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The Black Dahlia Murder (USA) – Inferno Club, São Paulo, 12/12/2009

Por: Daniel Croce
     
A rua augusta, meus caros, em São Paulo, é realmente uma Babilônia, você a cruza e se depara com tudo: boate gay, boate EMO, boate de “moças de vida fácil” e umas casinhas que comportam shows de porte pequeno e médio, tais como o Inferno Club (que nem faz muito juz ao nome XD), onde, dependendo da atração, você encontra tudo isso aí relatado, junto e misturado. Bom, ao menos na matinê do fim da tarde de 12 de dezembro de 2009, era possível ver no local, pessoas com franjinhas EMO, outros com pinta de hardcore “menos amigáveis” e algumas pessoas trajando e parecendo serem headbangers. O que leva tão díspares seres a se reunirem num mesmo recinto tão pequeno, para mal 500 ou 600 cabeças?

O metalcore, É CLARO, no caso, DEATHCORE.

A abertura ficou por conta da banda curitibana Buried Yesterday, que pratica um metalcore padrão, com todos os elementos presentes, exceto vocais limpos, ou seja, beira um deathcore, mas não tem tantos blasting beats de death metal extremo, os BPM’s não são MUITO acelerados, mas vários elementos com certeza estão lá. Quem for apreciador do estilo certamente vai gostar, quem curte riffs e melodias dobradinhas, além de solos legais, vai encontrar tudo isso. Infelizmente, no meu parecer, o som não é lá dos mais inovadores e, as vezes, é exatamente isso que causa uma enorme diferença nas bandas de um mesmo estilo. Bom, nesse caso creio que um pouco mais de maturidade vai trazer isso aos rapazes (assim espero). Mas de fato, os caras tocam muito e o som é honestíssimo, estão de parabéns.

 

Sem mais delongas, depois de um curto set de meia hora do Buried Yesterday, o Black Dahlia Murder – os próprios músicos passaram o som na casa, provando que não existe tempo ruim quando você é bom no que faz e GOSTA do que faz - já chegou de voadora na cara das algumas centenas de presentes no Inferno Club: abriram com duas pedradas: “Everything Went Black”, do álbum de 2007, “Nocturnal”, e “Black Valor”, do sucessor de 2009, “Deflorate”.

Lembra aquele tal gesto, já mencionado em resenhas anteriores (ver Exodus & Kreator), de esticar o dedo indicador e girar em sentido horário, incitando a roda de pogo? Pois é, essas coisas vêm sendo bastante recorrentes em minha vida ultimamente...

O som da banda é classificado como deathcore, mas é clara a influência de death extremo mais moderno, de bandas como Nile e Behemoth. Acho que se fôssemos fazer a amálgama perfeita, seria o filho do sueco At the Gates, pela afinação “padrão” em dó grave (como sempre), na fase terminal da banda (“Terminal Spiritual Disease” e “Slaughter of the Soul”), as dobrinhas e melodias do também sueco In Flames, só que com a brutalidade e blasting beats em up tempo de um conterrâneo brazuca do Krisiun. Ou seja, é MUITO porrada, muito travado (como mesmo se diz em inglês? Ah sim, locked up XD), mas por haver tom, campo harmônico, na maior parte do tempo, é agradável de se ouvir.

Digno de nota é o nível de FANFARRONISSE da banda, principalmente do vocalista ultra carismático Trevor Stmad (seria o sobrenome dele um trocadilho com “saint mad” XD? ), que não para um minuto de incentivar a galera a abrir a roda, o moshpit, com gestos e palavras, dando sempre aquele literal “empurrãozinho” naqueles que sobem no palco e ficam muito tempo de “macadada”. Aliás, excelente palavra: “macacada”, ela será essencial ao final desta resenha XD. O gesto favorito dele é bater as mãos no peito como se fosse um gorila quando o bicho pega nas músicas, ou, se a fórmula de tempo for de 3 ou 6, ou seja, meio que uma VALSINHA DEATH, ele rege a canção como uma waltz funérea. Ah sim, ele canta MUITO. Ou melhor, grunhe não é XD? Acompanha-o nas atividades circenses o guitarra base e segundo vocalista, Brian Eschbach, igualmente simpático para com o público, visto que nem sequer uma grade ou coxia separando-nos da banda havia.

Dentre outros tapas na orelha, foram executadas pérolas como “A Vulgar Picture”, “Miasma” (álbum homônimo), “Necropolis”, “Closed Casket Requiem”, “Funeral Thirst” e, obviamente, o hit deles, “Statutory Ape”, cujo videoclip, deveras cômico, conta com uma pessoa vestida de gorila fazendo, como eu mesmo disse heim (?), “macacadas”, durante sua duração. Trevor mesmo lamentou o fato de a pessoa que “interpreta” o macaco ao vivo nos shows da banda não esteja mais trabalhando com eles, mas não seja por isso: HAVIA UM SUJEITO fantasiado LITERALMENTE de gorila com máscara e TUDO ali, do meu lado, propositadamente, e ele não poucas vezes subiu ao palco para  zoar tudo e dar seus stage dives. Acho que nessa hora ele deve ter sido bem útil à musica referida XD.

Gostaria aqui de deixar claro que o baterista Shannon Lucas, egresso da banda All That Remains,  é um ESTÚPIDO em seu instrumento, desce a lenha sem medo de ser feliz ou causar discórdia no público com os walls of death e moshpits. A mais recente aquisição deles, o guitarrista Ryan Knight, é bastante técnico, porém discreto, quase não se põe a frente do palco e, muitas vezes, é acompanhado pelo igualmente muito bom e técnico baixista Ryan “Bart” Williams, digno de nota por tocar TUDO com os dedos, nada de palheta (MUITA coragem isso, em se tratando de death metal). CERTAMENTE é a escola de Alex Webster, do Cannibal Corpse, uma referência nata para os baixistas de metal extremo.

Em um pouquinho mais de uma hora de show - e fica aqui de novo meu protesto contra a pouca duração dos shows de death metal, quer sejam eles tradicional, extremo ou melódico – o público, como falei, consistido de emos, punks, e headbangers PARECIA inteiro, visto que notadamente em São Paulo muitas tribos urbanas REALMENTE não se misturam (duvida? dá um check nas paginas policias então...), e o pessoal do TBDM, novamente contentíssimo pela recepção acalorada em menos de 1 ano e meio de sua última vinda em terras paulistanas. E mais uma vez, tanto eu quanto eles, reforçamos que brutal metal e GALHOFA podem e devem andar de mãozinhas dadas e saltitantes XDDD.

 

 
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