Stratovarius – Klubben - Estocolmo – 09 de fevereiro, 2010
Polaris World Tour – Último show da tour Europeia
Por: Maila-Kaarina Fotos: Maila-Kaarina
Não, querido leitor, não queremos ser repetitivos no Hard Blast, sei que há 3 meses atrás publicamos a resenha do show do Stratovarius em São Paulo, mas o assunto aqui é diferente. Não tão técnico, mas sim para mostrá-los outra perspectiva, num outro país, em outro continente. Em São Paulo a banda tocou no Citibank Hall, casa de shows de grande porte, para um público de mais de 2 mil pessoas. Em Estocolmo, a realidade era outra: Stratovarius tocou para um público mínimo, de cento e poucas pessoas, num clube de pequeno porte, porém bem estruturado, chamado Klubben e, para mim, o quarto show que pude presenciar da banda finlandesa foi bem especial; pude me posicionar a apenas 2 metros de distância deles. Como musicista, ver todos os detalhes possíveis de Lauri Porra, Matias Kupiainen e Jens Johansson tocando foi uma grande experiência, principalmente sem cabeças na minha frente ou qualquer tipo de empurra-empurra.
O show aconteceu numa terça-feira e o clima era mesmo de último evento, missão cumprida. A banda parecia cansada, mas mesmo assim fez um show com muito feeling e boa energia. Os cento e poucos fãs de verdade ali presentes cantavam todas as músicas, a voz de Kotipelto estava em excelente forma, melhor até do que da última vez em que o vi ao vivo, 4 anos atrás no Live and Louder, em São Paulo.
O Stratovarius subiu ao palco às 22h depois de duas bandas de abertura: Tracedawn, que infelizmente perdi, e Dream Evil, muito boa banda que, sinceramente, já me fez valer a noite. O som é bem típico metal europeu, speed com influências de metal tradicional, mas bem pesado ao vivo, bem mais do que em estúdio. O vocalista Nick Night é muito bom e dono de uma voz mega versátil que passeia pelo melódico, agudo, gutural e rasgado com facilidade. Forte, marcante e com pressão. Excelente trabalho autoral que merece ser checado: www.dreamevil.se
Mas voltemos ao nosso tópico: STRATOVARIUS!
Eles subiram ao palco com ”Destiny”, do álbum homônimo de 1998, seguida por um de seus maiores hits: ”Hunting High and Low” (Infinite, 2000), que acordou definitivamente a plateia. Algo curioso era observar o público sueco: todos estavam gostando, sem dúvida, a maioria das pessoas cantava e, do início ao fim, não houve dispersão, todos se mantiveram lá, olhando fixamente para o palco com suas caras concentradas e felizes. Mas o que há de tão curioso nisso? Bem, digamos que a plateia parecia feita 80% de músicos. As pessoas REALMENTE ficavam paradas olhando, quase sem mudar de posição o show inteiro, exceto entre músicas quando...bem...ouvia-se APLAUSOS!
Foi um pouco estranho para mim não ver nenhuma roda, nenhum fã ultra empolgado ou gente berrando enlouquecidamente como estou acostumada no Brasil, mesmo em eventos pequenos e de bandas não famosas, mas enfim, do jeito deles, os suecos estavam se divertindo. Claro que de vez em quando alguém gritava ou assoviava, estamos falando de um show de rock e não de uma ópera (graças a Deus), mas no geral foi tudo bem tranquilo e calmo.
”Speed of Light”, ”The Kiss of Judas”, ”Deep Unknown” e ”Million Light Years” deram sequência a apresentação e, depois delas, foi a vez de Mr. Johansson dar seu show. Esse cara é realmente impressionante nos teclados, um dos poucos hoje em dia que nos dá muito com pouco: ele tocou o show inteiro com seu velho DX-7 fora de linha, mostrando o poder dos teclados vintage ao vivo. Tocou Bach, claro...
