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Nota do Editor:

Olá Rocker!
2010 vem sendo um grande ano para nós, o Hard Blast está crescendo e muita coisa nova e legal está por vir, mas para que isso aconteça o mais rápido possível, precisamos da um tempo nas atualizações através deste endereço. Mas não iremos parar!
Continuaremos atualizando através de nosso blog e lá você poderá ler todas as entrevistas, resenhas e notícias que o mundo do rock e do metal nos oferece.. Nos vemos em breve por aqui e estamos certos de que se você já é um fã de nosso trabalho, com o que está por vir você vai gostar ainda mais!
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SLASH MÚSICA POR MÚSICA!

 
Por: Silver

Fotos: Promo



Saul Hudson dispensa quaisquer apresentações para os leitores de todos os gostos musicais. O lendário guitarrista solo do Guns N' Roses fez história com sua guitarra modelo Les Paul, sua cartola, seu cabelo cacheado tampando sua face e seu cigarro quase inseparável. Mas esse é apenas o aspecto visual, pois o mesmo só se eternizou por talento e competência inquestionáveis. Apesar de não ser um "shredder" como a maioria dos guitarristas que ascenderam em sua época, Slash sabia a hora correta de utilizar a nota adequada, algo que muitos instrumentistas esquecem ao tentar aprimorar sua técnica e velocidade.

Após sua saída do Guns N' Roses, em 1996, Slash se aventurou por aí com o Slash's Snakepit, seu "quase projeto solo" e com o Velvet Revolver, formado com os ex-gunners Duff McKagan e Matt Sorum, além do vocalista Scott Weiland (Stone Temple Pilots) e do guitarrista rítmico Dave Kushner (ex-Danzig, Wasted Youth, Loaded). Ambas as bandas lançaram apenas dois discos - a primeira se dissolveu depois de algum tempo enquanto a segunda permanece "na geladeira". Mas apenas em 2008 o guitarrista teve a ideia de fazer algo que parecia ter medo de se arriscar em conceber: um disco solo.

Em setembro de 2008, começou a gravar várias demos e rascunhar ideias iniciais para seu futuro "bebê", e logo soltou uma declaração que deixou muitos aflitos: cada canção teria a participação de um vocalista diferente. Boatos e mais boatos apareceram, até que a esposa de Slash afirmou que seria um álbum apenas com amigos do guitarrista, de Ozzy Osbourne à Fergie.

E depois de bastante trabalho duro (a gravação oficial e mixagem durou de março à novembro de 2009), eis que, no dia 31 de março, o álbum estreou no Japão. Durante o mês de abril, a estreia se deu por todo o globo, inclusive no Brasil, no dia 30, e na América do Norte, no dia 6. O disco, auto-intitulado, finalmente chegava ao conhecimento de todos. A expectativa era grande, e com clareza pode-se afirmar que o carismático guitarrista não decepcionou.

"Slash", o título que recebeu o play, logo atingiu as primeiras posições das paradas gerais de vários países, incluindo Canadá (1° lugar), Nova Zelândia (1°), Estados Unidos (2°), Finlândia (1°), Austrália (3°), Alemanha (4°) e Reino Unido (17°). Apenas na primeira semana, 61 mil cópias foram vendidas na terra do Tio Sam. Na Nova Zelândia já conquistou disco de platina e na Austrália, disco de ouro. E a turnê mundial em que Slash embarcou com o vocalista Myles Kennedy (Alter Bridge), o guitarrista rítmico Bobby Schneck, o baixista Todd Kerns (Age Of Electric) e o baterista Brent Fitz (Union, Alice Cooper, Vince Neil) até agora é um sucesso, lotando casas de shows em diferentes partes do mundo.

Mas vamos ao que interessa: o conteúdo da bolacha. Slash nunca deixou de fazer Rock n' Roll descompromissado e divertido em sua carreira - nem nos tempos de megalomania de Axl Rose. Cada canção tem uma atmosfera distinta e pode transportar o ouvinte para um outro lugar completamente diferente. Aqui, o guitarrista mostra suas inúmeras facetas: desde as mais sofisticadas até as mais ásperas. Mas nunca deixa de ser Slash. Seu modo único de tocar guitarra pode ser notado até pelo mais leigo, e é isso que mantém uma linearidade incrível, mesmo com tanta versatilidade ao longo do play.



A abertura se dá com "Ghost", que conta com a voz de Ian Astbury, frontman do The Cult, e com a participação especial de Izzy Stradlin, ex-guitarrista do Guns N' Roses. O clima oitentista levemente "rádio FM" toma conta, mas os dois guitarristas não fazem miséria com bases e licks furiosos. A cozinha versátil manuseada aqui (e na grande maioria das canções) por Chris Chaney (baixo) e Josh Freese (bateria) é um atrativo à parte. E ainda vale destacar o anfitrião Slash, aos 2 minutos e meio, presenteia o ouvinte com um solo que leva a sua assinatura com honra: bends que tocam a espinha e fraseados genuinamente roqueiros.

