que nesta 2ª metade, Duff, que até então era guitarra e vocal na banda, assume o baixo, passa a guitarra para o baixista, e agora guitarrista, Jeff Rouse, e permite que este cante algumas canções, extremamente bem, ousando até mesmo perguntar por que ele de fato não é o lead vocal da banda XD.
Foi um show curto de menos de uma hora, porém eficiente.
DIR EN GREY:
Mal os caras do Loaded saíram do palco, gritos pela nipônica banda já ecoavam pela pista vip e pela frente da pista normal. O que me deixou entusiasmado, pois foi por causa deles que mais me dispus a assistir o festival no seu segundo dia.
Já perto de anoitecer, os 5 cidadãos de Osaka começaram o massacre sonoro, com MUITA ênfase nas músicas mais new metal/death deles. O vocalista Kyo é o demônio, um “akuma” em bom japonês: canta limpo, em falsete, dá agudos limpos, guturais rasgados e agudos, faz o que quer com a voz. Quem conhece um mínimo de Dir em Grey, sabe que ele “falhava” bastante ao vivo, mas não foi isso que eu testemunhei, o cara realmente melhorou MUITO.
A banda, até mesmo por questões de postura do movimento visual kei, que foi de onde eles vieram, gosta de se comunicar pouco com o público, faz parte a atitude blasé, meio anti-social até, o que não impediu de algumas centenas de pessoas de cantarem, sim, em JAPONÊS (meio falho, é claro ^^), pularem, abrirem rodas de pogo, e se sentirem totalmente hipnotizadas pelo quinteto. O baixista Toshiya estava claramente se divertindo com aquilo tudo, usando um traje preto, saiote, portando seu instrumento com o braço do mesmo quase na vertical, uma pose típica das bandas de new metal, groove, “pula pula”. Aliás, como esse homem pulou no palco...
Dos guitarristas, o mais simpático e sorridente para com a plateia era Die, em contrapartida, Kaoru era mais introspectivo. E Shinya, ali atrás da bateria, descendo o “sarrafo” sem perdão nenhum.
Para quem gosta da versão mais atual da banda, dos últimos 3 álbuns, foi um prato cheio. Quem esperava as músicas mais radiofônicas, as baladas e afins, talvez tenha se decepcionado um pouco, mas o saldo da vinda da 1ª realmente GRANDE banda japonesa em terras brasileiras foi extremamente positivo, valendo até de uma volta num show somente deles, e não uma quase amostra grátis de uma hora de duração. Que voltem mais vezes e que tragam outras com eles.
EVANESCENCE
E lá estava a real e mais esperada atração da noite: a banda de goth industrial metal liderada por Amy Lee. Confesso que quando eles apareceram no mundo, lá pelo ano de 2003, eu gostei do som, pois foi a prova clara que os EUA OUVEM METAL sim, e com certeza a versão tipicamente europeia e gótica, com a sempre presença de vocais femininos. Só que no decorrer daquele ano, a fama da banda foi crescendo, empurrou a fama do Nightwish junto, e, de repente, virou lugar comum um monte de menininhas gostarem desse tipo de metal mais “pop” e “teenage-friendly”, e, sinceramente, eu já não tinha mais idade praquilo XD.
Minha 1ª experiência com a banda foi em abril de 2007, e confirmou-se o que eu já achava anteriormente: a banda não me empolga muito ao vivo, meio que já passou a fase, já estava com o som datado... Mas AINDA BEM que não foi isso o que vi dia 8 de novembro. Não sei o que sucedeu com a Srta. Lee, mas ela pareceu mais a vontade no palco, pois é sabido que ela tem meio que uma aversão a shows ao vivo, o que se torna uma contradição para o universo rock, pois uma banda literalmente SE FAZ ao vivo.
Em primeiro lugar, notei que não era mais o pedreiro Rocky Gray na bateria, o cara que me fez achar o show de 2007 um pouco menos “sacal”. O batera novo tem um visu mais “Mauricinho”, em contrapartida aos muitos quilos a mais e à pose metal do seu antecessor. Will Hunt, na 2ª música, afastou qualquer desconfiança minha, pois o sujeito além de ter mão pesada, comandar dois bumbos precisos, é MUITO empolgado tocando, o faz solto, gira baqueta com as duas mãos, joga os braços para o alto, um verdadeiro poser como qualquer batera de rock e metal deve ser XD. Acho que os “quilos a mais” de Gray, no fundo foram uma limitação para ele XD.
Mantém-se na banda como parceiro de composição de Amy Lee, o guitarrista Terry Balsamo, na ativa desde o ano de lançamento mundial do Evanescence, em 2003. Completa a banda o baixista Tim Mccord, desde 2006, e o session musician James Black na outra guitarra. Com apenas dois álbuns estúdio oficiais nas costas por uma grande gravadora, o set list realmente não é muito lá dos mais longos, mal atingindo uma hora e meia. Mas confesso, foi pouco cansativo e bastante eficiente. Os hits padrão estavam todos lá: “Bring me to Life”, “Going Under”, “Call me When You’re Sober” e a minha favorita; “Lithium”, que possui atmosfera MUITO doomzona, e quando entra aquele si bemol gravíssimo depois da intro voz e teclado, o chão, junto com seus órgãos internos tremem todos, muito bom (parece até banda de macho XD). Importantíssimo ressaltar o público feminino de, aliás, VÁRIAS idades ali presente, não só menores de idade “começando a ouvir rock e metal ontem”. Realmente, confirma a minha teoria que, mesmo com caravanas de boa parte do país, São Paulo é outro nível em termos de equilíbrio meio a meio de ambos sexos nos shows de bandas pesadas.
Amy Lee, claro, é a estrela da noite, da banda, do palco, cantando muito bem, comandando um piano de cauda volta e meia. Não é muito falante, parece que todo seu discurso é decorado - e de fato deve ser – vindo daí a questão dela não gostar muito de “live performances”. Mas não deixa nada a dever na questão da sua voz, nivelada ao patamar das suas principais influencias como; Sharon den Adel (Within Temptation), Cristina Scabbia (Lacuna Coil), e uma pontinha de Sarah Brightman aqui ou acolá. E com um novo álbum de estúdio agendado para 2010, vamos ver se a banda mantem o pique, ou se leva mais alguns anos para fazer algumas meia dúzias de shows...