TESTAMENT – Radio Rock Stage

Às 14:23h, quase dez minutos antes do previsto, a plateia já estava a postos gritando TESTAMENT, TESTAMENT, inquieta esperando para que os reis do thrash destruíssem o Kaisaniemi Park. E foi exatamente o que aconteceu! Às 14:31h, Paul Bostaph foi o primeiro a subir ao palco e cumprimetar todos apontando as baquetas para o ar e arrancando gritos vicerais do público finlandês. Depois foi a vez de Eric Peterson, Greg Christian, Alex Skolnick e Chuck Billy fazerem o mesmo dando início ao que eu, particularmente, considero o melhor show dentre os 20 que assisti durante os 3 dias de Tuska Open Air.
”More than Meets the Eye” do mais recente trabalho The Formation of Damnation (2008) abriu o show, seguido dos clássicos ”The Preacher” e ”The New Order”, ambos do álbum The New Order (1988). Na sequência, era a hora de ”The Persecuted Won´t Forget”, também do The Formation of Damnation e de outro clássico do álbum de 1988, apresentado por Chuck Billy: ”Vocês todos devem nos mostrar o quanto melhoraram desde a última vez que estivemos aqui, queremos ver se vocês Praticam o que Pregam!” – fazendo uma alusão à ”Practice what you Preach”. Uma curiosidade encontrada na biografia da banda é que The Formation of Damnation é considerado como um irmão mais novo, porém mais afiado e pesado do The New Order e ao escutar este início de show, mesclando músicas dos dois álbuns, pode-se garantir que eles se completam perfeitamente.
O Testament nos fez esquecer o sol quente fritando os nossos cérebros e corpos na frente do palco principal com uma ótima apresentação, cheia de presença e carisma, vindos de todos os membros que não paravam um só segundo. Eric Peterson e Chuck Billy são os responsáveis pelo legado do Testament e sem eles, tudo teria acabado quando Greg, Louie e Alex deixaram a banda há alguns anos atrás. Agora, mais de 20 anos depois, é bom vê-los juntos novamente com o line-up quase que totalmente original – exceto pelo baterista Louie Clemente que não retornou; e apesar de todo o meu respeito ao trabalho de Louie, não sou louca de reclamar, pois Paul Bostaph é APENAS um dos melhores bateristas do mundo (note-se que esta não é apenas a minha opinião pessoal). A guitarra de Eric Peterson foi pura pressão e Alex Skolnick mostrou que continua sem ser capaz de se mostrar apenas como um guitarrista ”na média”, mas sempre a frente do que podemos imaginar com sua forma única de tocar, timbre singular de guitarra e solos maravilhosos que abusam das escalas do jazz sem perder a essência do thrash metal. Greg Christian também não pode ser deixado de lado, pois seus dedos rápidos e ótimo slap combinam perfeitamente com o pedal duplo ultra rápido de Paul.
Mais músicas? ”Over the Wall”, ”Henchmen Ride”, ”Disciples of the Watch”, ”Into the Pit”, oferecidas por Chuck ao ”cara com o chapéu rosa”, mencionando de fato pelo Sr. Billy pelo menos 3 vezes durante o show, tornando-o quase uma celebridade do Tuska. D.N.R (siglas em inglês para Não o Ressussite) e na parte final deste show espetacular, The Formation of Damnation, trazendo o maior moshpit que já vi na vida, iniciado com as palavras de Chuck, que, por um momento, me deixaram um pouco assustada (esqueci por alguns segundos que estou na Finlândia e aqui as coisas funcionam porque as pessoas realmente entendem o significado da palavra LIMITE). Chuck dividiu a plateia em duas partes e disse para a galera ao lado direito: ”Eu quero que esses caras daqui matem os caras do outro lado!” – apontando para o lado esquerdo – ”E que os caras daqui matem os caras de lá!” – apontando para o lado direito. ”Esperem!” e todos obedeceram na hora. Neste momento aproveitei para guardar a minha câmera, caneta e bloco de notas dentro da bolsa e me agarrar a ela como se não houvesse amanhã, pois estava certa que eu não iria escapar do moshpit, mesmo se eu quisesse, pois já era tarde para correr... Paul Bostaph começou a tocar e Chuck disse as palavras: ”AGORA MATEM, MATEM, MATEM, MATEM”. O moshpit começou e muitas, muitas pessoas mesmo entraram nele mas, para a minha surpresa, ninguém empurrava aqueles que queriam ficar de fora. A minha cara de assustada mudou para uma de felicidade num instante, e este foi um momento muito especial, pois trouxe a tona as melhores recordações da minha vida, e se eu não estivesse usando botas de salto alto e com uma câmera na bolsa, sem dúvida alguma entraria naquele moshpit esquecendo que minha adolescência já passou há muitos anos atrás...
E para finalizar, comecei minha carreira jornalística num show do Testament durante a Reunion Tour no Brasil, em 2006, foi meu primeiro trabalho oficial como jornalista. Sou fã incondicional desta banda desde 1989 e eles nunca me desapontaram. Hail aos deuses do thrash! Testament rules!
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