"Crucify The Dead" aterrissa como uma bomba para os fãs da ala mais pesada do Rock n' Roll, pois logo de início tem-se a voz de Ozzy Osbourne quase em um dueto com a guitarra inspirada de Slash, que vez ou outra lembra Zakk Wylde, o ex-fiel escudeiro do Madman. O peso chega de mansinho para o refrão, mas logo sai, só entrando novamente para repetição do refrão. E mais um solo de guitarra cavalar. A atmosfera dessa canção é um tanto quanto melancólica e a letra parece até ser inspirada em Axl Rose. Segue o trecho mais intrigante dessa "inspiração" não confirmada:

"We had the same dream
Lived life to extreme
A loaded gun jammed by a rose
The thorns are knot around your head

Your ego curse you 'till you bleed
You cannot crucify the dead
To me you're dead... yeah"

*****

"Tínhamos o mesmo sonho
Viva a vida ao extremo
Uma arma carregada emperrada por uma rosa
Os espinhos não estão em torno de sua cabeça

Seu ego amaldiçoou você até sangrar
Você não pode crucificar os mortos
Para mim, você está morto, sim"

A faixa seguinte atrai vários ouvintes, mas espanta outros: "Beautiful Dangerous" contou com os vocais da belíssima integrante do Black Eyed Peas, Fergie. O instrumental tem uma pitada e tanto de modernidade, com teclados e samplers e produção menos "crua", mas nada que desvirtuasse o Rock n' Roll proposto desde o início. A loira simplesmente manda muito, principalmente no refrão, onde "acaricia" os tímpanos do caro ouvinte com agudos arrepiantes. Slash não fica apagado, com boas frases de guitarra ao longo da música e um solo que facilmente pode ser considerado um dos mais inspirados feitos por aqui - e com direitos a gemidos de fundo! No mais, uma faixa que surpreende e que deixa qualquer um curioso para conferir Fergie cantando mais Rock no futuro.

"Back From Cali" entra com uma pegada bem clássica - em termos de Rock, não de música clássica (risos). O riff suave dá lugar para um peso elementar e cadenciado. A voz de Myles Kennedy, que está liderando a banda solo na turnê, é muito boa para o Hard Rock. O instrumental, competente, lembra o Velvet Revolver com uma pitada de uma paulada Led Zeppelin – principalmente pela voz de Myles. A única decepção fica pelo solo, que pedia mais inspiração, mas a canção é de longe uma das melhores do play. Curiosamente foi incluída de última hora na lista de faixas.

Em seguida tem-se "Promise", que conta com Chris Cornell (Audioslave, Soundgarden) nos vocais. A atmosfera por aqui é mais anos 1990, podendo-se concluir que a canção uma fusão entre o Hard Rock e o Grunge/Rock Alternativo. O refrão é muito bom, assim como o lick inicial de guitarra e seu respectivo e inspirado solo. Conta até com uma irreverente inserção de cravo na parte do verso. No geral, tem uma ótima levada e é uma boa música.

Um dos pontos mais altos chega em um violão malandro e contagem no chimbau. "By The Sword", um digno Hard n' Blues, tem a participação do vocalista Andrew Stockdale (Wolfmother) e se tornou o single de mais sucesso do álbum até agora. A voz aguda de Stockdale envolve o ouvinte, juntamente da guitarra inspiradíssima e levemente "hendrixana" de Slash e da cozinha pra lá de competente de Chaney e Freese. Além disso, a faixa tem, de longe, o melhor solo de guitarra de todo o álbum.

O clima pesado cai e a leveza da balada "Gotten" chega. Adam Levine, frontman do Maroon 5, impressiona em uma performance emocionante. Sua voz, calma e doce, solta lindas palavras de uma composição meio melancólica, meio feliz, que narra um reencontro com um amor do passado. A melodia, belíssima, envolve até mesmo o roqueiro mais revoltado. Vale destacar os fraseados bem blueseiros de Slash ao longo da canção e o uso de instrumentos como violinos e violas de fundo. A música é uma das maiores surpresas daqui e ainda não virou single - nem os próprios caras devem saber o porque, pois tem um potencial e tanto para emplacar e conquistar ouvintes das mais variadas vertentes musicais.

O rock n' roll possui as caixas de som novamente - e com classe! "Doctor Alibi" conta com a lenda viva Lemmy Kilmister no vocal e no baixo. Slash, endiabrado, consegue se destacar durante toda a faixa - o que é difícil quando se divide espaço com Lemmy - e o solo aqui é ótimo. O clima cai após o mesmo, ficando apenas a bateria de Freese e a voz grave e rouquíssima de Kilmister, capaz de deixar até o maior brutamonte com medo. Uma das melhores do play, sem sombra de dúvidas.

"Watch This" mantém a veia roqueira, mas dessa vez em formato instrumental. Duff McKagan assume o baixo e Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) se apodera das baquetas. Um riff pesado permeia todo o andamento da canção e Slash se aproveita para mostrar sua habilidade nas seis cordas. Sua veia rocker se mostra inspiradíssima e presenteia o ouvinte com fraseados excelentíssimos. O clima cai na metade da faixa, e é onde Slash fica ainda mais endiabrado, com o uso de um wah wah fabuloso. Boa canção.

