iNSOMNIUM

Depois do show perfeito do Testament fiquei tão empolgada que pensei em dar uma pausa, tomar uma bebida e descansar na área de imprensa por uns 45 minutos, apenas pensando nos melhores momentos da apresentação e, talvez, começar a escrever a resenha antes do show do Tarot. Estas são as horas em que dar o passo errado e quebrar a cara são coisas realmente fáceis de acontecer... Mas, o bom, é que, dessa vez, não aconteceu.
O fotógrafo Jussi Ratilainen já havia me falado da Insomnium e me deixou bastante curiosa sobre a banda e, quando o encontrei no backstage, fomos direto para o Sue Stage conferir a banda. Caso eu tivesse perdido esse show, com certeza teria um grande motivo para me arrepender. A banda é muito profissional e merece ser ouvida e conhecida por cada um dos fãs de metal do mundo, além de ser mais uma para entrar no meu hall do “Finnish Metal Pride”.
A Insomnium existe desde 1997 e o lineup é formado por Niilo Sevänen (vocal/baixo), Ville Freeman (guitarra), Ville Vänni (guitarra) e Markus Hirvonen (bateria). O som nos remete às essências do death metal escandinavo temperado com influências da velha escola do doom metal e também, um pouco de trash metal que, para mim, é realmente um diferencial, desde que a maioria das bandas nesse estilo hoje em dia, só incrementam sua música com elementos góticos e épicos não deixando espaço para coisas mais cruas. Eu, particularmente, sinto uma grande diferença quando escuto bandas novas influenciadas por estilos mais “old school”, mas que são capazes de fazer um som novo e único, pois há mais paixão na forma em que tocam e nós sentimos a música de um modo mais profundo. Foi uma pena que o show deles tenha durado apenas 45 minutos, pois toda a plateia estava curtindo e, com certeza, querendo mais.
Niilo tem uma voz poderosa e parece bem selvagem no palco, bangueando o tempo todo e, de fato, a banda toda tem uma ótima presença e fez com que a maioria do público gritasse bangueasse sem parar. As guitarras foram tocadas com bastante peso e personalidade, e era bem fácil sentirmos as influências de Paradise Lost (Shades of God, Icon e Draconian Times, nada novo), My Dying Bride, Dark Tranquility, mas também um pouco do Metallica da era Black Album. Bom, eu não sei se estou louca ou o que, mas, também achei tinha algo de Iron Maiden na atmosfera, pelo menos na minha cabeça, apesar de a banda não ter NADA A VER com Maiden. Após o show do Insomnium, eu estava realmente extasiada e quase certa de que o primeiro dia do Tuska Open Air iria me proporcionar a melhor sequência de shows de todos os dias, apesar de ser apenas o início do festival.
Confiram!
http://www.myspace.com/insomniumband
TAROT

Descansar? Quem disse esta palavra? I-M-P-OS-S-Í-V-E-L! Logo em seguida ao Insomnium, corri para o palco principal (Radio Rock) para ver o meu 4º show do dia, o 6º do festival – como escrevi anteriormente, o Sue Stage e o Inferno Stage tocavam simultaneamente.
Precisamente às 16:15h, os caras do Tarot subiram ao palco e eu estava realmente curiosa em vê-los ao vivo. A banda de metal dos irmãos Hietala (sim, o Marco Hietala do Nightwish e o irmão dele Zachary), eu diria que é uma das mais competentes da Finlândia e, talvez, dentre aquelas que já fazem parte do mainstream; uma das melhores no momento. “No momento” parece um pouco estranho quando falamos do Tarot, pois a banda existe há um bom tempo, começaram em meados dos anos 80 tendo na formação: Marco Hietala (voz/baixo), Zachary Hietala (guitarra) e Pecu Cinnari (bateria) juntos desde então, com 6 álbuns lançados. Bom, sabemos que o meio musical nunca é justo e conquistar um lugar ao sol, é sempre difícil. Apesar da banda nunca ter sido desconhecida na Finlândia e ter tido bons momentos no Japão (eles tiveram álbuns lançados apenas por lá), apenas agora, as portas do mundo se abriram para essa banda maravilhosa.
Além do vocal perfeito de Marco, o Tarot possui outro vocalista, Tommi Salmela, que também toca o sampler durante o show. Os dois vocalistas juntos tornam a música ainda mais rica, pois as vozes de Marcu e Tommi se encaixam perfeitamente e ambas têm um excelente alcance. Tommi tem um estilo vocal muito legal e sua voz me lembra diversas vezes a de alguns vocalistas que teoricamente não têm nada a ver um com outro, mas entre elas, cito as de Bruce Dickinson, Ozzy Osbourne (fase de Bark at the Moon ) e outras bem mais rock ‘n roll como Lynyrd Skynyrd. Difícil de entender? Bom, você terá que conferir...
Já Marco Hietala é sempre aquele cara que todos pensam em convidar para tomar uma cerveja. E, como uma grande fã de seu jeito de cantar e tocar – eu realmente prefiro Nightwish agora porque ele canta mais na banda (oops, talvez eu perca alguns leitores, mas não sou grande fã da Tarja “coruja” Turunen, desculpem) – é simplesmente ótimo vê-lo como líder desta banda. Ele canta muito e seu carisma é indiscutível. As músicas do Tarot são metal europeu, mais precisamente do tipo escandinavo de compor, mas as influências do Hard Rock são bem fortes, ainda mais se pensarmos em bandas como Deep Purple (fase Coverdale), Journey e Survivor. Mas, não pense que a banda é ultrapassada, PELO CONTRÁRIO!! É importante também mencionar a presença do tecladista Janne Tolsa (aquele Korg CX3 é algo que eu realmente invejo), um excelente músico.

O Tarot fez uma apresentação bem especial no Tuska Open Air, abrindo o show com “Sleep in the Dark”, seguido do grande hit da banda “ I Walk Forever”, com uma grande surpresa: um coral conduzido pelo “maestro maluco” Mika Ryhänen, que usa um chicote ao invés de uma batuta para reger. Este coral ficou em segundo lugar no programa de TV finlandês “ Clash of the Choirs” (algo como “confronto de corais”), onde Marco fora seu lider durante a competição. Eles participaram de 6 músicas no show e fizeram uma grande diferença na apresentação. ”Satan is Dead”, ”Crows Fly Black”, ”Tides”, ”Calling Down the Rain” – foi um dos melhores momentos do show e eu não sei se foi coincidência ou não, mas, exatamente nessa música, os seguranças começaram a jogar água no público com uma mangueira que fazia parecer chuva, pois estava muito quente e ensolarado – e, ”Hell Knows”, ”Pyre of the Gods”, ”Rider of the Last Day”, ”Traitor” foram as pérolas deste maravilhoso set list e show. Tarot é bom demais!
Confiram!
http://www.myspace.com/tarot |