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Metallica  - Brazilian Magnetic Tour
Porto Alegre Jan 28 / São Paulo Jan 30 e 31 2010

Por: Daniel Croce
Fotos: Filipe Diniz

 

Eu acho que minhas primeiras palavras para este relato devem começar falando sobre uma coisa que é, de fato, positiva para o ser humano, ainda mais depois que ele atinge a maturidade: o perdão. Escrevo isso sob a noticia que Dave “Jr.” Ellefson retornou ao seu posto de baixista do Megadeth, por que não, a metade “icônica” da banda que escreverei para vocês agora. Se Dave Mustaine perdoa seu antigo baixista, e perdoa seus antigos membros do começo do anos 80, quem somos nós, meros mortais, para não fazermos o mesmo.

O Metallica, com seu álbum de estúdio mais recente, “Death Magnetic”, vem para terras tupiniquins para ratificar o perdão dos seus fãs: eles pedem quase de joelhos, e nós, povo civilizado, comparecemos em peso aos seus concertos para dizer um enorme SIM a esse pedido de desculpas. Desculpas pelas musicas ruins de “Load”, “Reload” e St. Anger” (que têm SIM, seus bons momentos, mas num todo, ferem nossa inteligência), pela verborragia desnecessária (com direito a corte de cabelo de banho de loja ) (plus, getting their hair done and shopping “sober”, expensive and fancy clothing ) na segunda metade dos anos 90, dizendo sandices tais quais “metal morreu”, “odiamos heavy metal”, tudo para ficar dentro dos conformes da moda vigente (Vocês que não lembram destas palavras?

 

Desculpem-me, eu tenho 30 anos e ainda um adolescente raivoso dentro de mim: EU LEMBRO!), o processo contra o Napster – o qual, por incrível que pareça, EU COMPREENDO, visto que internet e compartilhamento gratuito de músicas eram algo 100% novo em 2000/2001, e sim, na condição de músico e membro de banda que sou, eu também me preocuparia em ver meu esforço e arte virarem esmolinhas – o qual provou que a banda parecia estar interessada em “nothing but the money”, como se eles já tivessem POUCO; a lavação de roupa suja patética, ainda que engraçada e antropologicamente válida em “Some Kind oof Monster”. Pois sim, Metallica, eu e mais uns outros bons cem mil cidadãos brasileiros PERDOAMOS VOCÊS.
Agora por favor, disparem metal de macho para gente XD

Fui um dos poucos privilegiados, creio eu, que não pensou duas vezes: “eles vão fazer 3 shows em locais distantes? Não me importa, IREI NOS 3, não vou me perdoar se perder uma ÚNICA música sequer”. E não, não estou tecendo uma critica a quem não pôde comparecer aos 3 shows, visto que foram um em porto alegre, rio grande do sul, no extremo sul do país, e dois em São Paulo. Se formos nos ater somente nos estados sul e sudeste do país, já seria um gasto para outros 5 deles: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina e Paraná, quer seja com ônibus interestadual ou avião. Ou seja, já não é tarefa das mais fáceis, demanda dinheiro e paixão pela banda. Congratulo a todos que puderam, ao meno, comparecer em UMA destas celebrações de perdão, porque certamente não foi fácil, nem barato.

Para mim então, nem se fala. Nós fomos parte do que James Hetfield chama de “família Metallica”.

Eu não posso escrever sobre CADA show separado, duraria páginas e páginas, mas também não posso escolher um só, seria injusto não comentar sobre todas as posturas de palco e todas as músicas em todos executadas. Aliás, QUE MÚSICAS! Muitos, e eu digo MUITOS, clássicos do passado, coisas até impensáveis para uma banda que se tornou, ao menos assim ela demonstrou ter se tornado, “corporativa e pop demais”. Metade do álbum “Kiil’em All”, mais da metade do “Ride the Lightning” (o favorito deste aspirante a repórter), são somente alguns exemplos dos que os 4 padrinhos e decanos do thrash metal da bay área de São Francisco estavam dispostos a nos presentear. Querem a prova? Todos os shows foram abertos com “Creeping Death” e encerrados com “Seek and Destroy”. E o material tocado entre estas duas canções não eram exatamente somente do “Reload”, “Load” e “St anger”, aliás, estes dois últimos aqui citados PODEM ESQUECER, nada foi executado deles. E somente as duas faixas mais significativas do primeiro: “Fuel” ( EXCELENTE, e com a velocidade triplicada ) e “The Memory Remains” (onde o coro das muitas mil pessoas substituindo o patético “lalala” transformou-a em outra canção).

