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Tim Ripper Owens – Hard Rock Cafe, Rio De Janeiro, 18/10/09 
Por: Daniel Croce
fotos: Daniel Croce
   
     

Eu, humildemente, acredito em ironias do destino. Logo agora que topei ser colunista deste site, já de cara, me caem duas responsabilidades de peso: escrever sobre um gigante como Tim Ripper Owens e, 48hrs depois, viajar para são Paulo e fazer o mesmo com os finlandeses do Stratovarius.

Onde está a ironia nisso? Eu JURAVA, frise, por favor, a palavra “JURAVA”, que iria ficar minimamente estupefato com a apresentação deste monstro que é o senhor Ripper, 8 longos anos após assisti-lo com o Judas Priest num show antológico onde ele disparou clássicos da carreira da banda, além das de sua “fase” - igualmente destruidoras - mais notadamente as do álbum “Jugulator”. Em outras palavras, eu esperava MUITO deste.

E mais: o homem ainda gravou dois álbuns com o Iced Eearth dignos de notas altas: “The Glorious Burden” – álbum este considerado americanóide/ufanista pelos fãs mais chatinhos, pois foi gravado após o período dos ataques do 11 de setembro, fato que levou o cultuado vocalista Matthew Barlow a largar a banda sob a desculpa de fazer “algo melhor pelo seu pais”, dando espaço para a entrada de Tim Owens  que gravou “Framing Armageddon”, 1ª e ótima parte de duas, do que seria a história completa da trilogia começada em “Something Wicked this Way Comes”. Sua abrupta expulsão da banda para dar entrada ao seu antecessor, Barlow novamente, levou Mr. Owens a se tornar o novo vocalista da banda de Yngwie Mmalmsteen, com quem gravou o ótimo “Perpetual Flame”. Ótimo, aliás, porque é ELE, Tim Owens, mos vocais.

 
Isso sem mencionar o álbum de sua, digamos, “própria banda”, a BEYOND FEAR, que ele gravou no hiato entre os dois discos do Iced Earth e, recentemente, neste ano de 2009, um álbum solo intitulado “Play My Game”, com participações especiais de níveis estratosféricos tais como: Bruce e Bob Kulick, Rudy Sarzo, Jeff Loomis, Simon Wright, Billy Sheehan, Doug Aldrich, entre outros.

Confesso, pensei: “um homem com um currículo de CEO do metal destes, não TEM COMO fazer um show medíocre, nem ruim, muito menos mediano, tem que beirar o primoroso, no mínimo!” Porém, como eu mesmo escrevi no início desta resenha, acredito em ironias e, domingo 18 de outubro de 2009, além de ver isso acontecer na minha frente, ainda filmei e fiz fotos.

Tornou-se lugar comum neste país trazer um artista solo da seguinte forma: você o paga e contrata músicos locais, preferencialmente competentes, para servirem como banda de apoio deste artista. Uns acham questionável, outros acham que é uma solução viável e barata para se trazer artistas de pequeno e médio porte ao país, para shows de igual proporção. Me limito a ficar em cima do muro, sem uma opinião mais segura formada.

Não foi diferente com Ripper Owens: sua banda de apoio foi a paulista Tempestt, composta por músicos realmente impressionantes, muitíssimo competentes.
Ok, você esta lendo e ainda tentando achar a ironia...

Não se esforce mais, eu CONTO você: o SET LIST... Sinceramente, me senti num show COVER, daqueles tipo “batalha de bandas: grunge VS metal, metal VS new metal”, só que com um vocalista deste nível, com doutorado e PHD em heavy metal como mencionado parágrafos atrás.
 
Ripper Owens é monstruoso, simpático, carismático, gosta do que faz e canta muito! A banda, que acompanhou não fica atrás, é igualmente absurda. Mas o set list, amigos, pelo amor do criador...
Eu esperava a seguinte matemática: umas 20 músicas, sendo metade do set list composto por algumas do Beyond Fear e o álbum solo “Play my Game”, legítimos discos “DO” Ripper Owens, e não de suas prévias bandas onde ele era vocalista contratado. A outra metade, uma miscelânea de músicas de seu recente disco com Malmsteen, dos dois álbuns com o Judas e dos outros dois com o Iced Earth. O que viesse a mais além disso, e sabe deus o que seria esse a mais, seria lucro, e dos bons.

Amigos, se eu tivesse apostado nesse cavalo, minha casa, minhas guitarras, minha bateria, meus baixos, eu teria perdido TUDO!
 

NADA do que relatei de fato foi tocado naquela noite. De cara, ele já abriu com “Painkiller”, o clássico mais que absoluto do Judas Priest, porém, desculpem-me, legitimado na voz do cantor original: Rob halford. Dali em diante ele disparou outros covers, tais como: “Flight of Icarus”, do Iron Maiden, “Highway Star”, do Deep Purple, “Symptom of the Universe”, do Black Sabbath, “Rising Force”, do Malmsteen e, por que não, “The Green Manalishi”, “The Ripper”, “Living after Midnight” e “Breaking the Law”, do próprio Judas Priest…
O problema está exatamente aí: enquanto ele ERA da banda Judas Priest, era o dever dele interpretar essas músicas com louvor – e ele o fazia. Enquanto show solo, vejo um tanto quanto ilegítimo ele levar essas canções.

Os outros covers então,não têm o menor sentido MESMO alguém com tanta música composta e gravada, com tantas bandas e discos BONS, precisar dessa “muleta”, que é tocar clássicos de outras bandas clássicas. E do que realmente lhe é legitimado, ele somente levou uma do Beyond Fear, o petardo “and... you will  die”, uma do seu álbum solo, a emotiva faixa de abertura “Starting Over”, uma do Jugulator: “Burn in Hell”,  e uma do “Demolition”: One on One, o hit do álbum. Sim, ou melhor, NÃO, ele não levou nada do Iced Earth, nada do Perpetual Flame.

Quanto a ele não levar nada do Iced Earth, acho que ficou claro que a separação não foi amigável entre ele e o patrão da banda, John Schaffer: quando atirada nele uma camisa da banda, se eu não estava louco ou bêbado, ele prontamente pisou na mesma. Acho que isso explica muita coisa...

Mesmo não querendo, e posso concordar com isso, tocar NADA da banda de John Schaffer, ainda havia muitos cartuchos a serem queimados naquela noite de pouco mais de 200 ou 300 pagantes.

O homem como artista, vocalista, front man, show man, convence, instiga a platéia e, por sua vez, a banda de apoio fez competentemente seu serviço. Mas esse repertório cheio “de marotagens”, confesso, me fez sentar  ( ache o erro desta frase: show de metal SENTADO?? O.O ) e assistir àquilo meio que estupefato e me questionando se era mesmo ELE, Tim Ripper Owens, que estava afim de levar aquelas músicas, ou se aquilo foi alguma mal fadada “dica” de algum promoter, produtor, manager, ou qualquer outro cargo corporativo burocrático querendo meter o bedelho nesta arte tão querida chamada heavy metal. O meu saldo final é meio a meio: excelente banda, excelente vocalista, mas set list paupérrimo... nos colégios que estudei, a media era 70%, ou seja, lá, eles repetiriam de ano...

Tá bom Daniel croce, e cadê o maldito paralelo, a ironia, com o show do Stratovarius?
Ah, isso vc vai ler em minha próxima resenha! 

 
O Hard Blast agradece a produção carioca que realizou o evento e, em especial, a Felipe Hell pela força e parceria.
 
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