A tipicamente norte-americana "I Hold On" conta com os vocais do versátil rapper/country Kid Rock. Se trata de uma balada com generosas pitadas Pop, na linha do Aerosmith pós-fase dourada e do Nickelback, mas com bastante qualidade. A tranquila voz de Kid e as bases de Slash aqui presentes são relaxantes perfeitas para se ouvir após sair dos estudos ou do trabalho. O solo, mais uma vez, adequado e genial, confere competência ao "cartoludo".

"Nothing To Say" vem em seguida e seu título traduz a minha opinião sobre essa faixa: nada a declarar. O gênero aqui adotado não me agrada (um New Metal mais veloz), nem os vocais de M. Shadows (Avenged Sevenfold). Uma boa faixa apenas pra quem gosta do gênero, caso contrário...



Logo após um dos piores momentos do disco, tem-se um dos melhores. A balada Hard/Pop/Blues "Starlight" marca a única participação dupla nos microfones de todo o play - Myles Kennedy, que definitivamente foi a melhor opção para a canção. O homem consegue oscilar facilmente entre a tranquilidade dos versos e o frenezzi do refrão com bastante feeling e habilidade, e as canções em que assume os vocais são as que mais se assemelham com os tempos áureos de Guns N' Roses por aqui. Novamente, Slash manda um solo de se tirar o fôlego. Vale citar que o old-school Steve Ferrone (Eric Clapton, Tom Petty & The Heartbreakers, Average White Band) assume as baquetas por aqui. No mais, uma excelente faixa.

"Saint Is A Sinner Too", apesar de aparentar ter uma voz feminina, é cantada por Rocco DeLucca, líder do seu próprio projeto Rocco DeLucca & The Burden. O clima é experimental e tranquilo, tem-se violões bem tocados por DeLucca e Slash e uma atmosfera estranha, com passagens meio "flamenco", meio "extraterrestres"... o termo correto deve ter fugido dos dedos do escritor, mas tudo isso para revelar que a canção, apesar de boa, é dispensável para o disco.

"We're All Gonna Die", com a presença de Iggy Pop, fecha o álbum com chave de ouro, com uma atmosfera digna de uma canção onde o eterno vocalista dos Stooges assumiu o microfone: Rock n' Roll clássico com um pé no Punk, riff cru e levada basicamente setentista, além do bom solo de Slash. Encerramento de classe.

No mais, conclui-se que "Slash" é um disco feito para fãs do guitarrista e ouvintes de cabeça aberta pois, como dito antes, cada canção tem uma atmosfera distinta e pode transportar o ouvinte para um outro lugar completamente diferente. O guitarrista aponta sua visão particular de Rock n' Roll aqui, que passeia por inúmeros subgêneros sem perder a essência. Afinal, por mais que se passe uma vida em prol de uma vertente, não se deve ficar preso à esta para sempre.
Nota: 8,5 de 10

01. Ghost (feat. Ian Astbury & Izzy Stradlin)
02. Crucify The Dead (feat. Ozzy Osbourne)
03. Beautiful Dangerous (feat. Fergie)
04. Back From Cali (feat. Myles Kennedy)
05. Promise (feat. Chris Cornell)
06. By the Sword (feat. Andrew Stockdale)
07. Gotten (feat. Adam Levine)
08. Doctor Alibi (feat. Lemmy Kilmister)
09. Watch This (feat. Dave Grohl & Duff McKagan)
10. I Hold On (feat. Kid Rock)
11. Nothing To Say (feat. M. Shadows)
12. Starlight (feat. Myles Kennedy)
13. Saint Is A Sinner Too (feat. Rocco DeLuca)
14. We're All Gonna Die (feat. Iggy Pop)

Line-up:

Slash - guitarra, violão
Chris Caney - baixo (exceto nas faixas 8 e 9)
Josh Freese - bateria (exceto nas faixas 9 e 12)
Vocalistas apontados na lista de músicas
Músicos adicionais:
Lenny Castro - percussão nas faixas 1, 3, 4, 5, 6, 7, 10 e 14
Taylor Hawkins - backing vocals em "Crucify The Dead"
Kevin Churko - backing vocals em "Crucify The Dead"
Chris Flores - teclados e programação em "Beautiful Dangerous"
Deron Johnson - órgão em "Gotten"
Anton Patzner - violino e viola em "Gotten"
Mark Robertson - violino em "Gotten"
Joe Sandt - cravo em "Promise"
Alyssa Park - violino em "Gotten"
Julie Rogers - violino em "Gotten"
Sam Fischer - violino em "Gotten"
Grace Oh - violino em "Gotten"
Songa Lee - violino em "Gotten"
Maia Jasper - violino em "Gotten"
Lisa Liu - violino em "Gotten"
Steve Ferrone - bateria em "Starlight"


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