 

O grande “grosso” das músicas eram o mesmo nos 3 dias: as citadas abertura e encerramento, o “fim do set normal”, antes do bis, sempre contando com “Nothing Else Matters” e “Enter Sandman” – duas musicas que, coincidência ou não, as pessoas que menos aparentavam fazer parte da “família Metallica”, nas atitudes para com as outras músicas e até nos trajes, entravam em alvoroço pleno... bom se somos a família Metallica, estas são os primos muito distantes. A emblemática “One”, as novas provenientes de “Death Magnetic”: “That Was Just Your Life” e “The End of the Line”, aquela que James SEMPRE pergunta se você quer mais peso, então TOMA mais peso: “Sad but True”, e claro, o tiro na nuca sob o nome “Master of Puppets”. O resto meus amigos, era sempre um deleite diferente, uma nova surpresa agradável noite após noite. “For Whom the Bell Tolls” estava lá, duas vezes, “Ride the Lightning” idem, minha favorita do álbum novo, ”Broken Beaten and Scared”, uma vez só, mas o suficiente para me felicitar, e pinceladas de outros socos no nariz, como “Battery”, “Blackened”, “Harvester of Sorrow”, aqui e acolá.

 

E o que dizer sobre “Fade to Black”, a primeira e madura balada deles, lançada mal um ano depois deles bradarem aos ventos que jamais fariam “baladas ou videoclips”... aiaiai Metallica, sempre se traindo pelas suas próprias palavras XD. Quem foi, é, ou será meu aluno de guitarra, SABE (u que fique sabendo agora XD ) que aprendeu ou aprenderá a estrutura e principalmente o solo da introdução desta faixa do Ride the Lightning. Ela é Metallica no seu melhor momento... apesar de concordar que “Nothing Else Matters” é a metal ballad definitiva.

Individualmente, cada membro possui características bem distintas e marcantes: Hetfield há anos poliu seu estilo de voz, execução de guitarras bases lendárias e precisas, um ou outro solo mais “melódico” que lhe é característico (vide o final lead em nothing else matters), Kirk Hammet se “reencontrou” com o seu clássico estilo speed metal de fazer solos, mesmo não sendo um virtuose do instrumento, e mesmo até hoje, continua ganhando seus momentos de spotlight sozinho durante o show. É aquela coisa: a um músico ele não engana, mas a plateia é composta de 90% de não músicos, e mesmo um abaixa a cabeça para a história e a influência que este homem tem sobre nós, eu incluso. Robert Trujillo, egresso de bandas como Suicidal Tendencies, Ozzy Osbourne, Black Label Society, é e continuará sempre sendo o mesmo rei do grave, fanfarrão, e postura ogra-homem das cavernas, com seu visual agressivo, cabelo negro liso enorme de índio cherokee, e agora ocupa o papel de fazer os backing vocals antes seguramente feitos por Jason Newsted (aliás, este era famoso por cantar inteiras, músicas como “Creeping Death” e “Seek and Destroy” ). Bom, e Lars Ulrich? O falastrão e dinamarquês baterista é sem duvida, o inimigo NÚMERO UM do metrônomo e da divisão de compasso. Mas, quem se importa, isso fica TÃO charmoso no Metallica, que em estúdio você chega achar a banda irreconhecível, e ao vivo SIM, você aponta e diz: “sim, ISTO é o Metallica”. Mas assim, poxa Lars, décadas se passam e você continua não usando PRATO DE CONDUÇAO no seu kit?! Quer um 22’ Z custom zildjian de presente de páscoa? XD. Muitos pontos para ele, no entanto, no quesito velocidade de bumbo duplo, que mesmo com tantas variações, não acho que comprometeu em algum momento. Provavelmente essa inconstância dele já foi tema de muitos “DR’s” para a banda, e acho que o meio termo para o time continuar junto foi exatamente admitir que o cara É assim, e é bem melhor com ele do que sem.

Agora, meus amigos, é pacientemente esperar por um novo álbum de estúdio dos 4 bandidos, e contar com a boa vontade dos produtores e tour managers de fazer um ícone destes passar por mais capitais no futuro, e não apenas uns poucos privilegiados. Sei que não tem nada a ver com a postura DELES, até porque o mercado da música “major” é assim mesmo: não é você, músico, que apita nesta parte burocrática, mas nunca também é demais lembrar aos quatro, o lugar de onde eles vieram, como eles eram, pelo o que eles passaram no começo, e como eles ascenderam. Ate onde sei, família ajuda família.

 
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