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Timo Tolkki – Workshop, Show Acústico e Pocket Show Elétrico
5 de Dezembro de 2009 – Calabouço Bar – Rio De Janeiro

Por: Daniel Croce
     

Notável começar essa resenha fazendo já de cara uma critica à companhia de luz desta cidade, também conhecida como “LIGHT”, pela total IRRESPONSABILIDADE em prever quedas de luz em pleno verão carioca, o qual mais parece do Senegal onde, é claro, as pessoas gastam mais energia de ventiladores e ar condicionados, afora as típicas chuvas tropicais que desde que o planeta terra não é mais PANGÉIA, assolam essa região litorânea. Resultado, o evento, que seria em dois dias, foi todo concentrado no dia 5, por causa de um apagão que assolou a região da Tijuca por todo o fim da tarde e começo da noite. SHAME ON YOU, governos municipal e estadual! Como sempre, não brilhando NADA, LITERALMENTE.

     

Timo Tolkki

   

Confesso que se este evento tivesse acontecido há uns 6 anos atrás, bem antes de toda aquela fofoquinha, imbróglio, disse-me-disse, baixarias públicas, fazendo do metal finlandês uma variante rock do tabloide bretão “the Sun”, não seria uma chuvinha de verão nem um black out que parariam a região da Tijuca, mas sim, a presença da outrora MUY AMADA e idolatrada figura do grande compositor e guitarrista finlandês Timo Tolkki, ainda presente então, na banda que o catapultou ao estrelato mundial, e, por que não afirmar, ajudou, junto com toda cena europeia e uma ou outra banda norte americana, a fazer o levante do heavy metal no mundo todo, readquirindo o merecido respeito que o estilo merece, em termos MUSICAIS, porque no quesito IMAGEM, e, certamente, “poserismo”, muitos dispensam, pois foi este EXATO fator, que promoveu a queda do estilo no começo dos anos 90 e jogou a credibilidade do mesmo no buraco negro do ostracismo, quer seja na mídia, quer seja nas vendagens, bem como no investimento das então ainda necessárias gravadoras (se você quisesse mesmo tentar um lugar ao sol).

Mas, infelizmente, pude testemunhar que toda aquela “gossip” da época ainda ecoa até hoje. Vide a presença PÍFIA do público no local, mesmo concentrando dois dias de evento num único.

Metade da culpa TAMBÉM pode, e DEVE, ser creditada ao próprio RIO DE JANEIRO, pois como afirmou o compositor Lobão, agora morador de São Paulo, “o RJ é o túmulo do rock”. Tudo é um enorme motivo para as pessoas daqui não tirarem seus pijaminhas de general aposentado e irem prestigiar um evento no mínimo intimista, para não dizer único em anos, quiçá décadas.

Como meus amigos ali presentes mesmo afirmaram: “Cara, quando você, há nem meia década atrás iria sequer cogitar estar dividindo o mesmo bar, sentado ao lado do Timo Tolkki?”. Muito provavelmente NUNCA. Com certeza, nem há meia década atrás você acharia que encontraria a até então celebridade, um dos redentores do metal no fim dos anos 90, tão acessível e simpático aos fãs assim. Bom, então agradeço as engrenagens do tempo-espaço por fazerem desta época, outros tempos. Mesmo com o típico atraso “charmoso” (NOT!) culturalmente inserido nos cariocas, e de certamente dificílima probabilidade de expurgo, o evento que tomou lugar no Calabouço rock/heavy bar, localizado na rua Felipe Camarão, na Tijuca, foi uma coisa MUITO completa, em muitos quesitos. Misturou a já citada acessibilidade do músico e HUMANO Timo Tolkki interagindo com os fãs, com perguntas e respostas feitas e respondidas de maneira honesta, porém bem humorada por ambas as partes. A parte acústica , na minha humilde opinião, teria sido bastante dispensável, UMA VEZ QUE, já estava programado um show “elétrico”, e também pelo fato o qual muito do set list acústico constou de covers digamos, “nada a ver”, exceto por uma ou outra pincelada de material do Stratovarius e do Revolution Renaissance. Mas até nisso, Tolkki fez piada, como por ex, dizendo: “O que, vocês gostam de Beatles? U2? Mas vocês não são metalheads?”. Claro, risos de ambas as partes e conclusão do mesmo: “Não, somente prova que vocês têm cabeça aberta”. Ok, nisso, concordo, mas ainda preferia material do próprio, versão acústica, e talvez uma ou outra canção de outros autores XD.

Fazendo uma mini biografia – tudo perfeitamente traduzido pelo vocalista Gustavo Monsanto, nossa prata da casa de Petrópolis/RJ – Timo nos contou que seu primeiro contato com a música foi pela banda pop ABBA, no começo dos anos 70, o qual ele foi um grande fã pelos idos da sua tenra idade de 6, 7 anos. Porém, quando por volta disso ele viu o trio John Mclaughlin, Paco de Lucia e Al di Meola, literalmente “quebrando tudo” num programa da TV finlandesa, ele praticamente chegou a desistir de tentar tocar. Garoto novo, tinha muito que aprender XD. Não durou semanas nem meses, e, na descrição do mesmo, ele ouviu aquele clássico, simples porém ULTRA efetivo e funcional riff/progressão de acordes de “Smoke on the Water” tocando na rádio e, rapidamente mudou de ideia, passando então a idolatrar Ritchie Blackmore, inclusive adotando suas vestimentas quando teve suas primeiras bandas já na adolescência no fim dos anos 70.

