O primeiro, eu já relatei a vocês, basta ler a resenha já publicada neste site sobre o show do Ripper. Vamos ao segundo.
Contrariando TUDO que eu pensava que iria acontecer, o Stratovarius, pontualmente subindo ao palco as 21:30 – afinal, o show era em Moema, não tem metrô exatamente por perto e já viu como é a situação após meia noite/meia noite e meia: se você não estiver motorizado, morrerá num dinheiro em táxi ou voltará a pé – deflagrou uma saraivada de clássicos desde o álbum “fourth dimension”, ou, a estréia de Timo Kotipelto na banda, até o mais recente “Polaris”, primeiro sem Timo Tolkki e a contar com o novo talento da guitarra virtuose: Matias Kupiainen, de apenas 26 anos.
O show começou com a épica “Destiny”, do álbum de mesmo nome, o sucessor do grande auge da carreira da banda, ”Vsions” e, sem perder o gás, socaram outro hitzinho, “Hunting High and Low”, desta vez, do sucessor do Destiny, “Infinite”.
Como se a banda propositadamente quisesse ver o circo pegar fogo, não perdoaram e executaram a rápida e virtuosa “Speed of Light”, do disco “Episode”, que marca a entrada da dupla não finlandesa na banda: os decanos do metal germânico e sueco, Jorg Michael e Jens Johansson, cada um hoje com seus mais de 25 anos de bons serviços prestados a música, tendo mais álbuns gravados com “todo mundo” que você sequer possa contar se juntar os dedos dos pés e das mãos.
Lembra que Timo Tolkki, anos atrás, levava este pequeno clássico igual “a cara dele”, já não reproduzindo mais os detalhes virtuoses da música? Pois é. Matias faz todos eles como se estivesse passando manteiga num pão. Aliás, tudo nesse garoto é bom: pegada , precisão, timbre, só a presença dele que ainda é um pouco tímida. Nada que umas cervejas até que complete 30 anos de idade não mude...
Logo após essa primeira trinca de músicas feitas pra você chegar de voadora no seu semelhante, algumas palavras de Kotipelto ao público (que não era lotado na casa mas certamente estava adorando estar ali) para, então, dar início a outro clássico: “Kiss of Judas”, que faria até o mais revolto fã antigo de Stratovarius se dobrar. Logo em seguida, a estréia da faixa de abertura de “Polaris”, a ótima “Deep Unknown”, composição do vocalista com o novo guitarrista, onde se nota claramente que o estilo do calouro da banda é bem diferente do seu antecessor.
Após mais uma seqüência de músicas como “Twilight Symphony” (e aquela lagriminha marota que eu NÃO deixei escapar do olho direito, hehe), “A Million Light Years Away” (ou o plágio de Roberto Carlos, risos) “Winter Skies” (também do álbum novo).
Lá para o meio do show, acontece um duelo dos “garotões da banda”, o já citado Matias e o baixista Lauri Porra (sem zueira, por favor...). Enquanto um sorve um gole de Skol, o outro “DESCASCA” suas qualidades no instrumento e assim acontecia o troca troca de duelos até que Porra ( não, cacete, eu NÃO tô xingando o cara!), finalmente, fica sozinho no palco parecendo estar possuído pelo espírito de Billy Sheehan.
Devidamente avisado nas prévias tours de 2005 e 2006 em terras tupiniquins, que seu nome, eeer, é um tanto quanto sui generis por aqui, para que lutar contra um time que não se pode ganhar, né? A cada série de solos, arpejos e slaps, o homem berrava em alto e bom som “QUE POOOOOORRA!” (agora sim, você pode zoar ele a vontade).
Dado esse descanso aos coroas da banda, vamos para mais pérolas do power metal finlandês, tais como “Paradise”, “Eagleheart”, “Phoenix”, a ótima e rápida nova “Higher we Go”, também composição de Kupiainen com Kotipelto.
Para o bis, a inegavelmente bela e obrigatória balada “Forever”, que dispensa comentários e sequer a voz de Timo Kotipelto, uma vez que TODOS no recinto sabem cantá-la de cabo a rabo. Pra finalizar, a geradora de mosh pits “Father Time”, um momento solo de Jens Johansson, provando que não se brinca com um tecladista de formação clássica e, claro, ai deles que não toquem isso, “Black Diamond”, música que é só sucesso até em rádio de funk e pagode se duvidar (nooooot!).
A banda, obviamente de alma lavada, vendo que ainda resiste nessas terras, sempre faz o momento final dos seus shows colocando o povo pra contar até 4 em SUOMI, finlandês: yksi, kaksi, kolme, nelja!
Fica aqui minha dica ao irmão timo Kotipelto: chega de fazer vozinha de castrati wanna be, né? Claramente você não alcança mais esse tipo de tom e cantar assim nem é muito mais necessário no metal hoje em dia. Seu alcance ainda é notável e ótimo em todos os outros momentos. À dupla de garotos e à de veteranos da banda, Matias e Lauri, Jorg e Jens, esses parecem que não têm décadas de idade separando-os entre si, e sim, é como se fossem velhos amigos detonando aquele “roque pesado” desde as épocas de colégio. Parabéns a todos, vocês são um setor instrumental de dar medo (no meu caso, tenho medo 4x, porque me meto a ser o que vocês quatro são).
Maldita ironia do destino, tive que repensar as duas resenhas publicadas...
Até mais!!!
O Hard Blast agradece a produção do Stratovarius, Luciana Stabile e ao Citibank Hall (São Paulo) pelo credenciamento que nos proporcionou a cobertura do evento. |