Na porta do Bar do Tom, local dos shows de Tony Martin e Joe Lynn Turner no Rio de Janeiro, os fãs conversavam apreensivos: “Será que ele vai tocar Eternal Idol?” “Será que vai rolar Headless Cross?” Parecia que todos estavam sem saber o que esperar. Depois de um longo intervalo de 10 anos em sua carreira, Tony voltou a ativa faz pouco tempo e o Brasil não podia ficar de fora. Quem estava ali, estava cheio de expectativas, afinal, ele foi a voz do Black Sabbath por 10 anos!
O show foi anunciado mais ou menos às 21:30h, mas uma pane no palco atrasou um pouco seu início. Martin, muito preocupado não só com a qualidade de sua música, mas também com o público, que estava posicionado em frente ao palco sem entender direito o que estava acontecendo, pegou o microfone, pediu desculpas e foi pessoalmente ajudar os técnicos a consertar o problema.
Ok. 10 minutos depois estava tudo certo. As luzes se apagaram e Geoff Nichols (tecladista que acompanhou o Sabbath durante o período em que Martin esteve na banda) deu início à introdução que despertou o público e o manteve assim até o final do show.
Tony Martin abriu o set list com The Law Maker, seguida por Devil and Daughter e Eternal Idol e fez um show impecável.
Os músicos que o acompanharam foram os guitarristas brasileiros Lucas Souza, da banda mineira Glitter Magic, o carioca Davis Ramay, o baixista Diego Padilha (Krystal Tears) e o vocalista Riq Ferreira nos backing vocals, além dos impagáveis Geoff Nichols nos teclados e Danny Needham, na bateria, que foi um show à parte. O som da bateria estava estrondoso e a força de Danny ao tocar unida a sua presença de palco invejável, arrancaram vários comentários do público: “Que baterista é esse?” “Meu Deus, quem é este cara?”. Sinceramente, um dos melhores bateristas que já vi ao vivo, sem exagero.
Geoff Nichols, outra figura rara, esbanjou simpatia e seus samplers e efeitos deram ao show uma característica especial. Efeitos bem colocados são sempre bem-vindos.
A voz de Tony Martin estava ótima e os vocais pré-gravados deram corpo ao som. Um show de Heavy Metal onde grandes músicas de sua era no Sabbath como, When Death Calls, I Witness, The Hand that Rocks the Cradle, além das músicas Scream, em que Martin fez bases de violino junto com as guitarras e Raising Hell, de seu álbum solo também intitulado Scream, não ficaram de fora. Na hora do Bis, como não podia deixar de ser, Headless Cross e When Death Calls.
Foi um show muito bom, que apesar de composto por músicas do Black Sabbath, trás a personalidade de Tony Martin acima de tudo, características específicas que nos permitem enxergar tudo sob outra perspectiva. Não é um show para fãs de Black Sabbath, mas um show para fãs de Tony Martin que admiram o Black Sabbath de sua fase. Um show de Heavy Metal empolgante para quem curte o estilo, cuidadosamente preparado por um músico competente que presa a qualidade de seu som, dá o melhor de si e que faz um excelente trabalho.
Valeu à pena. Foi lindo.