 
Tolkki, como disse, não teve pudores em responder a nenhuma pergunta efetuada pelos presentes, os quais, aliás, também souberam ter tato e educação nas mesmas, não colocando a estrela da noite em nenhuma “sinuca de bico” mais sinistra. Cito aqui os temas mais pertinentes como ele confessar que começou a cantar, como por exemplo, nos 3 primeiros álbuns do Stratovarius, por pura falta de vocalistas disponíveis para a tarefa, e que ele acha que realmente a banda só sofreu um upgrade a nível de fama mundial por causa da entrada de um frontman, no caso Timo Kotipelto, e que também com o álbum “Visions”, a maré subiu para a banda e eles, de fato, atingiram estrelato mundial, ganhando públicos das Américas. Também Tolkki confessou que em casa, ele não ouve absolutamente NADA de metal, que é puro resultado de meses a fio de turnês mundiais (e isso pode acontecer com você TAMBÉM XD).

Timo também é da opinião gerada e compartilhada pelo mundialmente reconhecido “hitmaker” Desmond Child, que um bom músico, para virar um bom compositor,  deveria compor TODOS os dias, pelo menos uma música inteira por dia, com letras e melodia de voz, para um dia você realmente se tornar um bom compositor.
 

O mesmo também não vê diferenças entre ter músicos do Brasil ou de qualquer outra parte do mundo, pois ele preza a competência acima de tudo. Aliás, Tolkki acha que música não tem a ver “com cérebro”, e que tudo que ele fez para o Stratovarius tinha a ver com “um som que ele tinha na cabeça”, e que ele levou anos para pôr em prática, usando um gravador de fita K7 multi-pista Fostex para tentar trazer aquilo a tona. Tolki também nos recomenda e aconselha a não acreditarmos em tudo que é dito ou escrito na mídia de heavy metal, citando a si próprio e as fofocas as quais esteve envolvido (ou no caso, alvo de), incluindo o seu “envolvimento” com a cabala – que ele clama nunca ter ocorrido - bem como o que se fala sobre Michael Kiske, sua religiosidade e o quanto isso “atrapalha” sua interação com bandas. E claro, reconheceu o público brasileiro e da América latina como o mais fiel, caloroso e receptivo. Aliás, em termos de “calor”, ele relembra que a segunda vinda do Stratovarius ao RJ, foi num clube onde ele não não conseguia pensar em mais nada exceto o absurdo CALOR que fazia no recinto ( a.k.a. America FC ).

Fechando a noite com um pocket “não tão pocket assim” show, um pout pourri de canções do Stratovarius e do Revolution Renaissance, contando além do próprio Tolkki na guitarra e Gus Monsanto nos vocais, a “hired band” Marcelo Moreira, do Almah e Burning in Hell na bateria (e aniversariante do dia anterior, levando um literal BOLO NA CARA vindo do próprio Tolkki, num dos momentos mais fanfarrões que eu já presenciei em vida XD), bateria, aliás, ELETRONICA, por questões de limites de som na casa, ou melhor, na vizinhança, e meus amigos Luiz Freitag no baixo (o qual constará na resenha do Prog Metal fest do dia 13 de dezembro, em SP) e Bruno “por que diabos seu Triton é valvulado” Sá, do Allegro/Perdidos na Selva nos teclados. Aí sim o pouco e seleto público entrou em polvorosa, com a execução de faixas conhecidas de ambas bandas citadas no inicio do parágrafo. Seria indelicado e irresponsável da minha parte não mencionar o quanto Monsanto está cantando MUITO, desde músicas que ele mesmo gravou no 2º álbum do RR, quanto as que outros vocalistas, tais como Kiske, Kotipelto, gravaram. Hey Gus, não é porque eu SEI que você esta lendo isso que eu vou ficar de falsas modéstias... mas você me deve uma cerveja XD.

Ao fim do evento, Tolkki e os outros não se rogaram em distribuir autógrafos e fotos entre TODOS os presentes interessados em tais coisas, diminuindo ainda mais uma distância que já não existia ali entre público e artista. Aos que foram, certamente se deleitaram com um momento raríssimo para os registros do heavy metal na cidade do Rio de Janeiro, aos que ficaram em casa nos seus ar condicionados, contribuindo para mais “apagões”, com “medinho de chuvinha”, fica aqui meu “SHAME ON YOU”, aquele mesmo que usei contra a “LIGHT” lá no inicio da resenha. SÓ LAMENTO! Se vocês querem MESMO alguma mudança por aqui, VOCÊS têm que ser a mudança.

 
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