”Winter Skies” e ”Phoenix” vieram depois nos aquecendo para outro grande momento – e vindo de mim isso é coisa rara, pois não curto esses “momentos solo”, sou muito mais ouvir “aquela música que sempre falta no set” - mas estamos falando aqui de Lauri, porra!!! (sem querer cair no clichê, mas já caindo, é IMPOSSÍVEL não fazer uma piada) – aliás, em finlandês “porras” significa “ “escadas” ou “degraus”, o que nos faz pensar que aqui a galera deve fazer piadinhas com o nome dele também, portanto, ele já está acostumado. Mas enfim, Lauri Porra começou seu solo: momento solene...
De fato, Stratovarius ficou famoso por causa de seu antigo guitarrista e band leader Timo Tolkki (hoje no Revolution Renaissance), que foi um dos responsáveis pelo power metal ter se tornado um estilo popular e forte no mundo do metal nos anos 90. Mas agora ele se foi, quem toca guitarra na banda é Matias Kupiainen, outro grande guitarrista, jovem e muito bom, certamente um dos destaques dentre os músicos com menos de 30 anos no cenário. Mas, em minha humilde opinião, quem realmente se destaca HOJE no Stratovarius é o Sr. Lauri Porra. No palco ele parece ser o cara mais legal do mundo, sempre sorrindo, esbanjando simpatia e carisma. Vê-lo solar nos deixa quase que sem ar, como se estivéssemos feito muito esforço físico. O mundo simplesmente desaparece e nada mais importa enquanto aquele fica sozinho no palco tocando.
Matias Kupiainen teve seu momento solo também e, depois, fez um duelo com Lauri, excelente e bom de ver também mas, me desculpem, nada mais do que aconteceu depois do solo de Lauri foi capaz de me impressionar.
A banda voltou e Kotipelto (falante, divertido e gente boa), começou ”Forever is Today”. O final estava próximo, então, com ”Paradise” e ”Eagleheart”, mas claro que não podia ser só isso! No bis, a primeira música foi a balada ”Forever”, do álbum Episode, 1996 (meu favorito). A melodia, os teclados, o solo, a letra, tudo soa perfeito ali. Todos cantaram junto com Timo e ao final, o clima era de “o mundo é lindo, vamos nos abraçar!” Ok, sou mulher, meu lado cor-de-rosa as vezes aflora, mas podem ficar tranquilos, foi só vontade mesmo, fiquei lá quietinha junto com os suecos, quase que uma local...
Para terminar, como já era de se esperar, “S.O.S.” e, L-Ó-G-I-C-O,”Black Diamond”.
Por ser o último show da tour Europeia, Timo fez um pequeno discurso com agradecimentos não apenas ao público, mas a toda equipe que trabalhou com a banda, um gesto que considero muito legal, visto que a galera no backstage rala muito e, sem eles, simplesmente não há show. Ele chamou toda a equipe ao palco, apresentou um por um e pediu aplausos. Depois disso, hora de distribuir palhetas e baquetas (obrigada Jorn, por me dar uma mesmo sem eu ter pedido, hehehe) e that´s all folks! :(
Muito bom show. Adorei vê-los mais uma vez e ainda melhores, pena que havia tão pouca gente assistindo...
Hard Blast agradece a Pontus Dyrestam pelo credenciamento. Você é demais!
Stratovarius é:
Timo Kotipelto - vocal
Jens Johansson – teclados
Lauri Porra – baixo
Matias Kupiainen- guitarra
Jörg Michael – bateria
SET LIST:
DESTINY
HUNTING HIGH AND LOW
SPEED OF LIGHT
THE KISS OF JUDAS
DEEP UNKNOWN
MILLION LIGHT YEARS
JENS SOLO
WINTER SKIES
PHOENIX
BASS/GUITAR SOLOS
FOREVER IS TODAY
PARADISE
EAGLEHEART